Câmbio deve refletir Ptax, PIB no Brasil e dados econômicos nos EUA
Cotações (10h30min):
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,69 (+0,4%)
▲ Dollar Index (DXY): ~ 99,5 pontos (+0,1%)
Em dia de agenda carregada, o movimento do último pregão do mês deve apresentar maior volatilidade nos horários utilizados pelo Banco Central (BC) para a formação da taxa Ptax de fim de mês, entre as 10h00min e as 13h10min. Adicionalmente, o mercado de divisas deve repercutir as divulgações do PIB no Brasil e dados econômicos nos EUA.
Agenda do dia (horário de Brasília):
- Estatísticas fiscais de abril (BC) – 08h30min.
- Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre de 2025 no Brasil (IBGE) – 09h00min.
- Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE) dos EUA de abril (BEA) – 09h30min.
- Balança comercial de bens dos EUA de abril (Census) – 09h30min.
- Índice de confiança do consumidor dos EUA de maio (UMich) – 11h00min.
- Palestra do presidente do Federal Reserve de Atlanta, Raphael Bostic – 13h20min.
- Palestra do presidente do Federal Reserve de Chicago, Austan Goolsbee – 20h30min.
Disputa pela taxa Ptax de fim de mês deve trazer volatilidade para a sessão
Por que isso é importante: Operadores do mercado financeiro intensificam suas operações nos intervalos de formação da Ptax, o que dificulta a leitura sobre os movimentos do real no dia.
- A taxa Ptax é uma referência divulgada diariamente pelo BC e seu valor de fim de mês é muito utilizado em contratos de câmbio e derivativos.
- O volume de negócios e a volatilidade costumam aumentar durante as janelas de horários utilizadas pelo BC para o cálculo da taxa Ptax de fim de mês, entre as 10h00min e as 13h10min.
PIB brasileiro acelera no primeiro trimestre de 2025 e reforça percepção de aquecimento da economia
Por que isso é importante: O desempenho robusto da economia no início do ano reforça a leitura de que a atividade doméstica segue aquecida, o que, por sua vez, intensifica a percepção de pressões inflacionárias persistentes.
- Esse cenário reforça a expectativa de que o Banco Central mantenha a taxa Selic em patamar elevado por um período mais prolongado, o que tende a valorizar o real.
Em detalhes: O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 1,4% no primeiro trimestre de 2025 em relação ao trimestre anterior, conforme divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
- O avanço da atividade foi liderado pelo expressivo crescimento do setor agropecuário, que registrou alta trimestral de 12,2%. O setor de serviços, que representa a maior parcela da economia, teve expansão de 0,3%, enquanto a indústria apresentou leve retração de 0,1%.
- O resultado veio em linha com as projeções do mercado, que apontavam para uma alta próxima de 1,5% no período.
Panorama geral: Nos últimos meses, uma preocupação entre investidores de que a economia brasileira estaria se desacelerando mais rápido que o antecipado reduziu as expectativas de juros mais altos por mais tempo no Brasil.
- Uma eventual desaceleração reforçaria os argumentos em favor de cortes de juros com o objetivo de preservar o dinamismo da economia.
- No entanto, o desempenho acima do esperado do PIB enfraquece essa leitura, indicando que a atividade econômica permanece resiliente e que, portanto, não há urgência para redução dos juros.
- Isto reforça as declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que na semana passada defendeu a manutenção da taxa Selic em patamar restritivo por mais tempo do que o observado em ciclos anteriores a fim de assegurar a convergência da inflação para a meta.
Em resumo: O resultado mais forte da atividade econômica amplia a expectativa de manutenção de um diferencial de juros elevado em relação a outras economias, o que tende a favorecer a entrada de capitais estrangeiros e contribuir para a valorização do real frente ao dólar.
Investidores também acompanham divulgações de dados econômicos para os EUA
Por que isso é importante: Indicadores de atividade econômica e de inflação que serão divulgados ao longo da sessão devem apontar como a economia americana tem se adaptado ao contexto de preocupação com os efeitos econômicos decorrentes das mudanças na política comercial e tarifária americana, intensificadas pelo “choque tarifário” do início de abril.
Panorama geral: Em seu comunicado após a reunião de política monetária de maio de 2025, o Federal Reserve destacou o aumento da incerteza no ambiente econômico desde março, mencionando simultaneamente os riscos de uma inflação mais persistente e de um arrefecimento mais acentuado da atividade.
- Nesse contexto, os investidores acompanham com atenção os dados do Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) referentes a abril, principal métrica inflacionária monitorada pelo Fed, buscando sinais sobre os efeitos iniciais das tarifas recém-implementadas sobre o comportamento dos preços.
- O PCE também fornece informações sobre os gastos com consumo das famílias, componente essencial da demanda agregada e importante termômetro da resiliência econômica.
- Ainda nesta sessão, também será divulgado o índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan referente a maio, cuja trajetória tem influência direta sobre as expectativas de consumo e, por consequência, sobre o ritmo de crescimento da economia americana.
Em detalhes: A inflação anual medida pelo PCE recuou de 2,3% em março para 2,1% em abril, abaixo da expectativa de 2,2% projetada pelo mercado.
- O núcleo do PCE, que exclui os preços mais voláteis de alimentos e energia, avançou 2,5% no mesmo período, em linha com as estimativas dos analistas, mas inferior aos 2,7% registrados no mês anterior.
- O relatório também mostrou alta de 0,8% na renda pessoal e de 0,2% nos gastos das famílias, na comparação mensal.
- Quanto ao índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan, espera-se que o indicador permaneça em níveis historicamente baixos, repetindo os 50,8 pontos do mês anterior. Tal patamar, por sua vez, pode acentuar as preocupações com a desaceleração do consumo.
Em resumo: Os dados do PCE devem aliviar temores de uma aceleração inflacionária e desaceleração econômica já em abril, diante do contexto de incertezas vigentes no país. Esse cenário tende a favorecer o dólar frente às demais moedas e exercer pressão negativa sobre o real.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




