
Câmbio deve refletir tarifas americanas, inflação nos EUA e decisão de juros do Copom
Cotações (10h30min):
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,62 (+0,6%)
▲ Dollar Index (DXY): ~ 100,1 pontos (+0,2)
O mercado de divisas deve repercutir as alterações anunciadas na véspera referentes à taxação americana sobre a importação de produtos brasileiros. Além disso, os investidores devem repercutir a divulgação dos dados de inflação nos Estados Unidos, bem como a decisão de juros do Banco Central, divulgada após o fechamento dos mercados.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Estatísticas fiscais de junho (BC) – 08h30min.
• Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua de junho (IBGE) – 09h00min.
• Pedidos semanais de auxílio-desemprego (DOL) – 09h30min.
• Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE) dos EUA de junho (BEA) – 09h30min.
• Índice de Gerentes de Compras (PMI) de Chicago (ISM) – 10h45min.
Disputa pela taxa Ptax de fim de mês deve trazer volatilidade para a sessão
Por que isso é importante: Operadores do mercado financeiro intensificam suas operações nos intervalos de formação da última taxa Ptax do mês, o que dificulta a leitura sobre os movimentos do real no dia.
- A taxa Ptax é uma referência divulgada diariamente pelo BC e seu valor de fim de mês é muito utilizado em contratos de câmbio e derivativos.
- O volume de negócios e a volatilidade costumam aumentar durante as janelas de horários utilizadas pelo BC para o cálculo da taxa Ptax de fim de mês, entre as 10h00min e as 13h10min.
Inflação resiliente nos EUA reforça postura cautelosa do Federal Reserve
Medidas de inflação para os Estados Unidos (%)

Fonte: U.S. Bureau of Economic Analysis (BEA), U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS), Federal Reserve Bank of St. Louis. Elaboração: StoneX.
O Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE) dos EUA, referente a junho, apresentou variação mensal de 0,3%, acima do observado em maio das expectativas de analistas.
Em detalhes: Com o avanço de 0,3% do PCE de junho, a alta acumulada em 12 meses passou de 2,3% para 2,4%, permanecendo acima da meta de 2% do Federal Reserve.
- O seu núcleo, que exclui os componentes voláteis de alimentação e energia, saiu em linha com a estimativa mediana, também avançando 0,3% no mês.
- Os componentes de renda e consumo, que refletem a resiliência do mercado consumidor americano, por sua vez, se recuperaram do recuo inesperado do mês anterior, ambos avançando 0,3%.
- Nesse sentido, apesar de sair acima ligeiramente do esperado, a ausência de sinais mais claros de impactos das tarifas nos componentes do índice tende a reforçar a percepção de que a economia americana segue resiliente, o que contribui adicionalmente para um panorama positivo para ativos norte-americanos.
Panorama: Ontem, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, procurou sinalizar que a política monetária americana está bem-posicionada e que não há pressa para voltar a cortar juros.
- Em sua coletiva, Powell procurou sinalizar que a política monetária americana está bem-posicionada e que não há pressa para voltar a cortar juros.
- Ele afirmou que, embora seja possível que as pressões inflacionárias causadas pelas novas tarifas de importação sejam temporárias, ainda não é possível afastar os riscos de uma pressão mais abrangente e persistente.
- Adicionalmente, Powell alertou que os indicadores ainda apontam para um mercado de trabalho saudável e que a inflação está mais distante da meta buscada pelo Fed do que o emprego está de sua meta.
Mudanças na tarifas de importação americanas a produtos brasileiros
Na sessão de ontem, o real registrou forte volatilidade após a Casa Branca confirmar a alíquota de 50% sobre importações do Brasil, inesperadamente prorrogar o início da taxação e isentar uma série de produtos.
Por que isso é importante: As isenções inesperadas tendem a diminuir receios de prejuízos das tarifas aos segmentos exportadores brasileiros, enquanto a prorrogação aumenta as esperanças de uma solução negociada entre os dois países.
- Com isso, ao diminuir a percepção de risco com relação à ativos brasileiros, o real tende a ser favorecido.
Panorama: Ontem, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma Ordem Executiva aumentando a tarifa de importação sobre produtos brasileiros para 50% a partir da próxima quarta-feira (06).
- Ficaram isentos dessa nova tarifa diversos produtos da pauta exportadora brasileira, como suco de laranja, minério de ferro, produtos primários de ferro e aço, fertilizantes, celulose, produtos energéticos e de aviação civil.
- Porém, outros segmentos importantes serão tarifados, como café, carnes e pescado.
- Trump voltou a ressaltar ainda que as ações possuem em partes o intuito de combate o que ele chamou de "caça às bruxas" contra o ex-presidente Jair Bolsonaro,
- Nesse sentido, por mais que tenha suavizado impactos mais amplos à economia brasileira, a imposição de tarifas a certos setores e renovação das tensões políticas devem seguir gerando um ambiente de cautela sobre ativos domésticos.
BC mantém taxa Selic inalterada e indica a sua manutenção por mais reuniões
Ontem, após o fechamento dos mercados, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu por encerrar o seu ciclo de altas para a taxa básica de juros (Selic), que permanece em 15,00% ao ano.
Por que isso é importante: Ao reforçar a perspectiva de manutenção da Selic em patamar elevado por mais tempo, o comunicado tende a elevar projeções de retorno dos títulos públicos brasileiros. Esse movimento, por sua vez, deve favorecer a atratividade dos ativos brasileiros, contribuindo para a valorização do real.
Panorama: Na reunião anterior, em junho, o comitê já havia sinalizado que encerraria o seu ciclo de aperto monetário na decisão de ontem, assim, o foco dos investidores recaiu sobretudo no comunicado divulgado após a decisão, em busca de pistas sobre os próximos passos do BC.
- Em particular, investidores repercutiram a sinalização de que o órgão deve repetir a mesma decisão nos próximos encontros, antevendo a continuidade do patamar por "período bastante prolongado".
- Tal postura, por sua vez, se justifica através da permanência da inflação acima da meta do BC, além da percepção de que mercado de trabalho continua moderadamente aquecido.
- O comunicado enfatizou também que o comitê tem acompanhado "com particular atenção" os anúncios tarifários de Donald Trump, reforçando cautela em um cenário de maior incerteza.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.