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Abertura de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Câmbio deve refletir IPCA e negociações entre EUA e China

 
Leonel Oliveira Mattos
Vitor Andrioli

 

Cotações (10h10min):
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,55 (-0,4%)
▼ Dollar Index (DXY): ~ 98,8 pontos (-0,1%)

O mercado de divisas deve repercutir novas notícias acerca da relação comercial entre Estados Unidos e China, com investidores operando em compasso de espera em meio ao segundo dia de negociações entre autoridades dos dois países. No Brasil, as atenções se voltam para a divulgação do IPCA de maio e para declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a poucos dias da próxima decisão de política monetária da instituição.

Agenda do dia (horário de Brasília):
•    Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio (IBGE) – 09h00min.
•    Palestra do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo – 10h00min.

IPCA avança menos do que o esperado em maio

IPCA acumulado em 12 meses segundo agrupamentos selecionados (%)

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Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: StoneX.

Por que isso é importante: Uma leitura mais moderada para o índice contribui para diminuir a preocupação dos investidores em relação à inflação brasileira, o que, em contrapartida, reduz a percepção de que os juros Selic devem manter-se mais altos por mais tempo.

Em detalhes: O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou uma elevação de 0,26% em maio, abaixo da alta de 0,43% em abril e da estimativa mediana de 0,37%.

  • No ano, o IPCA acumula alta de 2,75% e, em 12 meses, 5,32%, abaixo da alta anual de 5,53% observada em abril.
  • O resultado de maio representa o menor avanço para o mês desde 2023, quando registrou avanço de 0,23%.
  • O principal impacto positivo sobre o índice decorreu do aumento de 3,62% na energia elétrica residencial, influenciado pela alteração na bandeira tarifária. Em contrapartida, as passagens aéreas e os combustíveis exerceram a maior contribuição negativa, com recuos respectivos de 11,31% e de 0,72% no período.
  • O núcleo do índice, que exclui os componentes mais voláteis, como alimentação e energia, também desacelerou, passando de 0,45% em abril para 0,22% em maio.

Panorama: O resultado do IPCA de maio representa o último dado inflacionário relevante antes da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de 17 de junho.

  • As expectativas em relação à decisão permanecem divididas entre os analistas. Enquanto a menor parte das apostas antecipa que o Copom manterá estável a taxa básica de juros, a maior parte projeta uma nova elevação de 0,25 ponto percentual, adiando o fim do atual ciclo de aperto monetário iniciado em setembro.
  • Apesar da desaceleração, o IPCA continua apontando para um cenário em que a inflação acumulada em 12 meses permanece acima do limite máximo da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central, de 4,5%.
  • Ao mesmo tempo, investidores seguem observado resiliência nos indicadores recentes de atividade econômica, como o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, que superou as projeções do mercado.
  • No dia 19 de maio, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reiterou a necessidade de manter a taxa Selic em um patamar restritivo por um período mais prolongado. Hoje, o presidente do BC fala novamente em evento e sua abordagem com relação ao contexto atual deve ser acompanhada de perto por investidores.

Em resumo: A moderação do IPCA tende a aliviar os temores inflacionários no país, reduzindo as expectativas de manutenção da Selic em níveis elevados por mais tempo. Tal movimento pode, por sua vez, impactar negativamente o rendimento dos títulos domésticos e desvalorizar o real.

EUA e China realizam segunda rodada de negociações para discutir entraves comerciais

Autoridades diplomáticas americanas e chinesas se encontram novamente hoje em Londres para avançar nas negociações dos termos de um potencial acordo comercial entre ambas.

Por que isso é importante: Uma suavização das tensões comerciais entre as duas maiores economias globais pode reduzir receios de uma desaceleração mais intensa do crescimento de ambas.

  • Porém, enquanto progressos mais substantivos não são alcançados, investidores tendem a se manter mais cautelosos e em compasso de espera, o que pode prejudicar o desempenho de ativos mais arriscados, como o real.

Panorama: As conversas de hoje dão continuidade à busca de entendimentos iniciais entre as nações iniciada ontem, que negociam a formalização de um novo acordo comercial.

  • Ontem, o presidente americano, Donald Trump, adotou um tom positivo para falar sobre o progresso das conversas, dizendo que está "recebendo apenas bons relatórios" de sua equipe econômica em Londres, mas que a "a China não é fácil".
  • Também ontem, o assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, declarou que os Estados Unidos aguardam por um sinal concreto de compromisso da China quanto ao fornecimento de minerais de terras raras. A expectativa se fortaleceu após o presidente Donald Trump afirmar que havia chegado a um acordo sobre o assunto na ligação que realizou com o presidente chinês, Xi Jinping, na semana passada.
  • Nesse sentido, espera-se que o foco da negociação desta terça deve seguir sendo os controles de exportações recém-aplicados tanto pelos EUA como pela China.
  • Em particular, a China limita as exportações de minerais de terras raras, fundamentais para a cadeia produtiva de alta tecnologia, enquanto os Estados Unidos limitam o envio de chips avançados e tecnologias de segmentos de alta complexidade.

Em resumo: Caso as negociações de hoje resultem em um anúncio de que as negociações foram produtivas ou em uma diminuição do controle de exportações entre China e EUA, a tendência é ampliar o apetite por riscos de investidores e contribuir para uma queda da taxa de câmbio do real. Por outro lado, caso as negociações de hoje sinalizem um impasse, é provável que isto resulte em maior aversão ao risco e contribua para o enfraquecimento do real.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.
  • Moedas

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