Câmbio começa a quarta em queda, refletindo negociação entre China e EUA e decisões de juros da “super-quarta”
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,73 (+0,3%)
= Dollar Index (DXY): ~ 99,4 pontos (0,0%)
Em dia de decisões de política monetária no Brasil e nos EUA, que devem ser acompanhados de perto pelos investidores, o mercado de divisas deve refletir adicionalmente o sentimento de alívio nos mercados financeiros globais após a confirmação de que a China e os Estados Unidos iniciarão as negociações para desescalar o conflito comercial entre os dois países no próximo sábado (10).
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF) de março (IBGE) – 09h00min.
• Índice de Commodities Brasil (IC-Br) de abril (BC) – 14h30min.
• Fluxo cambial semanal (BC) – 14h30min.
• Balança comercial de abril (Secex) – 15h00min.
• Decisão de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve– 15h00min.
• Palestra do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell – 15h30min.
• Decisão de juros do Comitê de Política Monetária do Banco Central – 18h30min.
Negociações entre EUA e China A taxa de câmbio do real operava em alta nas primeiras operações desta quarta-feira, quando era negociada ao redor de R$ 5,73 (10h10min). Os mercados financeiros globais repercutem nesta manhã o anúncio de que autoridades econômicas de Estados Unidos e China se reunirão neste fim de semana, na Suíça, para discussões que podem marcar o primeiro passo para resolver as tensões comerciais entre os dois países. A reunião acontece após semanas de escalada nas tarifas aplicadas sobre bens importados por ambos os países, que já ultrapassam 100%, em um cenário que tem sido classificado por economistas, incluindo o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, como impraticável e equivalente a um embargo comercial. Embora não se espere um acordo imediato, as equipes de negociação devem discutir a redução de tarifas amplas, além de discutir temas como controles de exportação, tarifas sobre produtos específicos e a recente decisão do governo Trump de encerrar a isenção de impostos para importações de baixo valor. A confirmação do início formal das tratativas entre as duas potências reduz os temores de uma prolongada “guerra comercial”, o que, por sua vez, tende a impulsionar ativos de risco, como ações, commodities e moedas de países emergentes, incluindo o real.
Decisão de juros dos EUA Paralelamente, investidores aguardam as decisões de política monetária do Federal Reserve (Fed) nos Estados Unidos, nesta tarde, e do Banco Central (BC) no Brasil, após o fechamento dos mercados. Nos Estados Unidos, há praticamente consenso entre analistas de que o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve deve manter a taxa básica de juros americana inalterada, no intervalo entre 4,25% e 4,50% a.a. Em uma decisão largamente antecipada e sem divulgação de projeções econômicas, o foco dos investidores deve recair sobre a avaliação do cenário de riscos da autoridade monetária e possíveis pistas sobre a trajetória futura dos juros. Na última decisão, o presidente do FOMC, Jerome Powell, destacou que “a incerteza do panorâmico se elevou” e que o balanço de riscos estava mais adverso, ou seja, tanto os riscos de uma inflação mais persistente como os riscos de uma desaceleração econômica parecem ter se elevado. Nesse contexto, a coletiva de imprensa de Powell, que ocorre logo após a decisão, deve assumir papel central na percepção dos investidores. Caso diminua as apostas de investidores para reduções dos juros americanos, diante do cenário mais adverso, o efeito deve ser de valorização do dólar a nível global, avançando potencialmente frente ao real.
Decisão de juros no Brasil No Brasil, a expectativa majoritária é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) eleve a taxa Selic em 0,50 ponto percentual, dos atuais 14,25% para 14,75% ao ano. Na reunião anterior, o comitê já havia sinalizado a possibilidade de uma nova alta, ainda que em magnitude inferior às decisões anteriores, que elevaram os juros em 1 ponto percentual. Diante desse cenário de previsibilidade, as atenções devem recair sobre as indicações futuras da autoridade monetária (forward guidance), especialmente em relação à duração do ciclo de aperto monetário. Espera-se que o Copom reforce a leitura de deterioração do quadro inflacionário à luz de indicadores recentes, o que justificaria a manutenção de uma postura mais restritiva. Por outro lado, a autoridade monetária também deve ressaltar sinais de desaceleração da atividade econômica, o que pode motivar maior cautela nas decisões futuras. Assim, mesmo com uma elevação adicional da Selic, uma eventual sinalização de moderação no ritmo de altas, ou mesmo o encerramento do ciclo, poderia reduzir a expectativa de diferencial de juros frente a economias avançadas, limitando a atratividade dos ativos brasileiros e contribuindo para a desvalorização do real.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




