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Abertura de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Dólar deve refletir IPCA, derrubada de MP no Congresso e falas de Powell

Cotações (09h10min):

Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,33 (-0,1%)

Dollar Index (DXY): ~ 99,0 pontos (+0,2%)

O mercado de divisas deve repercutir a derrubada no Congresso da Medida Provisória com alternativas ao aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que geraria a arrecadação de cerca de 17 bilhões às contas públicas. Investidores também avaliam dados de inflação no Brasil em setembro e fala do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell.

Agenda do dia (horário de Brasília):

  • Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro (IBGE) – 09h00min.
  • Palestra do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell – 09h30min.
  • Palestra da vice-presidente de supervisão do Federal Reserve, Michelle Bowman – 09h35min.
  • Palestra da vice-presidente de supervisão do Federal Reserve, Michael Barr – 13h45min.
  • Palestra da presidente do Federal Reserve de Mary Daly – 19h40min.

Receios fiscais no Brasil

 A Câmara dos Deputados retirou de pauta, nesta quarta-feira (8), a Medida Provisória (MP) que substituía a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) por um aumento de alíquotas de outros tributos. Sem aprovação, a medida perde validade automaticamente, inviabilizando a análise pelo Senado.

Por que isso é importante: A derrubada da MP aumenta os temores de que a frustração de arrecadação comprometa o cumprimento das metas de resultado primário previstas pelo arcabouço fiscal. Isto, por sua vez, eleva a percepção de riscos para ativos brasileiros, podendo dificultar a atração de investimentos estrangeiros e enfraquecer o real.

Em detalhes: A medida previa reforço de R$ 10,55 bilhões em 2025 e R$ 20,89 bilhões em 2026 para as contas públicas.

  • Sem esses recursos, a equipe econômica terá de recalcular as projeções de receita no Orçamento de 2025.
  • Lideranças do governo, contudo, afirmaram que o governo dispõe de um “arsenal” de alternativas, possivelmente com o contingenciamento de até R$ 10 bilhões em emendas parlamentares, caso a MP não seja aprovada.

Panorama: O tema fiscal voltou a pesar sobre os ativos brasileiros nesta semana, contribuindo em partes para o enfraquecimento do real observado nas últimas sessões.

  • As preocupações se intensificaram após o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmar que a proposta de tarifa zero no transporte público deve integrar a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026.

 

Inflação no Brasil

O principal indicador a ser divulgado nesta quinta-feira é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro, que avançou 0,48% após uma retração de 0,11% em agosto.

  • Em termos anuais, o índice alcança 5,17%, bem acima da meta de 3%, evidenciando o desafio da estabilização inflacionária do Banco Central.
  • Apesar do avanço mais forte do índice cheio, investidores podem também repercutir o comportamento mais moderado dos preços de serviços e do núcleo do indicador, que exclui os componentes mais voláteis de alimentação e energia.

Por que isso é importante: O avanço do IPCA deve contribuir para a redução das apostas, pelo menos por ora, de possíveis cortes da taxa básica de juros (Selic) no curto prazo. Essa perspectiva, por sua vez, tende a favorecer o rendimento dos títulos brasileiros e o desempenho do real.

  • Por outro lado, a maior moderação dos componentes de serviços e o núcleo da inflação pode elevar apostas de cortes mais cedo do que o esperado nos juros brasileiros, em meio à percepção de maior controle dos preços.

Panorama: O IPCA voltou a subir em setembro após retração de agosto, puxado principalmente pelo forte aumento da energia elétrica (+10,31%).

  • Esse avanço refletiu o fim do bônus de Itaipu, que havia reduzido tarifas em agosto, e a vigência da bandeira tarifária vermelha patamar 2, a mais cara da escala.
  • Em contrapartida, o núcleo da inflação, que exclui itens voláteis como alimentação e energia, desacelerou de 0,34% em agosto para 0,03% em setembro, enquanto os serviços, mais sensíveis à demanda, recuaram de 0,41% para 0,09% no mesmo período.
  • Esses números sugerem que a pressão inflacionária de setembro ficou concentrada em itens pontuais e voláteis, indicando sinais de estabilização.
  • Ainda assim, um único mês de alívio não deve ser suficiente para alterar a postura do Banco Central, que tende a exigir a confirmação dessa tendência por vários meses consecutivos antes de considerar cortes na Selic.

 

Fala de Jerome Powell

Na ausência de indicadores econômicos relevantes no exterior, as declarações de dirigentes do Federal Reserve ao longo do dia devem ganhar protagonismo, podendo influenciar as apostas sobre a condução da política monetária nos Estados Unidos.

  • Em especial, investidores estarão atentos às falas do presidente do Fed, Jerome Powell, em busca de maior clareza sobre a direção da política monetária, após declarações recentes de outros dirigentes apresentarem sinais contraditórios.

Panorama: A última divulgação das Projeções Econômicas Sumarizadas (SEP), em 17 de setembro, aumentou a incerteza sobre os próximos passos do Fed, sobretudo pela forte dispersão das projeções para os juros em 2026 e 2027, sinal de baixa confiança entre os integrantes quanto à evolução da economia no médio prazo.

  • O documento mostrou que 10 dos 19 dirigentes projetavam ao menos dois cortes adicionais ainda este ano, enquanto 7 não previam novas reduções.

 

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.
  • Moedas

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