Câmbio começa a quarta estável, refletindo tensões comerciais e dados para EUA e China
= Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,89 (0,0%)
▼ Dollar Index (DXY): ~ 99,5 pontos (-0,6%)
Em dia de agenda cheia, o mercado de câmbio deve repercutir o cenário global de aversão ao risco, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impor restrições às exportações da chips à China. Além disso, investidores também repercutem dados econômicos para China e EUA e a expectativa por falas do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Vendas no varejo dos EUA de março (Census) – 09h30min.
• Produção industrial dos EUA em março (Federal Reserve) – 10h15min.
• Índice de Mercado de Residências dos EUA de abril (NAHB) – 11h00min.
• Palestra da presidente do Federal Reserve de Cleveland, Beth Hammack – 13h00min.
• Palestra do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell – 14h30min.
• Fluxo cambial semanal (BC) – 14h30min.
• Entrevista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad – 16h00min.
• Palestra do presidente do Federal Reserve de Kansas City, Jeffrey Schmid – 20h00min.
Escalada das tensões comerciais A taxa de câmbio do real alternava entre perdas e ganhos nas primeiras operações da sessão de hoje, quando era cotada por volta de R$ 5,89 (10h20min). Nesta manhã, investidores reagem a uma nova rodada de intensificação da aversão global ao risco, inicialmente desencadeada após o governo dos Estados Unidos anunciar, ontem, a exigência de licenças específicas para exportações à China de um dos chips mais populares da Nvidia, o IA H20. A fabricante informou que, em consequência, poderá registrar perdas de até US$ 5,5 bilhões no trimestre que se encerra em 27 de abril. Ainda nesta manhã, a tensão comercial entre os dois países se intensificou após o site oficial da Casa Branca divulgar que a China pode enfrentar tarifas de até 245% como resultado de suas “ações retaliatórias”, em contraste com o patamar atual de 145%. Essas medidas somam-se ao cenário de rápidas transformações nas relações comerciais globais pelos EUA, gerando alta incerteza e imprevisibilidade sobre a trajetória da economia mundial, especialmente no que se refere ao crescimento dos Estados Unidos e da China. Nesse contexto, os investidores tendem a adotar uma postura de maior cautela, buscando ativos considerados “portos seguros”, como ouro, franco suíço, iene e euro, o que costuma enfraquecer as moedas de países emergentes, incluindo o real.
Dados dos EUA e fala de Powell Diante desse ambiente, os participantes do mercado também se voltam para a divulgação de novos dados de atividade econômica nos EUA e para o discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, avaliando possíveis reações da economia norte-americana em meio à imprevisibilidade da política comercial do país. Entre os indicadores, destaca-se o resultado das vendas no varejo de março, que avançaram 1,4% no mês, superando modestamente as expectativas do mercado e significativamente a alta de 0,2% registrada em fevereiro. Esse resultado não reflete ainda o impacto das tarifas de “reciprocidade” anunciadas em 2 de abril pelo governo Trump, mas pode sinalizar que os consumidores anteciparam compras temendo futuras elevações de preços nos produtos importados. Com o objetivo de avaliar como a economia dos EUA pode reagir, investidores também devem acompanhar o pronunciamento de Powell, na expectativa de que suas declarações forneçam pistas sobre a forma como o Federal Reserve interpreta a evolução dos principais indicadores econômicos, indicando possíveis desdobramentos de sua política monetária e o posicionamento do banco central frente à recente imposição de tarifas comerciais pelo governo Trump. Se as falas de Powell e dados subsequentes reforçarem a hipótese de riscos para a atividade econômica norte-americana, poderão crescer as apostas em novos cortes dos juros nos EUA, pressionando o dólar em âmbito global.
China supera estimativas no primeiro trimestre Por fim, o mercado repercute a divulgação, na madrugada de hoje, de uma série de indicadores econômicos da China. Entre eles, o mais relevante é o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre de 2025, que apresentou crescimento de 5,4%, acima das expectativas de 5,1% do mercado, e um aumento de 1,2% em relação ao quarto trimestre de 2024. Ao detalhar as três principais forças motrizes desse desempenho, constata-se que as exportações contribuíram com 32% do crescimento do PIB, 2 pontos percentuais a mais do que no ano anterior. Além disso, o investimento também participou com 32%, acima dos 25% observados no período anterior, enquanto o consumo doméstico reduziu sua contribuição para 35%, ante 45% do ano passado. Alguns analistas consideram essa composição pouco animadora, pois mostra que a China segue muito dependente de suas exportações, em vez de mostrar avanços no seu esforço de inserir o mercado interno como possível amortecedor dos efeitos negativos da guerra comercial. Essa dependência coloca em dúvida a capacidade de a China compensar o impacto tarifário em um momento em que a demanda doméstica mostra dificuldade de fornecer sustentação adicional ao crescimento. Diante disso, se por um lado o PIB acima do esperado ameniza temores de uma desaceleração mais acelerada da segunda maior economia do mundo, as incertezas persistem por conta das recentes elevações das tarifas americanas. Tal contexto, por sua vez, tende a intensificar a aversão ao risco no cenário global, exercendo pressão negativa sobre ativos mais arriscados, como ações, commodities e moedas de economias emergentes, entre elas o real.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




