Câmbio deve refletir tensões no Oriente Médio, dados nos EUA e IOF no Brasil
Cotações (10h30min):
▼Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,47 (-0,3%)
= Dollar Index (DXY): ~ 98,1 pontos (0,0%)
O mercado de divisas deve repercutir o cenário global de cautela em meio à elevação das tensões geopolíticas no Oriente Médio, assim como dados de atividade econômica nos Estados Unidos. No Brasil, o foco deve recair novamente sobre o cenário fiscal, após a Câmara aprovar requerimento de urgência para apreciação do projeto de decreto legislativo (PDL) que revoga o aumento de alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Vendas no varejo dos EUA de maio (Census) – 09h30min.
• Indicador de preços de produtos exportados e importados dos EUA de maio (BLS) – 09h30min.
• Monitor do PIB de abril (FGV) – 10h15min.Produção industrial dos EUA de maio (Federal Reserve) – 10h15min.
• Monitor do PIB de abril (FGV) – 10h15min.
Investidores focam na postura da Casa Branca com relação ao conflito entre Israel e Irã
Por que isso é importante: A escalada das tensões e a ausência de avanços diplomáticos reforçam a percepção de que o conflito entre Israel e Irã pode se estender além do esperado, o que intensifica a postura apreensiva entre investidores e pode favorecer ativos considerados "porto-seguros" ao longo da sessão.
- Nesta manhã, contudo, tal movimento não se mostra tão visível quanto o observado na sexta-feira, quando houve um reflexo mais claro dos temores relacionados ao conflito.
Panorama geral: No quinto dia de conflito militar entre os dois países, repercute especialmente entre investidores o anúncio de que o presidente dos EUA, Donald Trump, estava deixando a cúpula do G7 um dia antes do encerramento da reunião, devido às tensões no Oriente Médio.
- Passaram a ser veiculadas notícias que afirmam que o Irã teria pedido a vizinhos que pressionem os EUA a convencer Israel a aceitar um cessar-fogo imediato.
- Segundo essas notícias, Teerã estaria disposto a ser mais flexível nas negociações para um acordo nuclear, caso Israel interrompa os ataques.
- Enquanto isso, contudo, os dois países mantêm as ofensivas e o discurso de que continuarão atacando e retaliando um ao outro.
- Adicionalmente, o Presidente Trump teria afirmado que “um verdadeiro fim” ao conflito exigiria que o Irã “desistisse inteiramente” das suas atividades de enriquecimento de urânio, e que não estaria apenas trabalhando para um cessar-fogo entre os dois países.
- A postura mais firme de Trump, nesse sentido, contribui para diminuir as percepções de que o conflito pode ter um desfecho pacífico no curto prazo.
Vale lembrar: O conflito no Oriente Médio tende a diminuir o apetite global por riscos, o que, por sua vez, costuma enfraquecer o real.
Na véspera da decisão de juros do Federal Reserve, investidores monitoram novos dados de atividade econômica nos EUA
Por que isso é importante: Os dados divulgados ao longo do dia podem impactar a expectativa sobre a comunicação do Federal Reserve (Fed) na decisão de amanhã.
- Apesar da expectativa ampla dos investidores ser de manutenção da taxa básica de juros no país, investidores aguardam pelo comunicado da decisão e pelas Projeções Econômicas Sumarizadas, que reflete a leitura dos dirigentes do Fed sobre o cenário econômico.
Panorama geral: Em especial, investidores repercutem a divulgação dos dados de vendas no varejo do país em maio, que contraíram acima do esperado no mês.
- As vendas no varejo registraram recuo de 0,9%, queda maior do que a estimativa mediana de 0,5% projetada.
- Em seu núcleo, que exclui as vendas de automóveis, o indicador também mostrou desempenho abaixo do esperado, recuando 0,3%, abaixo da expectativa mediana de avanço de 0,2%.
- Tal desempenho tende a elevar a preocupação dos investidores com relação à resiliência da economia americana, tendo em vista que o mercado consumidor no país tem sido, nos últimos anos, um dos principais vetores de força para o crescimento econômico.
- Segundo analistas, a queda deste mês pode ter se intensificado após compradores terem antecipado suas compras, especialmente de automóveis, antes da aplicação das tarifas de importação pelo governo americano, o que explicaria o melhor desempenho nos meses anteriores e a queda mais acentuada neste mês.
Em resumo: A diminuição mais acelerada da atividade econômica americana pode reforçar a percepção de que o Federal Reserve pode reduzir a taxa de juros antes do que o previsto, o que tende a prejudicar o valor do dólar globalmente e, por consequência, favorecer o real.
Câmara dos deputados aprova requerimento de urgência do texto que derruba alta do IOF
Por que isso é importante: O embate entre o Congresso e o governo sobre as medidas de âmbito fiscal pode seguir elevando a percepção de risco entre investidores com relação à saúde das contas públicas no país, o que tende a prejudicar o real.
Panorama geral: A Câmara dos Deputados aprovou, ontem, o requerimento de urgência para votação do projeto de decreto legislativo (PDL) que revoga o aumento de alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
- Contudo, ainda não há previsão de análise do mérito do PDL, que irá depender da apresentação de medidas de corte de gastos pelo governo e da tramitação da medida provisória já encaminhada ao Congresso.
- A Medida Provisória publicada pelo governo federal para reduzir parcialmente o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) fundamenta-se no aumento da taxação sobre casas de apostas online, fintechs, aplicações financeiras e Juros sobre Capital Próprio, além de baixar linearmente em 10% os gastos com benefícios tributários
- Apesar de haver combinado com líderes partidários quais ações seriam adotadas, as tensões com o Congresso foram se agravando durante a última semana, e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, decidiu pautar o requerimento de urgência do PDL que anula os efeitos dessa medida provisória.
Em resumo: O impasse em torno do IOF segue como fator relevante de incerteza fiscal e tende a manter a volatilidade nos ativos brasileiros, o que pode prejudicar o valor do real ao longo da sessão.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




