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Abertura de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Câmbio deve refletir isenção tarifária a produtos brasileiros e dados de emprego nos EUA

Cotações (09h20min):
Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,38 (+0,8%)
Dollar Index (DXY): ~ 100,3 pontos (+0,2%)

O mercado de divisas deve repercutir a suspensão das tarifas de 40% impostas pelos Estados Unidos sobre diversos produtos agrícolas brasileiros, incluindo café, cortes de carne bovina e frutas. Adicionalmente, investidores nacionais devem reagir, com atraso devido ao feriado no Brasil, a divulgação de ontem de dados de emprego nos EUA.

Agenda do dia (horário de Brasília):

  • Relatório Bimestral de Avaliação de receitas e Despesas do 5º bimestre de 2025 (Governo Federal) – horário não divulgado.
  • Palestra do presidente do Federal Reserve de Nova York, John Williams - 9h30min.
  • Palestra do membro do conselho de Governadores Federal Reserve, Michael S. Barr – 10h30min.
  • Palestra do vice-presidente do Federal Reserve, Philip N. Jefferson – 10h45min.
  • Palestra da presidente do Federal Reserve de Boston, Susan Collins – 11h00min.
  • Prévia dos Índices Gerentes de Compras industrial, de serviços e consolidado dos EUA de novembro (S&P Global) – 11h45min.
  • Índice de confiança do consumidor dos EUA de novembro (UMich) – 11h00min.
  • Posição semanal dos agentes de mercado (CFTC) – 17h30min.

Isenção a produtos brasileiros pelos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quinta-feira (20) um decreto que revoga a sobretaxa de 40% aplicada a diversos produtos agrícolas importados do Brasil.

  • A medida ocorre após a isenção global das chamadas “tarifas recíprocas” anunciada na semana passada, que já havia eliminado a alíquota adicional de 10% sobre esses produtos.
  • Na prática, uma lista grande de itens brasileiros que estavam sujeitos a uma carga tarifária total de 50% passou a ser isentos em menos de uma semana.
  • Segundo a Casa Branca, a suspensão tem efeito retroativo e vale para mercadorias desembarcadas nos EUA a partir de 13 de novembro.

 

Por que isso é importante: A eliminação de parte importante da taxação exclusiva a produtos brasileiros tende a beneficiar as exportações do país, visto que os EUA são, atualmente, o segundo maior destinos das exportações nacionais. Isto representaria um aumento na entrada de moeda estrangeira, o que tende a favorecer o real.

  • Adicionalmente, a decisão diminui a imprevisibilidade e a percepção de riscos para investimentos em ativos brasileiros, o que atrai investimentos estrangeiros e, igualmente, tende a valorizar o real.

 

Panorama: Os anúncios de isenções para produtos agrícolas ocorrem em um momento em que a Casa Branca intensifica medidas voltadas à redução do custo de vida, diante do crescente descontentamento dos eleitores americanos com a economia, especialmente em relação à inflação.

  • Na semana passada, o governo americano já havia anunciado a suspensão das tarifas recíprocas sobre esses produtos. No entanto, a manutenção da taxação exclusiva de 40% sobre itens brasileiros acabou desfavorecendo o Brasil nesse movimento de desoneração.
  • Segundo reportagens, na primeira conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o tema, realizada no início de outubro, o presidente americano reconheceu que os EUA estavam “sentindo falta” de alguns produtos brasileiros afetados pelas tarifas, citando especificamente o café.

 

Dados de emprego nos EUA

Investidores também podem repercutir com atraso, devido ao feriado no Brasil ontem, a divulgação do Relatório de Situação do Emprego (“payroll”) de setembro nos Estados Unidos.

  • O dado, originalmente previsto para 3 de outubro, foi adiado por mais de um mês em razão da paralisação do governo americano, que interrompeu as coletas e divulgações de estatísticas oficiais por cerca de seis semanas.
  • O indicador apontou uma recuperação expressiva na criação de vagas, passando de -4 mil em agosto para 119 mil em setembro.
  • Por outro lado, a taxa de desemprego do país atingiu seu maior nível em quatro anos, indo de 4,3% para 4,4%, o que mantém as preocupações sobre o mercado de trabalho, apesar da melhora na geração de empregos.

 

Por que isso é importante: A retomada na criação de vagas no setor privado reforça a percepção de que a economia americana esteve mais resiliente do que o esperado em setembro, reduzindo apostas em cortes rápidos de juros pelo Federal Reserve. Isso, por sua vez, tende a sustentar os rendimentos dos títulos do Tesouro americano e fortalecer o dólar globalmente.

  • A alta na taxa de desemprego, por outro lado, tende a limitar esses efeitos sobre o dólar ao mostrar uma piora no mercado de trabalho americano.

 

Panorama: Diante dos resultados mistos, as interpretações se dividem entre analistas que veem a alta do desemprego como argumento para um novo corte de juros pelo Fed no próximo mês e aqueles que defendem manutenção da taxa, dado o crescimento acima do esperado nas ocupações e a ausência de outro relatório antes da reunião de 9 e 10 de dezembro.

  • O Departamento de Estatísticas Trabalhistas (BLS) informou que parte do payroll de outubro não será divulgada devido à paralisação das atividades durante o “shutdown” do governo.
  • Especificamente, a pesquisa domiciliar do relatório não pode ser feita retroativamente, pois envolve cerca de 60 mil ligações telefônicas ao longo de um mês para coletar informações sobre a situação das pessoas no mercado de trabalho.

 

Novos dados americanos: Adicionalmente, investidores também permanecem à espera de novos dados sobre a economia americana, com destaque ao índice de confiança do consumidor de novembro, divulgado pela Universidade de Michigan (UMich)

  • O indicador é considerado um termômetro importante das condições atuais da economia americana e, por isso, pode antecipar tendências de outros indicadores.

 

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.
  • Moedas

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