Câmbio deve refletir dados americanos, impasse do IOF e preocupações comerciais e fiscais nos EUA
Cotações (10h30min):
= Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,43 (0,0%)
▼ Dollar Index (DXY): ~ 96,6 pontos (-0,2%)
Em dia de agenda cheia, o mercado de divisas deve repercutir o movimento de enfraquecimento global do dólar por conta de preocupações com as contas públicas americanas e o final do período de “trégua” nas tarifas de importação. Adicionalmente, investidores monitoram dados econômicos para os EUA e a possibilidade de judicialização do decreto legislativo que revogou o aumento do IOF.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Índice Gerente de Compras (PMI) industrial do Brasil de junho (S&P Global) – 10h00min.
• Palestra do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell – 10h30min.
• Índice Gerente de Compras (PMI) industrial dos EUA de junho (S&P Global) – 10h45min.
• Índice Gerente de Compras (PMI) industrial dos EUA de junho (ISM) – 11h00min.
• Pesquisa de abertura de vagas (JOLTS) dos EUA de abril (BLS) – 11h00min.
Recuo do dólar reflete aumento das incertezas institucionais nos EUA
De maneira geral, o movimento de aversão à moeda americana reflete o aumento das incertezas institucionais após o início do mandato de Donald Trump, em meio à falta de clareza em sua política comercial e aos temores quanto à condução fiscal e monetária.
- Na manhã desta terça-feira, o Dollar Index ampliava o recuo observado nas sessões anteriores, aproximando-se do menor patamar desde fevereiro de 2022.
Por que isso é importante: A imprevisibilidade e a inconsistência das políticas econômicas americanas contribuem para uma fuga de ativos do país e estimula a desvalorização global do dólar.
Panorama geral: Nesta manhã, o Senado americano seguia empenhado na votação da nova proposta orçamentária apresentada por Donald Trump, em uma sessão que se estendeu da segunda-feira pela madrugada até esta terça.
- Segundo estimativas do Congressional Budget Office (CBO), a proposta elevaria o endividamento público em US$ 3,3 trilhões no próximo ano.
- Mesmo que seja aprovada no Senado, a medida ainda enfrentará votação na Câmara dos Representantes, onde as revisões precisam ser ratificadas.
- Além das preocupações fiscais, investidores demonstram apreensão com a possível ausência de novos acordos comerciais antes do prazo de expiração das reduções tarifárias, previsto para 9 de julho.
- Em entrevista recente, o presidente Trump afirmou: “em algum momento antes do dia 9 [de julho], nós vamos enviar uma carta para todos esses países dizendo ‘parabéns, vamos permitir que você faça comércio com os Estados Unidos da América — sua tarifa de importação será de 25%, ou de 40%, ou de 50%’”.
Investidores permanecem atentos à divulgação de novos dados econômicos dos EUA
Pedidos continuados semanais de auxílio-desemprego nos Estados Unidos

Fonte: U.S. Department of Labor (DOL), Federal Reserve Bank of St. Louis. Elaboração: StoneX.
Em meio ao aumento das incertezas sobre a resiliência da economia americana, investidores reavaliam as expectativas quanto à condução da política monetária pelo Federal Reserve, aumentando as apostas de que o órgão pode adotar mais cortes de juros do que o previsto inicialmente.
- Nesta terça-feira, os mercados acompanham com atenção a divulgação da Pesquisa de Abertura de Vagas (JOLTS) referente a abril e o Índice de Gerente de Compras (PMI) industrial de junho, divulgado pelo ISM.
Por que isso é importante: Além das incertezas institucionais, a crescente preocupação com a robustez da atividade econômica nos Estados Unidos tem prejudicado o dólar e contribuído para o fortalecimento de moedas emergentes, como o real.
Panorama geral: Indicadores recentes de tendência apontam para um enfraquecimento das condições do mercado de trabalho no país.
- Nas últimas semanas, o número de pedidos semanais continuados por auxílio-desemprego tem aumentado rapidamente e atingiu o maior valor desde novembro de 2021, sugerindo uma desaceleração no ritmo de contratações.
- Preocupações com o ritmo da atividade produtiva também têm se elevado, especialmente após a divulgação abaixo do esperado para a leitura final do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre de 2025 na semana passada.
Em detalhes: Os investidores devem se concentrar especialmente na leitura da JOLTS de abril, que poderá oferecer um retrato mais claro sobre o comportamento das contratações no mês.
- Ainda há incertezas quanto aos efeitos concretos das políticas do novo governo sobre o mercado de trabalho, mas preocupações persistem, como o impacto da imposição de tarifas de importação, paralisações de contratações e cortes de pessoal em órgãos federais.
- Quanto ao PMI industrial da ISM, a expectativa é de que o índice siga abaixo da linha dos 50 pontos, indicando nova retração no setor, ainda que em ritmo considerado moderado.
Em resumo: Caso os dados indiquem uma desaceleração mais acentuada da atividade econômica americana, isso pode reforçar as apostas em cortes adicionais de juros por parte do Fed, o que, por sua vez, reduz a atratividade de ativos em dólar e tende a ampliar o movimento de desvalorização da moeda americana.
Governo deve questionar derrubada do IOF no STF
Nesta manhã, segundo notícias, o governo decidiu entrar com a ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a derrubada do decreto que aumentou as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
Por que isso é importante: A anulação do aumento do IOF aumenta as incertezas quanto ao atingimento das metas fiscais ao impossibilitar um aumento de receitas para o governo.
- Adicionalmente, o embate entre Executivo e Legislativo revela que a capacidade de articulação política do governo está prejudicada, o que pode dificultar o avanço de outras pautas prioritárias do Palácio do Planalto.
Panorama: Parte da equipe econômica do governo defende o questionamento no STF do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) nº 314/2025, que anulou o aumento das alíquotas do IOF, argumentando que o Congresso extrapolou os limites constitucionais.
- Segundo esse argumento, a Constituição reserva ao âmbito federal o direito de instituir impostos sobre “operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários”.
- Adicionalmente, os defensores desse argumento acreditam que o ingresso de ação no STF pode melhorar as condições de negociação do governo junto aos parlamentares.
- Contudo, essa ação arrisca agravar a crise no relacionamento entre Executivo e Legislativo.
Em resumo: A incerteza sobre as alíquotas do IOF e o impasse entre Executivo e Legislativo podem aumentar a percepção de riscos fiscais de ativos brasileiros e contribuir para um enfraquecimento do real.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




