Câmbio deve refletir negociações comerciais e dados econômicos dos EUA
Cotações (10h30min):
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,60 (+0,1%)
▲ Dollar Index (DXY): ~ 99,0 pontos (+0,3%)
O mercado de divisas deve repercutir a divulgação de dados para o mercado de trabalho e comércio nos Estados Unidos, buscando sinais de impactos das tarifas de importação implementadas pela Casa Branca. Investidores devem observar, adicionalmente, as negociações comerciais entre Brasil e EUA, conforme se aproxima a data de implementação da nova alíquota a produtos brasileiros, no dia 1º de agosto.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Balança comercial americana de junho (Census) – 09h30min.
• Pesquisa de abertura de vagas dos EUA (JOLTS) de junho (BLS) – 11h00min.
• Índice de confiança do consumidor americano de julho (Conference Board) – 11h00min.
• Entrevista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad – 15h00min.
Dados americanos devem sinalizar trajetória da economia americana
Investidores acompanham as divulgações de dados econômicos americanos, que devem ajudar a calibrar as expectativas sobre a saúde da economia do país em meio ao período de adaptação ao choque tarifário implementado pela Casa Branca no início de abril.
Por que isso é importante: Caso reforcem a percepção de resiliência da economia, os indicadores devem favorecer as apostas de que o Federal Reserve não deve ter pressa para realizar novos cortes de juros, o que tende a fortalecer o dólar.
Balança comercial: A balança comercial de bens registrou déficit de US$ 85 bilhões em junho, resultado ligeiramente inferior à mediana das projeções e alinhado aos níveis observados nos últimos meses.
- As divulgações recentes apontam para uma redução gradual do déficit comercial desde abril, mês em que as novas tarifas foram implementadas.
- Tal movimento, por sua vez, pode ser associado especialmente a uma diminuição das importações pelo país, que tendem a ser desestimuladas pelas novas alíquotas.
Pesquisa de abertura de vagas e turnovers (JOLTS): É a primeira divulgação importante relacionada ao mercado de trabalho a ser divulgado nesta semana, que conta ainda com o Relatório de Emprego do Setor Privado (ADP), na quarta-feira (30), e com o Relatório de Situação de Emprego ("Payroll"), na sexta-feira (01), ambos referentes a julho.
- Há quatro semanas, o "Payroll" de junho surpreendeu positivamente ao registrar a criação de 147 mil postos de trabalho não agrícolas, superando a mediana das expectativas, que era de 110 mil vagas.
- Diante disso, o JOLTS deve oferecer uma leitura mais detalhada sobre o comportamento das contratações em junho, permitindo avaliar especialmente se há sinais de desaceleração no ritmo de contratações por parte das empresas.
- Até o momento, os efeitos concretos das políticas do novo governo sobre o mercado de trabalho ainda são incertos, mas persistem temores relacionados à imposição de tarifas de importação, paralisação de contratações e demissões em larga escala promovidas recentemente em órgãos federais.
Índice de confiança do consumidor (Conference Board): O indicador é um termômetro importante da direção da economia americana, sendo um dos primeiros indicadores de tendência divulgados para o varejo americano, um dos principais vetores de crescimento da economia.
- A estimativa mediana sugere que o indicador deve apresentar ligeira melhora, em 95,9 pontos, após registrar 93 pontos em junho.
Brasil busca negociações com a Casa Branca
Investidores monitoram as tentativas de negociação comercial do Brasil com os EUA frente à ameaça de tarifar em 50% as exportações brasileiras a partir de sexta-feira (01).
Por que isso é importante: Tarifas dessa magnitude podem prejudicar severamente as exportações brasileiras, visto que os EUA são, atualmente, o segundo maior destinos das exportações nacionais. Isto representaria uma redução na entrada de moeda estrangeira, o que tende a desvalorizar o real.
- Adicionalmente, a decisão eleva a imprevisibilidade e a percepção de riscos para investimentos em ativos brasileiros, o que afasta investimentos estrangeiros e, igualmente, tende a desvalorizar o real.
Panorama: De todas as alíquotas prometidas para 01 de agosto, a maior foi a do Brasil, de 50% sobre seus produtos.
- Desde o anúncio da tarifa, em 09 de julho, o governo brasileiro busca estabelecer canais de comunicação com o governo americano para negociar uma solução que diminua essa alíquota.
- O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou a repórteres que tem mantido contato frequente com o secretário do Comércio americano, Howard Lutnick, e com o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent.
- “O Brasil nunca abandonou a mesa de negociação. Eu acredito que, nesta semana, já há algum sinal de interesse em conversar”, disse o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
- Há uma leitura de que os Estados Unidos desejam punir o Brasil de forma exemplar por conta de suas insatisfações com os processos judiciais contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, o que tem dificultado o acesso à Casa Branca.
Preparando-se para o pior: Diante da dificuldade em negociar com os americanos, o Palácio do Planalto se prepara para a possibilidade de as tarifas entrarem em vigor nesta sexta.
- O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o governo prepara um plano de contingência “com propostas de todo tipo” para suavizar os impactos dessa taxação.
- Ao mesmo tempo, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, tem demonstrado que pretende equiparar qualquer aumento unilateral de tarifas com base na Lei de Reciprocidade Econômica.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




