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Abertura de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Câmbio deve refletir PPI americano, ameaças de tarifas sobre o Brasil e impasse do IOF

 
Leonel Oliveira Mattos
Vitor Andrioli

 

Cotações (10h10min):
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,58 (+0,4%)
= Dollar Index (DXY): ~ 98,7 pontos (+0,1%)

Em dia de agenda cheia, o mercado de divisas deve repercutir a divulgação do Índice de Preços ao Produtor (PPI) nos Estados Unidos, em meio às preocupações inflacionárias geradas pelas novas tarifas impostas pela Casa Branca. Investidores também avaliam novos avanços na tensão comercial entre o Brasil e os EUA e a audiência de conciliação promovida pelo STF sobre o impasse do IOF. 

Agenda do dia (horário de Brasília):

•    Índice de Preços ao Produtor (PPI) dos EUA de junho (BLS) – 09h30min.
•    Palestra da presidente do Federal Reserve de Cleveland, Beth Hammack – 10h15min.
•    Produção industrial dos EUA de junho (Federal Reserve) – 10h15min.
•    Palestra do membro do conselho de governadores do Federal Reserve, Michael Barr – 11h00min.
•    Fluxo cambial semanal (BC) – 14h30min.
•    Livro Bege (Federal Reserve) – 15h00min.
•    Palestra do presidente do Federal Reserve de Nova Iorque, John Williams – 19h30min.
 

 

PPI americano surpreende ao permanecer estável em junho

 

O Índice de Preços ao Produtor (PPI) americano mostrou que a inflação ao produtor no país manteve-se estável em junho, abaixo da estimativa mediana que projetava um leve avanço para o indicador.

 

Por que isso é importante: Os números mais moderados para a inflação americana sugerem que os preços continuam se estabilizando e que, portanto, o Federal Reserve poderia cortar juros antes do que o antecipado, o que reduz a expectativa de rendimentos de títulos dos EUA e tendem a prejudicar o desempenho global do dólar, favorecendo o real.

 

Em detalhes: O PPI manteve-se estável em junho, abaixo da projeção mediana de 0,2% e abaixo do avanço de 0,3% de maio,

  • O núcleo do índice, que exclui os componentes mais voláteis de alimentação e energia, também não avançou, abaixo da estimativa mediana de 0,2% e do avanço de 0,4% de maio.

 

Panorama: Desde a implementação tarifas amplas de importação pelo governo americano no início de abril, investidores monitoram com atenção dados econômicos que possam indicar algum impacto das barreiras comerciais na atividade econômica e na inflação.

  • O PPI adquire relevância destacada por ser teoricamente um dos primeiros indicadores de pressões inflacionárias, já que reflete os custos enfrentados pelo setor produtivo, que podem ser repassados ao consumidor final.
  • A leitura mais branda do índice levanta hipóteses distintas: por um lado, pode indicar uma superestimação inicial dos efeitos inflacionários das tarifas; por outro, pode sinalizar que países exportadores estejam absorvendo parte dos custos adicionais para preservar sua competitividade no mercado norte-americano.
  • Ontem, a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) também mostrou avanço abaixo do esperado para a inflação ao consumidor.

 

Contudo: A divulgação desta quinta-feira, por outro lado, incluiu revisão dos dados de maio, que mostraram aceleração acima da leitura preliminar. Além disso, na divulgação de junho, ficou mais evidente uma elevação nos preços de determinados segmentos de bens de consumo frequentemente importados pelos EUA.

  • O CPI de ontem mostrou dinâmica semelhante, com elevação nos preços de itens como móveis domésticos, vestuário, equipamentos recreativos e artigos para atividades externas, categorias particularmente expostas ao comércio internacional.

 

EUA iniciam investigação sobre práticas comerciais injustas brasileiras

 

O Representante do Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, anunciou, ontem, que seu Escritório iniciou uma investigação sobre práticas comerciais “injustas” do Brasil.

  • A investigação foi solicitada pelo presidente americano, Donald Trump, quando anunciou tarifas de importação de 50% sobre produtos brasileiros, em 09 de julho.

 

Por que isso é importante: A investigação aumenta os riscos de uma intensificação das barreiras comerciais americanas sobre o Brasil, o que tende a reduzir as exportações brasileiras e, assim, prejudicar o real.

  • Adicionalmente, a decisão eleva a imprevisibilidade e a percepção de riscos para investimentos em ativos brasileiros, o que pode afastar investimentos estrangeiros e, igualmente, tende a desvalorizar o real.

 

Panorama: Embora esta etapa fosse aguardada por investidores, a abertura da investigação reforça a percepção de que a Casa Branca pretende cumprir sua ameaça de tarifar os produtos brasileiros em 50% a partir de 01 de agosto.

  • Trump atribuiu sua decisão de impor essa tarifa aos processos judiciais “injustos” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, às “ordens [judiciais] de censura secretas e ilegais às plataformas de mídia social dos EUA” e por “ataques contínuos aos negócios digitais de empresas americanas”.
  • O governo brasileiro, por outro lado, busca retomar as negociações com os Estados Unidos para evitar essa taxação.
  • Ao mesmo tempo, contudo, o Brasil regulamentou a Lei da Reciprocidade Econômica e estuda retaliar essas tarifas caso sejam efetivadas.

 

Amparo jurídico: A investigação pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) se ampara na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 por “ataques contínuos aos negócios digitais de empresas americanas”.

  • Esses “ataques” representam a alternativa jurídica de justificar a imposição de tarifas, visto que mesmo a legislação para poderes emergenciais nos EUA dificilmente validaria a decisão baseada em “processos judiciais injustos” em nação estrangeira, particularmente sem uma conexão explícita com a segurança nacional americana.
  • A Seção 301 permite ao Representante de Comércio dos EUA, sob direção do Presidente, suspender concessões de acordos comerciais ou impor restrições de importação se determinar que um país estrangeiro viola um acordo ou age de forma injustificada ou discriminatória contra o comércio dos EUA.
  • Necessariamente, a prática injustificada ou discriminatória precisa ser relacionada ao comércio americano.

 

Práticas “injustas”: Em sua carta, o USTR alega as seguintes práticas injustificadas ou discriminatórias pelo Brasil:

  • Comércio digital e serviços de pagamento eletrônico: “o Brasil pode prejudicar a competitividade de empresas americanas que atuam nesses setores, por exemplo, retaliando contra elas por não censurarem o discurso político ou restringindo sua capacidade de prestar serviços no país”.
  • Tarifas injustas e preferenciais: o Brasil concede tarifas preferenciais mais baixas às exportações de certos parceiros comerciais globalmente competitivos, prejudicando assim as exportações americanas;
  • Fiscalização anticorrupção: a falha do Brasil em fiscalizar medidas anticorrupção e de transparência levanta preocupações em relação às normas relativas ao combate ao suborno e à corrupção;
  • Proteção da propriedade intelectual: o Brasil aparentemente nega a proteção e a fiscalização adequadas e eficazes dos direitos de propriedade intelectual, prejudicando os trabalhadores americanos cujos meios de subsistência estão vinculados aos setores norte-americanos impulsionados pela inovação e criatividade;
  • Etanol: o Brasil abandonou sua disposição de fornecer tratamento praticamente isento de impostos para o etanol americano e, em vez disso, agora aplica uma tarifa substancialmente mais alta às exportações de etanol americano; e
  • Desmatamento ilegal: o Brasil parece não estar conseguindo aplicar efetivamente as leis e regulamentações destinadas a impedir o desmatamento ilegal, prejudicando assim a competitividade dos produtores norte-americanos de madeira e produtos agrícolas.

 

Na prática: Trump tem atuado de forma bastante flexível e liberal na aplicação de tarifas de importação e pode, se assim desejar, impor tarifas de qualquer magnitude sobre o Brasil.

 

Audiência no STF sobre elevação do IOF termina sem acordo

 

Investidores também monitoram o impasse entre o governo e o Congresso com relação ao aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), após as partes não chegarem a um acordo na reunião de conciliação realizada ontem no Supremo Tribunal Federal (STF)

 

Por que isso é importante: O embate prolongado entre Executivo e Legislativo sobre o tema aumenta as incertezas quanto à condução da política fiscal e resulta em maior percepção de riscos para ativos brasileiros, o que tende a desvalorizar o real.

 

Panorama: No início de julho, o ministro Alexandre de Moraes suspendeu todos os decretos de ambas as partes sobre o tema, convocando uma audiência de conciliação, realizada ontem.

  • Como resultado, tanto o governo quanto o Congresso optaram por aguardar a decisão judicial, ao entenderem que esse seria o "melhor caminho para dirimir esse conflito".
  • Se, por um lado, a judicialização do tema pelo Palácio do Planalto melhorou as condições de negociação do governo junto ao Congresso, a manobra também arrisca agravar o descontentamento de parlamentares e reduzir ainda mais sua capacidade de articulação política no Legislativo.

 

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.
  • Moedas

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