Câmbio abre a quinta em leve alta, refletindo tarifas de Trump e juros na Europa
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,88 (+0,2%)
▼ Dollar Index (DXY): ~ 99,4 pontos (+0,2%)
Em dia de agenda esvaziada, o mercado de divisas deve repercutir notícias sobre negociação tarifária entre Japão e EUA. Adicionalmente, investidores acompanham a decisão de juros do Banco Central Europeu e críticas do presidente americano ao Federal Reserve.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Pedidos semanais de auxílio-desemprego (DOL) – 09h30min.
• Decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) – 09h15min.
• Palestra da presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde – 09h45min.
EUA negocia com o Japão A taxa de câmbio do real apresentava tendência de leve alta nas primeiras operações da sessão de hoje, quando era cotada ao redor de R$ 5,88 (10h00min). Em dia de agenda fraca, o foco dos investidores deve voltar-se novamente para o exterior, refletindo uma melhora no sentimento de risco dos mercados globais após comentário do presidente americano, Donald Trump, de que tem avançado nas suas negociações tarifárias entre Estados Unidos e Japão. Sinais de uma postura mais amena de Trump com relação a seus parceiros comerciais tendem a ser bem recebidos pelos investidores, que permanecem em dúvida com relação sobretudo a qual deve ser o desfecho da “pausa” de 90 dias anunciada pela Casa Branca em suas tarifas de “reciprocidade”. Nesse sentido, ao mostrar que está aberto a negociações, aumentam as apostas de que as tarifas no país podem limitar-se a níveis abaixo do inicialmente anunciado pelo presidente. Diante de um possível desfecho menos danoso para o comércio internacional, portanto, ativos arriscados tendem a ser beneficiados, como commodities, ações e moedas de países emergentes, como o real.
Trump volta a criticar Powell Donald Trump, além disso, aparece novamente nos noticiários nesta manhã após pressionar por reduções nas taxas de juros americanas. Esta não é a primeira vez que o presidente expõe seu descontentamento com a condução de política monetária do Federal Reserve (Fed), por vezes questionando inclusive a independência do órgão em relação ao governo federal. Essas críticas acontecem após discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, ontem, que alertou para os riscos de a inflação do país reacelerar por conta dos impactos das tarifas nos preços e frustrou a expectativa de investidores de que o banco central possa cortar juros para contrapor os efeitos negativos dessas tarifas. A perspectiva de juros mais altos por mais tempo nos Estados Unidos, por sua vez, contribui para o fortalecimento global do dólar e, portanto, tende a enfraquecer o real.
Decisão do BCE Por fim, nesta manhã, o Banco Central Europeu (BCE) reduziu sua taxa básica de juros pela sétima reunião consecutiva, passando de 2,50% a.a. para 2,25% a.a. A decisão se fundamenta na melhora nas projeções de inflação para a União Europeia, a desaceleração da atividade econômica e a recente intensificação dos riscos associados à escalada das barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos. Na última semana, os riscos associados a uma possível escalada bilateral das tarifas de importação entre os EUA e o bloco europeu foram parcialmente mitigados após a suspensão por de 90 dias da tarifação sobre € 21 bilhões em produtos dos Estados Unidos, como resposta à sinalização de “trégua” parcial emitida pela Casa Branca na quarta-feira (09). Ainda assim, as tensões comerciais e a incerteza quanto aos impactos da política comercial americana sobre o crescimento econômico global continuam a preocupar os participantes do mercado, que apostam em novos cortes de juros por parte do BCE, o que, por sua vez, tende a enfraquecer o euro e fortalecer o dólar indiretamente.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




