Câmbio deve refletir incertezas com tarifas americanas ao Brasil e dados dos EUA
Cotações (10h20min):
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,53 (-0,3%)
▲ Dollar Index (DXY): ~ 98,2 pontos (-0,4%)
Em dia de agenda esvaziada, o mercado de divisas deve repercutir as tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, após o presidente americano, Donald Trump, voltar a vincular a adoção de tarifas sobre produtos brasileiros ao julgamento de Bolsonaro. Adicionalmente, investidores devem repercutir novos dados dos EUA, encerrando uma semana de divulgações majoritariamente positivas sobre a economia americana.
Agenda do dia (horário de Brasília):
- Palestra do membro do conselho de governadores do Federal Reserve, Christopher Waller – 09h00min.
- Prévia do índice de confiança do consumidor de julho (UMich) – 11h00min.
- Posição semanal dos agentes de mercado (CFTC) – 17h30min.
Trump vincula novamente a adoção de tarifas contra o Brasil a julgamento de Bolsonaro
Nesta quinta-feira (17), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou uma carta endereçada ao ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. No documento, Trump voltou a vincular a adoção da alíquota de importação de 50% sobre os produtos brasileiros pelo país ao julgamento em andamento do brasileiro no judiciário.
Por que isso é importante: A vinculação das medidas tarifárias implementadas pela Casa Branca a questões políticas e jurídicas nacionais adiciona incertezas à possibilidade de uma resolução das tensões comerciais entre os dois países.
- A possibilidade da adoção de pesadas tarifas sobre produtos brasileiros prejudica as exportações do país e aumenta a percepção de riscos para ativos nacionais, o que pode prejudicar o real.
Panorama: Em 9 de julho, Trump anunciou a cobrança de uma tarifa de 50% sobre todos os produtos vindos do Brasil, a começar em 1º de agosto.
- Ao mesmo tempo, solicitou ao Representante do Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, que iniciasse uma investigação sobre práticas comerciais “injustas” do Brasil,
- A investigação foi iniciada esta semana e descreve práticas ditas injustas ao comércio americano, como os negócios digitais e serviços de pagamento eletrônico, o desmatamento ilegal, entre outros.
- Embora esta etapa fosse aguardada por investidores, a abertura da investigação e a carta ao presidente Bolsonaro reforçam a percepção de que a Casa Branca pode, de fato, cumprir sua ameaça de tarifar os produtos brasileiros em 50% a partir de 01 de agosto.
Investidores aguardam a divulgação do índice de confiança do consumidor americano
Na sessão, a principal divulgação deve ser a prévia do índice de confiança do consumidor de julho, divulgada pela Universidade de Michigan (Umich).
- Espera-se que o indicador mostre um patamar de relativa normalidade para o otimismo das famílias, mesmo diante do contexto de imprevisibilidade na política comercial americana.
Por que isso é importante: O indicador é um termômetro importante da direção da economia americana, sendo um dos primeiros indicadores de tendência divulgados para o varejo americano, um dos principais vetores de crescimento da economia.
- Caso a confiança do consumidor se mantenha, ela deve reforçar a percepção de resiliência da economia americana e as apostas de que o Federal Reserve não deve ter pressa para realizar novos cortes de juros, o que tende a fortalecer o dólar.
Panorama geral: Ao longo da semana, os principais indicadores econômicos divulgados apontaram a existência de poucos impactos visíveis das tarifas mudanças na política comercial e tarifária americana, intensificadas pelo “choque tarifário” do início de abril.
- Os índices de inflação ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) mostraram um desempenho moderado em junho, com sinais ainda bastante incipientes de aumentos de preços como possível reflexo das novas tarifas.
- Ao mesmo tempo, os dados de vendas no varejo mostraram-se acima do esperado em junho, o que contribuiu para dissipar preocupações sobre uma eventual perda acelerada de dinamismo no consumo das famílias, que poderia refletir uma deterioração da confiança em meio ao ambiente de maior incerteza comercial.
- Esse conjunto de evidências tende a fortalecer o otimismo entre os agentes de mercado, que passam gradualmente a considerar a possibilidade de que os efeitos negativos das medidas comerciais sejam menos intensos ou mais diluídos do que inicialmente estimado, aumentando o otimismo em relação à economia americana.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




