Câmbio começa a terça em alta, refletindo ambiente de tensões comerciais antes da “super quarta”
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,71 (+0,2%)
▼ Dollar Index (DXY): ~ 99,4 pontos (-0,4%)
Às vésperas das decisões de política monetária no Brasil e nos EUA, o mercado de divisas repercute o ambiente de cautela global enquanto aguarda pelo depoimento do secretário do Tesouro americano ao Congresso após defender, ontem, o uso de tarifas de importação pelo país.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Índice Gerente de Compras (PMI) de serviços da área do euro de abril (S&P Global) – 05h00min.
• Balança comercial dos EUA de março (BEA) – 09h30min.
• Índice Gerente de Compras (PMI) de serviços do Brasil de abril (S&P Global) – 10h00min.
Incertezas comerciais nos EUA A taxa de câmbio do real operava em alta nas primeiras negociações desta terça-feira, quando era cotada ao redor de R$ 5,71 (10h20min). O sentimento de cautela deve se manter entre os agentes financeiros ao longo da sessão, sobretudo diante da persistência de incertezas relevantes quanto à condução da política comercial dos Estados Unidos. Na véspera, repercutiu entre investidores a fala do secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, que afirmou que medidas como tarifas de importação, cortes de impostos e desregulamentação não devem ser vistas como políticas isoladas, mas sim como pilares estruturais da estratégia do governo Trump para atrair investimentos. Tal declaração, por sua vez, foi interpretada como um possível indício de que as tarifas podem efetivar-se em nível mais elevado do que o esperado. Ao mesmo tempo, por outro lado, o secretário sinalizou que os EUA estariam próximos de concluir negociações com diversos parceiros comerciais, com exceção da China. Segundo ele, “temos 18 parceiros importantes; vamos deixar a China de lado, os outros 17 nos procuraram com propostas comerciais muito boas”. Dessa forma, apesar das frequentes manifestações de autoridades americanas sobre o avanço nas tratativas, a ausência de resultados concretos e o prolongamento no processo têm frustrado expectativas dos agentes do mercado. Assim, a atenção dos investidores se volta para o depoimento de Bessent ao Congresso americano, agendado para esta manhã, na expectativa de maiores detalhes sobre os possíveis desdobramentos tarifários. Por ora, o ambiente global de aversão ao risco segue pressionando moedas de países emergentes, como o real.
PMI da China Adicionalmente, os investidores avaliam a divulgação do Índice de Gerentes de Compras (PMI) de serviços da China referente ao mês de abril, que recuou para 50,7 pontos, abaixo dos 51,9 registrados em março e da expectativa mediana de 51,7 pontos. De acordo com analistas, a desaceleração do indicador ao menor patamar em sete meses pode refletir os efeitos negativos da guerra comercial com os EUA sobre a atividade econômica chinesa, com efeitos para além do setor manufatureiro, ameaçando os esforços recentes do governo para estimular o consumo doméstico. Por outro lado, os dados relacionados ao feriado do Dia do Trabalho, um dos mais longos do calendário chinês e tradicional termômetro da confiança do consumidor, trouxeram sinais positivos. Estatísticas de tráfego indicaram crescimento de 8% no número médio diário de viagens em relação ao ano anterior, com forte movimentação em pontos turísticos e aumento significativo no volume de passageiros por diferentes modais de transporte. Nesse sentido, a trajetória dos indicadores de atividade deve seguir sendo monitorada de perto, dado que uma eventual persistência na desaceleração econômica chinesa pode intensificar a percepção de risco sobre países exportadores de commodities, com possíveis repercussões negativas sobre o real.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




