
Câmbio deve refletir expectativa de corte de juros nos EUA
Cotações (10h30min):
= Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,42 (0,0%)
= Dollar Index (DXY): ~ 98,3 pontos (+0,2%)
Em dia de agenda fraca, o mercado de divisas deve continuar repercutindo o aumento das apostas por corte de juros pelo Federal Reserve em meio a receios de que as novas tarifas de importação desacelerem a economia e a indicação de Stephen Miran para o restante do mandato de Adriana Kugler no Fed.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Palestra do diretor de Política Econômica do Banco Central, Diogo Guillen – 09h00min.
• Palestra do presidente do Federal Reserve de St. Louis, Alberto Musalem – 11h20min.
• Posição semanal dos agentes de mercado (CFTC) – 16h00min.
Apostas por cortes de juros prejudicam o dólar globalmente
A ausência de direcionadores claros na sessão desta sexta-feira deve manter o foco dos investidores nas expectativas quanto à trajetória dos juros nos Estados Unidos, com um aumento das apostas por cortes de juros no curto prazo.
- Tal percepção, por sua vez, é reflexo da divulgação de dados econômicos mais fracos que o esperado, da entrada em vigor de novas alíquotas de importação pelos EUA e da nomeação de um novo membro temporário para a diretoria do Federal Reserve pelo presidente Donald Trump.
Por que isso é importante: O aumento das apostas de que o Federal Reserve poderá iniciar o ciclo de cortes de juros antes do previsto tem enfraquecido o dólar em âmbito global, especialmente frente a moedas de países com juros mais elevados, como o Brasil.
Panorama: Desde a divulgação do relatório de emprego (Payroll) de julho, na última sexta-feira (01), os investidores passaram a precificar cortes de juros mais rapidamente por parte do banco central americano, diante da percepção de que a autoridade monetária precisará agir para conter os efeitos da desaceleração econômica.
- Ao longo da semana, essa leitura foi reforçada pela entrada em vigor das novas tarifas de importação anunciadas pela Casa Branca, além das ameaças de novas medidas, como a tarifa de 100% sobre chips e semicondutores mencionada na quarta-feira (06).
- Também contribuiu para esse cenário a divulgação do número de pessoas recebendo benefícios após a primeira semana de auxílio-desemprego, um indício de que o ritmo de contratações está desacelerando.
- No final da sessão de ontem, além disso, o anúncio da nomeação de Stephen Miran para a diretoria do Federal Reserve, em substituição a Adriana Kugler, que renunciou na semana passada, favoreceu as apostas de novos cortes. Miran, atual chefe do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca, é visto como alinhado à estratégia econômica do governo Trump.
- Outro elemento que deve ter reforçado o ambiente de incerteza foi o anúncio inesperado, ontem, da agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA que alega que barras de ouro de um quilo e de 100 onças devem ser classificadas sob um código aduaneiro sujeito à tributação.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.