Câmbio deve refletir indicadores dos EUA e decisão do BCE
Cotações (10h30min):
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,59 (-1,0%)
▼ Dollar Index (DXY): ~ 98,4 pontos (-0,4%)
O mercado de divisas deve se manter em compasso de espera pela divulgação de dados para o mercado de trabalho americano, amanhã, e repercutir a divulgação de dados de seguro-desemprego e da balança comercial de abril. Adicionalmente, investidores avaliam a decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), que deve reduzir novamente os juros no bloco econômico.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) – 09h15min.
• Pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA (DOL) – 09h30min.
• Balança comercial de abril dos EUA (Census) – 09h30min.
• Palestra da membra do conselho de governadores do Federal Reserve, Adriana Kugler – 13h00min.
• Palestra do presidente do Federal Reserve de Filadélfia, Patrick Harker – 14h30min.
• Balança comercial de maio (Secex) – 15h00min.
Investidores acompanham indicadores sobre a economia americana
Pedidos semanais de auxílio-desemprego nos Estados Unidos

Fonte: U.S. Department of Labor (DOL), Federal Reserve Bank of St. Louis. Elaboração: StoneX.
Por que isso é importante: A divulgação de dados econômicos nos Estados Unidos influencia diretamente a percepção dos agentes de mercado sobre a trajetória da maior economia do mundo. Alterações nessa percepção, por sua vez, afetam não apenas o desempenho dos ativos americanos, mas também as expectativas sobre o crescimento global, com repercussões importantes sobre ativos de países emergentes, como o Brasil.
Panorama geral: Nas últimas semanas, investidores monitoram com atenção dados econômicos americanos, temendo que a aplicação de tarifas de importação e a inconsistência na condução das políticas econômicas pela Casa Branca possam simultaneamente desacelerar o crescimento e impulsionar a inflação do país.
- Ontem, essas preocupações ganharam força após a divulgação de resultados abaixo do esperado no relatório de emprego privado da ADP e no Índice de Gerentes de Compras (PMI) do setor de serviços, medido pelo ISM.
- Até então, a maior parte dos indicadores não mostrava sinais claros de impactos negativos provocados pelas novas políticas econômicas do governo Trump.
- Entretanto, investidores temem que os resultados piores divulgados ontem podem ser os primeiros, com receio de que novos dados fracos se seguirão.
- Hoje, o foco recai sobre os dados semanais de pedidos de auxílio-desemprego e sobre a balança comercial de abril, enquanto os investidores aguardam a divulgação do "payroll" (Relatório de Situação de Emprego) amanhã, considerado o principal termômetro do mercado de trabalho americano.
Em detalhes: Os indicadores publicados nesta manhã reforçaram os sinais de enfraquecimento do dinamismo econômico, com novos avanços nos pedidos de seguro-desemprego e sinais claros de retração nas importações.
- Os pedidos semanais de auxílio-desemprego subiram pela segunda semana consecutiva, totalizando 247 mil solicitações, acima da expectativa de 236 mil e do número da semana anterior (240 mil).
- Já a balança comercial apontou para uma forte redução do déficit em abril, que recuou para US$ 61,6 bilhões, ante os US$ 138,3 bilhões registrados no mês anterior.
- Destaca-se da divulgação a queda acentuada nas importações de bens, de 16,3% na comparação mensal, que se retraíram especialmente diante das novas alíquotas de importação e por sucederem os meses em que importadores tentaram se antecipar ao impactos das barreiras comerciais.
Em resumo: A fraqueza dos indicadores recentes e os primeiros reflexos concretos das tarifas sobre a atividade econômica reforçam as preocupações de que a política comercial americana, marcada por imprevisibilidade e escalada protecionista, possa conduzir o país a uma recessão. Esse cenário contribui para a manutenção de expectativas de desvalorização do dólar, o que tende a favorecer o desempenho de moedas pares como o real.
Banco Central Europeu reduz juros pela oitava reunião consecutiva
Por que isso é importante: A continuidade da flexibilização monetária na zona do euro tende a enfraquecer o euro frente a outras moedas, sobretudo o dólar. Esse movimento pode influenciar os fluxos globais de capitais e afetar, de forma indireta, moedas de economias emergentes, como o real.
Panorama geral: O Banco Central Europeu (BCE) decidiu, nesta quinta-feira (05), reduzir novamente sua taxa básica de juros, de 2,25% para 2,00% ao ano — marcando o oitavo corte consecutivo desde o início do atual ciclo de flexibilização.
- A decisão foi fundamentada na combinação entre a desaceleração da atividade econômica, a revisão para baixo das projeções de inflação e o aumento dos riscos associados ao ambiente externo, especialmente à escalada protecionista dos Estados Unidos.
- Do ponto de vista inflacionário, o alívio recente nos preços tem sido atribuído à valorização do euro, que reduz o custo das importações, e à queda expressiva nos preços das commodities, em especial energia, que têm aliviado pressões de custos para a região.
- No plano geopolítico, o BCE também vem reagindo ao crescente ambiente de incerteza externa. Na semana passada, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que pretende elevar para 50% as tarifas sobre produtos da União Europeia a partir de 9 de julho, alegando insatisfação com a lentidão nas negociações comerciais com o bloco, o que aumenta os riscos à atividade externa da região.
Em resumo: O novo corte reforça a percepção de afrouxamento monetário prolongado na zona do euro, o que tende a pressionar o euro frente ao dólar. Esse fortalecimento relativo da moeda americana, por sua vez, pode influenciar negativamente o desempenho de moedas emergentes, como o real.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




