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Abertura de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Câmbio deve refletir IPCA no Brasil e decisões de política monetária da “super-quarta”

Cotações (09h15min):
▼Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,42 (-0,1%)
▼ Dollar Index (DXY): ~ 99,1 pontos (-0,1%)

Em dia de agenda cheia, o mercado de divisas deve repercutir a expectativa pelas decisões de política monetária dos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos, diante das apostas majoritárias de que o Federal Reserve realize um novo corte de juros e de que o Banco Central mantenha a taxa básica de juros brasileira inalterada. Adicionalmente, investidores devem repercutir a divulgação de dados de inflação e notícias de âmbito político no Brasil.

Agenda do dia (horário de Brasília):

  • Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de novembro (IBGE) – 09h00min.
  • Pesquisas Trimestrais do Abate de Animais e Produção de Leite, Couro e Ovos e Galinhas no terceiro trimestre de 2025 (IBGE) – 09h00min.
  • Fluxo cambial semanal (BC) – 14h30min.
  • Decisão de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) – 16h00min.
  • Projeções Econômicas Sumarizadas do Federal Reserve - 16h00min.
  • Palestra do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell – 16h30min.
  • Decisão de juros do Comitê de Política Monetária (Copom) – 18h30min.

Decisão de juros do FOMC

Apostas para a decisão de juros do Federal Reserve de 10 de dezembro

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Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX.   Probabilidades no mercado futuro de juros com referência a 05 de dezembro de 2025.

Em sessão de agenda cheia, o foco principal dos mercados globais deve recair sobre a expectativa ao redor da decisão de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed), em que há uma expectativa majoritária por uma redução da taxa de juros da faixa entre 3,75% e 3,50% para a faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano.

 

Por que isso é importante: A redução dos juros americanos deve prejudicar a rentabilidade dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) e dificultar a atração de capital externo, enfraquecendo o dólar globalmente.

 

Cenário contraditório: Apesar de investidores apostarem majoritariamente em um corte de juros, essa decisão ainda parece indefinida e de difícil antecipação.

  • As estatísticas para a economia americana seguem apresentando um cenário contraditório, com alguns indicadores sugerindo um desempenho mais vigoroso e outros sugerindo um desempenho mais fraco que o esperado.
  • De fato, é possível justificar tanto uma redução quanto uma manutenção do nível de juros, dependendo de quais indicadores se atribuir maior importância.
  • Adicionalmente, há elevado grau de divergência entre os membros do Comitê quanto à conduta mais apropriada para a política monetária, com parte defendendo um nível de juros mais elevado para contribuir na estabilização da inflação e outros defendendo redução dos juros para estimular a sustentação do mercado de trabalho.
  • Por isso, o cenário mais provável para a decisão é que o órgão reduza os juros, mas sinalize uma possível pausa nas reduções para as próximas reuniões.

 

Projeções: Além da decisão do Comitê, investidores devem reagir à divulgação das Projeções Econômicas Sumarizadas que acompanham esta decisão.

  • Divulgadas a cada trimestre, essas projeções trazem estimativas de todos os integrantes do FOMC para crescimento econômico, desemprego, inflação e taxa de juros nos EUA para os próximos anos.
  • Nas Projeções divulgadas em setembro, houve elevado grau de dispersão nas expectativas para os juros em 2026 e 2027, evidenciando o baixo grau de confiança entre os integrantes quanto à evolução da economia nos próximos anos.

Decisão de juros do Copom

Brasil: Histórico e expectativa para a taxa de juros – boletim Focus de 05 de dezembrode 2025

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Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: StoneX.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) deve manter inalterada a taxa básica de juros (Selic) na decisão desta quarta-feira (10), em 15,00% ao ano, e sinalizar a possibilidade de cortes de juros nos próximos meses.

 

Por que isso é importante: A possível sinalização de um início de cortes de juros no Brasil pode reduzir o rendimento dos títulos domésticos, dificultando a atração de capitais externos e desvalorizando o real frente ao dólar.

 

Panorama: Há praticamente consenso de que o Copom manterá a taxa Selic inalterada em 15,00% a.a. pela quarta decisão consecutiva nesta quarta (10), refletindo uma estratégia cautelosa do BC para estabilizar os preços em um contexto de expectativas inflacionárias elevadas, mercado de trabalho aquecido e atividade econômica resiliente.

  • Por haver praticamente consenso quanto à decisão, investidores estarão atentos ao seu comunicado, especialmente quanto à possível retirada da expressão que indica manutenção da Selic por “período bastante prolongado”, o que seria interpretado como um passo em direção ao corte de juros.
  • Com a inflação convergindo gradualmente para a meta de 3% anuais e o PIB do terceiro trimestre mostrando desaceleração, o balanço de riscos do Copom parece cada vez mais compatível com cortes de juros no curto prazo.
  • As apostas majoritárias de investidores indicam que a primeira redução deve ocorrer na reunião de março, embora o tom do comunicado desta semana deva ser importante para calibrar essas expectativas.

 

Falas de Galípolo: Na última segunda-feira (01), o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, chamou a atenção ao afirmar que a expressão “período bastante prolongado” não é reiniciada a cada reunião, sugerindo que esse período se inicia em junho, quando a Selic foi elevada para 15%,00 a.a.

  • Investidores interpretaram essa fala como uma sinalização de maior proximidade do início do ciclo de cortes.
  • Por outro lado, Galípolo também reforçou que o Copom manterá uma postura cautelosa e dependente da evolução dos dados.

 

IPCA de novembro

Ainda no cenário doméstico, os investidores devem repercutir a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de novembro, que apontou alta de 0,20%, após avanço de 0,09% em outubro.

  • Apesar da aceleração mensal, o resultado desacelera o aumento acumulado de 12 meses de 4,68% para 4,46% no período, reforçando a percepção de que a inflação vem perdendo fôlego.

 

Por que isso é importante: A confirmação da tendência de estabilização dos preços deve contribuir para reduzir a percepção de riscos inflacionários, o que, por sua vez, pode diminuir as projeções de rentabilidade dos títulos domésticos e contribuir para a desvalorização do real.

 

Em detalhes: Com a desaceleração da inflação, o índice atinge 4,46% no acumulado de 12 meses, ainda acima da meta de 3%, mas abaixo do teto de 4,5% estipulado pelo Banco Central.

  • Esse resultado representa desaceleração significativa frente ao pico recente de 5,53% registrado em abril de 2025, evidenciando avanço no processo de desinflação.
  • O núcleo do indicador, que exclui os componentes voláteis de alimentação e energia, saiu de 0,25% em outubro para 0,23%, enquanto os serviços, mais sensíveis à demanda, avançaram de 0,39% para 0,56% no mesmo período.
  • A aceleração dos serviços foi impactada principalmente pelo forte avanço dos preços de passagens aéreas.

 

Eleições de 2026 em foco

Por fim, vale mencionar que investidores podem reagir à aprovação do Projeto de Lei da Dosimetria pela Câmara dos Deputados na noite de ontem (09).

  • A aprovação do projeto pode representar um primeiro passo para um acordo entre partidos do Centro e da Direita para substituir a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República pela de Tarcísio de Freitas, tido como uma opção mais competitiva contra a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.

 

Por que isso é importante: Investidores se mostram cada vez mais sensíveis à aproximação das eleições presidenciais de outubro, reagindo com intensidade a notícias sobre o pleito.

  • Em particular, a possibilidade de que substituição do governo atual nas próximas eleições aumenta as esperanças de uma gestão fiscal mais conservadoras nos próximos quatro anos, o que diminui a percepção de riscos fiscais de ativos brasileiros e favorece a atração de capital estrangeiro, fortalecendo o real.

 

Panorama: Na tarde da última sexta-feira (05), a divulgação de que o ex-presidente Jair Bolsonaro havia escolhido seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, como candidato à Presidência da República em 2026 foi mal-recebida pelo mercado financeiro.

  • Investidores entendem que a escolha de Flávio como o candidato do PL à Presidência da República aumentaria as chances de reeleição de Lula, associado a políticas fiscais mais expansionistas.
  • Isto, por sua vez, decorre tanto da interpretação de que Flávio seria menos competitivo que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como por entenderem que sua candidatura aumenta a possibilidade de que exista mais de um candidato na eleição representando o legado de Bolsonaro, dividindo os votos da direita.

 

“Preço” pela desistência: Porém, em entrevista neste domingo (07), Flávio afirmou que poderia desistir de sua candidatura por “um preço”, que incluiria uma anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 08 de janeiro, incluído o ex-presidente Jair Bolsonaro.

  • O projeto, que reduz as penas dos condenados pelos atos golpistas de 08 de janeiro, incluindo o ex-presidente, segue agora para apreciação do Senado Federal.
  • Embora não seja uma anistia, investidores entendem que a aprovação do projeto representa um primeiro passo para a desistência da candidatura de Flávio, o que aumenta as chances de

 

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

image 123786Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.
  • Moedas

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

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