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Abertura de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Câmbio deve refletir IPCA, ata do Copom e possível reabertura do governo americano

Cotações (09h10min):
= Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,29 (0,0%)
Dollar Index (DXY): ~ 99,5 pontos (-0,1%)

O mercado de divisas deve repercutir a divulgação dos dados de inflação no Brasil em outubro, bem como a ata da última decisão de juros do Comitê de Política Monetária (Copom), que devem calibrar as expectativas em relação aos próximos passos do Banco Central. Adicionalmente, investidores devem acompanhar novas atualizações sobre o avanço das negociações do orçamento no Congresso americano, que podem encerrar a paralisação do governo dos Estados Unidos.

Agenda do dia (horário de Brasília):

  • Ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) – 08h00min.
  • Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro (IBGE) – 09h00min.
  • Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF) Regional de setembro (IBGE) – 09h00min.

IPCA de outubro

IPCA acumulado em 12 meses segundo agrupamentos selecionados (%)

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Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: StoneX.

No cenário doméstico, os investidores devem repercutir a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de outubro, que apontou alta de 0,09%, após avanço de 0,48% em setembro.

  • O resultado desacelera o aumento acumulado de 12 meses de 5,17% para 4,68% no período, reforçando a percepção de que a inflação vem perdendo fôlego.

 

Por que isso é importante: Ainda que a inflação permaneça acima da meta, a confirmação da tendência de estabilização dos preços deve contribuir para reduzir a percepção de riscos inflacionários.

  • Esse ajuste de expectativas, ainda que com impacto limitado, pode diminuir as projeções de rentabilidade dos títulos domésticos e contribuir para a desvalorização do real.

 

Em detalhes: Com a desaceleração da inflação, o índice atinge 4,68% no acumulado de 12 meses, ainda acima da meta de 3%, mas mais próximo do teto de 4,5% estipulado pelo Banco Central.

  • Esse resultado representaria desaceleração significativa frente ao pico recente de 5,53% registrado em abril de 2025, evidenciando avanço no processo de desinflação.
  • O núcleo do indicador, que exclui os componentes voláteis de alimentação e energia, saiu de 0,03% em setembro para 0,25%, enquanto os serviços, mais sensíveis à demanda, avançaram de 0,09% para 0,39% no mesmo período.
  • Apesar do avanço, vale mencionar que o resultado de setembro foi particularmente mais fraco e que o avanço de outubro ainda é considerado moderado, o que reforça a diminuição dos temores inflacionários no país.

 

Ata do Copom

Além dos novos dados de inflação, investidores repercutem a divulgação da ata da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada na última quarta-feira (5), em que o Comitê optou por manter a taxa básica de juros (Selic) estável em 15% a.a.

 

Por que isso é importante: Embora a ata reitere que o BC manterá a Selic em patamar elevado por “período prolongado”, a sinalização de que o comitê identifica sinais de desaceleração pode antecipar expectativas de cortes já no início de 2026.

  • Isso, por sua vez, pode prejudicar o desempenho de ativos domésticos e penalizar o desempenho do real.

 

Em detalhes: O documento mantém o viés do comunicado divulgado após a decisão da semana passada, o que leva investidores a buscarem mais detalhes sobre as mudanças sutis apresentadas pelo Comitê.

  • A mais importante mudança no comunicado da decisão está relacionada ao reconhecimento de sinais incipientes de desaceleração, conforme trecho: “a inflação cheia e as medidas subjacentes apresentaram algum arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação”.
  • Essa inclusão indica percepção de arrefecimento, embora insuficiente para garantir convergência à meta ou caracterizar uma tendência consolidada.
  • Na ata, o Comitê complementa que a “a inflação de serviços também apresentou algum arrefecimento, mas ainda se mostra mais resiliente, respondendo a um mercado de trabalho que segue dinâmico e a uma atividade que tem apresentado moderação gradual”.
  • Tal reconhecimento foi aprofundado em outro trecho, ao destacar que o Comitê possui “maior convicção de que a taxa corrente é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta”.
  • Essa formulação, por sua vez, demonstra que o Copom considera o atual nível de juros adequado para conter pressões inflacionárias, afastando a necessidade de novas altas e posicionando-se de forma confortável para manter a Selic estável enquanto aguarda sinais mais claros de desinflação.

 

Possível reabertura do governo americano

No cenário externo, os investidores acompanham o avanço das negociações no Congresso dos Estados Unidos para encerrar a mais longa paralisação governamental da história do país.

 

Por que isso é importante: A reabertura do setor público americano permitiria a retomada da coleta e da publicação de estatísticas econômicas, suspensas desde o dia 1º de outubro.

  • Isto, por sua vez, permitiria uma melhor compreensão gradativa da evolução da economia do país, favorecendo o apetite por riscos entre investidores e beneficiando o desempenho de ativos arriscados, como o real.

 

Panorama: O acordo preliminar foi aprovado ontem no Senado por 60 votos a 40, com apoio da maioria dos republicanos e de oito democratas, e pode restabelecer os recursos para as agências federais, cujo orçamento expirou em 1º de outubro.

  • A proposta segue agora para a Câmara dos Representantes, controlada pelos republicanos, onde precisa ser aprovada pela maioria simples dos deputados americanos, o que ainda é incerto, visto algumas sinalizações de resistências entre alas tanto de democratas quanto de republicanos.
  • O acordo prorroga o orçamento anterior até o fim de janeiro em troca da promessa de pautar a votação dos subsídios para a saúde pública americana e o cancelamento das demissões recém-anunciadas de servidores públicos.
  • Mesmo sem uma garantia, o progresso gera um maior otimismo e apetite por riscos entre investidores e favorece o desempenho de ativos arriscados, como o real.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.
  • Moedas

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