Câmbio deve refletir divulgação do “payroll” nos EUA
Cotações (09h10min):
= Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,58 (0,0%)
▲ Dollar Index (DXY): ~ 99,0 pontos (+0,3%)
O mercado de divisas deve repercutir a divulgação de dados para o mercado de trabalho nos Estados Unidos, com investidores buscando avaliar potenciais impactos das tarifas de importação impostas pelo governo americano na economia. No Brasil, investidores devem operar em compasso de espera por novas notícias acerca do embate entre a Fazenda e o Congresso Nacional sobre o IOF, com conversas programadas para o final de semana.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Produto Interno Bruto da Área do Euro do primeiro trimestre de 2025 (Eurostat) – 06h00min.
• Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de maio (FGV) – 08h00min.
• Índice de Preços ao Produtor de abril (IBGE) – 09h00min.
• Relatório de Situação de Emprego dos EUA de maio (BLS) – 09h30min.
• Posição semanal dos agentes de mercado (CFTC) – 16h30min.
"Payroll" em linha com o esperado alivia temores de desaceleração mais rápida do mercado de trabalho nos Estados Unidos
Variação no total de empregos urbanos (mil pessoas) e da taxa de desemprego (%) nos Estados Unidos

Fonte: U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS), Federal Reserve Bank of St. Louis. Elaboração: StoneX.
Por que isso é importante: Ao revelar que o mercado de trabalho esteve em linha com o esperado em maio, a divulgação do Relatório de Situação de Emprego ("Payroll") reduziu a preocupação dos investidores com relação a potenciais impactos mais imediatos das tarifas de importação americanas sobre o nível de emprego no país.
Panorama geral: Desde a implementação das amplas tarifas de importação pelo governo americano, em 2 de abril, os investidores têm monitorado com atenção os indicadores econômicos relativos aos meses subsequentes, buscando sinais dos efeitos iniciais dessas medidas sobre a atividade e o emprego.
- Ao longo da semana, os dados divulgados apresentaram sinais mistos: o JOLTS (abertura de vagas em abril) superou as expectativas, mas outros indicadores relevantes — como os PMIs de indústria e serviços de maio, os pedidos semanais de auxílio-desemprego, a balança comercial e o relatório de empregos do setor privado (ADP) — vieram abaixo do esperado.
- O indicador mais aguardado da semana, contudo, era o "payroll" de maio, divulgado hoje, que é considerado o principal termômetro do mercado de trabalho americano.
Em detalhes: O relatório mostrou a criação de 139 mil empregos em maio, resultado próximo da mediana das projeções, que apontava para 130 mil novas vagas. A taxa de desemprego permaneceu estável em 4,2%, também em linha com as expectativas.
- Apesar de indicar desaceleração em relação ao mês anterior, quando foram geradas 147 mil vagas, o resultado deve ser interpretado como compatível com um mercado de trabalho ainda funcional.
- Nesse sentido, por ora, não sugere a necessidade de uma resposta imediata do Federal Reserve em termos de flexibilização monetária.
- Ainda assim, o desempenho de maio representa o menor patamar mensal desde outubro de 2024, o que levanta questionamentos sobre a sustentabilidade da atual dinâmica do emprego em meio às pressões das políticas econômicas do governo Trump.
Em resumo: Ao revelar um desempenho moderado para o mercado de trabalho no mês de maio, o "payroll" reduziu os temores de efeitos imediatos negativos das tarifas de importação americana sobre o nível de emprego, o que deve favorecer o movimento de fortalecimento do dólar na sessão, potencialmente prejudicando o real.
No Brasil, investidores aguardam por novas notícias acerca do impasse sobre o IOF
Por que isso é importante: Em meio a resistências do Congresso ao aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), novas notícias acerca do assunto podem impactar os prêmios de riscos exigidos por investidores para ativos brasileiros, o que tende a gerar volatilidade para o real.
Panorama geral: O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta semana que o governo deve divulgar no próximo domingo (8) alternativas ao aumento do Imposto sobre Operação Financeira (IOF).
- O aumento do imposto, anunciado de forma inesperada há duas semanas, gerou forte resistência entre setores produtivos e lideranças políticas.
- Em reação, parlamentares têm articulado um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) para anular a decisão, dando um prazo de dez dias para que o governo encontrasse uma alternativa de arrecadação “duradoura e consistente”.
- Temores fiscais no Brasil se acentuaram essa semana após a agência de classificação de risco Moody’s ter rebaixado a perspectiva para a nota de crédito soberana do Brasil de “positiva” para “estável”, mantendo a nota em “Ba1”.
Em resumo: O impasse em torno do IOF segue como fator relevante de incerteza fiscal e tende a manter a volatilidade nos ativos brasileiros, com investidores podendo se antecipar na sessão de hoje às notícias a serem divulgadas no final de semana. Caso as medidas anunciadas sejam consideradas robustas pelos investidores, é possível uma reversão parcial do pessimismo atual com relação à política fiscal brasileira, com reflexos positivos sobre o real e demais ativos domésticos.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




