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Abertura de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Dólar deve refletir recuperação do apetite global por riscos

 

Cotações (09h40min):
Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,47 (-0,9%)
▲ Dollar Index (DXY): ~ 99,3 pontos (+0,4%)


O mercado de divisas deve repercutir a recuperação do apetite global por ativos arriscados após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuar em sua retórica e afirmar que “ficará tudo bem” nas relações comerciais entre EUA e China.


Agenda do dia (horário de Brasília):

  • Boletim Focus semanal (BC) – 08h30min.
  • Palestra da presidente do Federal Reserve de Filadélfia, Anna Paulson – 13h10min.
  • Balança comercial semanal (Secex) – 15h00min.

Bonança após a tempestade

Na sexta-feira (10), a taxa de câmbio do real registrou a maior desvalorização diária desde abril e encerrou acima de R$ 5,50 como reflexo de uma combinação de fatores domésticos e externos desfavoráveis.

  • É comum observar uma reversão de tendência após sessões de variação expressiva, visto que investidores aproveitam os novos patamares para realizar lucros.

 

Por que isso é importante: A possibilidade de realização de lucros e correções técnicas tendem a devolver parte das perdas de sexta e, assim, favorecer o desempenho do real.

 

Aliviando as tensões comerciais: Na sexta-feira, os mercados financeiros globais apresentaram forte aversão a riscos após o presidente dos EUA ameaçar impor sobretaxa de 100% sobre as importações de produtos chineses a partir de 01 de novembro e cancelar um encontro com o presidente chinês, Xi Jinping.

  • Ontem, porém, Trump afirmou em rede social que “tudo vai ficar bem” entre EUA e China, e que nenhum dos dois países quer enfrentar uma “depressão”, suavizando sua retórica.
  • O recuo ajudou a recuperar o apetite por riscos de investidores e incentiva a reversão dos movimentos de sexta.
  • Contudo, vale notar que Trump não afirmou claramente nem que a tarifa de 100% não será aplicada e nem que seu encontro com Xi em 29 de outubro está mantido.

 

Tempestade de sexta-feira

As perdas intensas do real na sexta-feira (10) foram resultado de uma combinação de fatores desfavoráveis para a moeda brasileira.

 

Receios fiscais no Brasil: No cenário nacional, a divulgação de uma reportagem do Estado de São Paulo de que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva preparava um pacote de medidas econômicas orçadas em aproximadamente R$ 100 bilhões para 2026 elevou rapidamente a percepção de riscos fiscais de ativos brasileiros.

  • Entre as iniciativas estariam a ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, a distribuição gratuita de gás de cozinha, a isenção na conta de luz para 17 milhões de famílias e o pagamento de bolsas do programa Pé-de-Meia para estudantes do ensino médio.
  • Embora todos esses programas já tenham sido anunciados anteriormente e constem no projeto orçamentário, investidores demonstraram preocupação de que 2026 seja marcado por uma ampliação das despesas públicas em medidas voltadas a impulsionar a reeleição presidencial, o que prejudicaria a sustentabilidade do endividamento público.

 

Tensões comerciais entre EUA e China: A desvalorização do real se intensificou durante a tarde, após as ameaças de Trump à China, mencionadas acima, gerarem uma forte aversão global a ativos arriscados, como commodities e moedas de economias emergentes.

 

Cessar-fogo em Gaza: Também contribuiu para a desvalorização do real o anúncio de um cessar-fogo entre Israel e Hamas na faixa de Gaza, o que diminuiu as percepções de riscos geopolíticos e reduziu os preços do petróleo nos mercados financeiros globais, um dos principais produtos da pauta exportadora brasileira.

 

Movimentos técnicos: Por fim, a rápida desvalorização do real na sessão de sexta acabou ativando ordens automáticas de negociação para limitar perdas (“stop-loss”), programadas pelos investidores para serem executadas caso a taxa de câmbio ultrapasse determinado valor.

  • Essas ordens automáticas acabaram intensificando o movimento de venda da moeda brasileira, aprofundando suas perdas.

 

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.
  • Moedas

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