Câmbio deve refletir CPI americano e impasse sobre IOF
Cotações (10h25min):
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,55 (-0,7%)
= Dollar Index (DXY): ~ 98,1 pontos (0,0%)
Em dia de agenda cheia, o mercado de divisas deve repercutir a divulgação de dados inflacionários nos EUA, buscando avaliar o possível impacto das tensões comerciais americanas sobre preços aos consumidores do país. No cenário doméstico, investidores aguardam pela audiência de conciliação entre os três Poderes em relação ao IOF.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de junho dos EUA (BLS) – 09h30min.
• Índice de atividade industrial do Federal Reserve de Nova Iorque de julho – 09h30min.
• Monitor do PIB de maio (FGV) – 10h15min.
• Palestra da vice-presidente de Supervisão do Federal Reserve, Michelle Bowman – 10h15min.
• Palestra do membro do Conselho de Governadores do Federal Reserve, Michael Barr – 13h15min.
• Palestra da presidente do Federal Reserve de Boston, Susan Collins – 15h45min.
• Palestra da presidente do Federal Reserve de Dallas, Lorie Logan – 20h45min.
Inflação ao consumidor americano continua mais moderada que o estimado
Medidas de inflação para os Estados Unidos (12 meses)

Fonte: U.S. Bureau of Economic Analysis (BEA), U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS), Federal Reserve Bank of St. Louis. Elaboração: StoneX.
O núcleo do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) americano, que exclui os componentes mais voláteis de alimentação e energia, aumentou menos que o estimado pelo quinto mês consecutivo.
Por que isso é importante: Os números mais moderados para a inflação americana sugerem que os preços continuam se estabilizando e que, portanto, o Federal Reserve poderia cortar juros antes do que o antecipado, o que reduz a expectativa de rendimentos de títulos dos EUA e tendem a prejudicar o desempenho global do dólar, favorecendo o real.
Detalhes: O CPI acelerou de 0,1% em maio para 0,3% em junho, em linha com as estimativas de analistas, impulsionando a alta acumulada em 12 meses de 2,4% para 2,7% no período.
- Porém, o núcleo passou de 0,1% em maio para 0,2% em junho, abaixo da estimativa mediana de 0,3%, impulsionando a alta acumulada em 12 meses de 2,8% para 2,9% no período.
- Com isto, o núcleo do CPI aumentou menos que o estimado pelo quinto mês consecutivo.
Impacto das tarifas: Os dados mostram poucos efeitos das tarifas de importação americana sobre os preços ao consumidor.
- Alguns setores mais expostos ao comércio internacional, de fato, mostraram uma aceleração importante em seus preços em junho, como eletroeletrônicos, vestuário, calçados e mobiliário.
- Porém, no geral, esses efeitos se mostram limitados até o momento, sem repercussões mais amplas.
E o produtor? Agora, investidores aguardam pela divulgação do Índice de Preços ao Produtor (PPI) de junho, amanhã, para verificar se apresentará indícios de pressão nos preços de bens industriais, sobretudo os mais expostos ao comércio internacional.
Como explicar? Embora houvesse quase consenso entre analistas de que o aumento das tarifas deveria acelerar a inflação e desacelerar o crescimento nos EUA, esses impactos se mostram tímidos nos indicadores disponíveis até o momento.
- Em paralelo, os dados mais recentes divulgados pelo governo americano revelam uma aceleração nas receitas alfandegárias, indicando que as tarifas já repercutem sobre os custos de importação.
- A aparente contradição entre o rápido crescimento das receitas alfandegárias e dos impactos modestos sobre a inflação ainda intriga analistas.
- Uma possibilidade é que as empresas americanas estejam limitando os repasses dos custos mais altos de importação, comprimindo suas margens.
- É possível, também, que os exportadores estrangeiros tenham aceitado diminuir seus preços para sustentar suas vendas, comprimindo suas margens.
- É possível, ainda, que as empresas americanas tenham antecipado importações e ampliado estoques antes da adoção das tarifas, e que seus custos de estoques totais ainda não tenham se elevado significativamente.
- Considera-se, inclusive, a possibilidade que as projeções de impactos das tarifas nos preços finais dos produtos tenham sido superestimadas.
Três poderes se reúnem para buscar solução para o impasse do IOF
Hoje, representantes da Presidência da República, da Câmara dos Deputados e do Senado Federal participam de audiência de conciliação no Supremo Tribunal Federal (STF) para tratar do embate a respeito do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
- Em 04 de julho, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, suspendeu tanto os decretos do governo que aumentavam as alíquotas do IOF quanto o decreto parlamentar que anulou esses aumentos.
Por que isso é importante: O embate prolongado entre Executivo e Legislativo sobre o tema aumenta as incertezas quanto à condução da política fiscal e resulta em maior percepção de riscos para ativos brasileiros, o que tende a desvalorizar o real.
- Por outro lado, a possibilidade de uma solução negociada entre os Poderes pode gerar efeito contrário e favorecer o desempenho do real.
Panorama: Após a suspensão dos decretos por Moraes, representantes do Executivo e do Legislativo retomaram o diálogo na terça-feira passada (08), porém não chegaram a um consenso.
- Se, por um lado, a judicialização do tema pelo Palácio do Planalto melhorou as condições de negociação do governo junto ao Congresso, a manobra também arrisca agravar o descontentamento de parlamentares e reduzir ainda mais sua capacidade de articulação política no Legislativo.
Contexto: A tentativa de aumentar a arrecadação federal por meio da elevação do IOF provocou desgaste do governo federal, que observou forte resistência de setores produtivos e de parlamentares.
- A tentativa de uma solução negociada junto aos líderes partidários não obteve sucesso, e o Congresso decidiu anular os aumentos e impor uma derrota ao Executivo.
- Na sequência, o governo recorreu ao Judiciário para tentar reverter a decisão do Legislativo.
Em resumo: O desempenho do real deve ser beneficiado caso a audiência resulte em um consenso entre os Poderes, e prejudicado caso o impasse persista.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




