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Abertura de Câmbio

By: Leonardo Rossetti, Market Intelligence Analyst

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Câmbio deve repercutir indicadores econômicos dos EUA e alívio das tensões geopolíticas globais

Cotações (09h10min):
= Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,32 (0,0%)
Dollar Index (DXY): ~ 98,67 pontos (-0,1%)

Em dia de importantes indicadores econômicos nos EUA, o mercado de divisas deve repercutir suas divulgações. Além disso, desdobramentos do encontro de líderes em Davos podem trazer alívio das tensões geopolíticas globais.

Agenda do dia (horário de Brasília):

  • Leitura final do Produto Interno Bruto (PIB) americano do 2º trimestre (BEA) – 10h30min.
  • Pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA (DOL) – 10h30min.
  • Índice de Preços da Despesas de Consumo Pessoal (PCE) dos EUA de novembro (PCE) – 12h00min.
  • Índice regional do setor de manufatura de janeiro (Fed de Kansas City) – 13h00min.

Alívio das tensões geopolíticas globais

Nas primeiras operações desta quinta-feira, os mercados financeiros globais mostravam um movimento generalizada de apetite por risco, após declarações mais moderadas realizadas ontem pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

  • Em Davos, durante o Fórum Econômico Mundial, Trump afirmou que descartou a ideia de tomar a Groenlândia à força e retirou suas ameaças de tarifas contra oito países europeus.
  • Depois, o presidente americano disse que o país formou a “estrutura de um futuro acordo” em relação ao território dinamarquês.

 

Por que isso é importante: A diminuição das tensões geopolíticas tende a elevar o apetite global por risco, o que tende a favorecer ativos considerados arriscados, como ações, commodities e moedas de mercados emergentes, como o real.

  • Ao mesmo tempo, contudo, o recuo por parte do Casa Branca também pode abrir algum espaço para recuperação do dólar ao longo do dia, após diversas sessões de enfraquecimento da moeda, o que pode limitar possíveis ganhos do real.

 

Dados americanos

Investidores estarão atentos à divulgação de importantes indicadores sobre a economia dos Estados Unidos enquanto tentam calibrar suas expectativas com relação à trajetória dos juros no país.

  • Em destaque, estão a leitura final do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre de 2025 e o Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) de novembro.
  • As projeções indicam que o PIB deve reforçar o bom desempenho observado em sua estimativa preliminar e que o PCE manterá a inflação em patamar superior à meta de 2% ao ano perseguida pelo Federal Reserve.

 

Por que isso é importante: Caso as estimativas se confirmem, os dados devem reforçar a percepção de que não há urgência para novos cortes no país, o que pode sustentar uma postura mais cautelosa dos membros do Federal Reserve.

  • Esse cenário, por sua vez, tende a manter os rendimentos dos Treasuries elevados, favorecendo a entrada de capital externo e fortalecendo o dólar globalmente.

 

PIB: Na primeira leitura do PIB de julho a setembro, o resultado mostrou uma economia bastante aquecida, com um crescimento de 4,3% (taxa anualizada), contra expectativas medianas de 3,3%.

  • Esse desempenho refletiu principalmente o avanço do consumo das famílias, das exportações e dos gastos do governo, parcialmente compensado por retração do investimento privado.
  • A expectativa predominante é de que a leitura final confirme esse resultado expressivo, reforçando o diagnóstico de uma economia ainda significativamente aquecida no terceiro trimestre.
  • Analistas avaliam que o crescimento no quarto trimestre de 2025 e ao longo de 2026 deve permanecer positivo, embora em ritmo mais moderado do que o observado no terceiro trimestre.
  • Vale destacar que a divulgação de hoje corresponde à leitura final do PIB do terceiro trimestre, havendo apenas duas estimativas neste ciclo em função da paralisação de 43 dias do governo federal. Em condições normais, o Bureau of Economic Analysis (BEA) publica três leituras para cada trimestre.

 

PCE: As estimativas medianas para o Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) de novembro nos EUA apontam avanço de 2,8% anualizado tanto no índice cheio quanto no núcleo, que exclui alimentação e energia.

  • Esse número manteria o mesmo ritmo da variação anterior, sinalizando que a pressão inflacionária permanece consistente, ainda que tenha desacelerado ao longo do ano.
  • O PCE é a métrica inflacionária preferida pelo Federal Reserve por refletir melhor os padrões de consumo das famílias.
  • A taxa anualizada próxima a 3% indica que a inflação segue acima da meta de 2%, o que pode reduzir as apostas por cortes adicionais de juros nas próximas reuniões do FOMC, reforçando a postura cautelosa da autoridade monetária.

 

Pedidos semanais de auxílio desemprego: Nesta quinta-feira, o mercado de divisas também deve repercutir os dados do mercado de trabalho americano.

  • As estimativas apontam para 209 mil novos pedidos, ante 198 mil na semana anterior.
  • Os números das últimas quatro semanas foram abaixo das estimativas, indicando uma resiliência do mercado de trabalho acima do esperado pelos investidores, o que também reforça a probabilidade de uma abordagem mais cautelosa por parte do Federal Reserve em relação a novos cortes de juros.

 

Expectativa pela decisão do Fed: A maior parte das apostas do mercado para a próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), que será realizada nos dias 27 e 28 de janeiro, são de uma manutenção dos juros, no intervalo entre 3,5% e 3,75% a.a., não dando prosseguimento aos cortes recentes, com o Fed adotando uma postura mais cautelosa.

  • Na reunião de dezembro, o Comitê registrou três votos contrários ao corte, o que não ocorria desde setembro de 2019, já sinalizando uma postura mais cautelosa.
  • Além dos dados recentes continuarem indicando uma economia bastante aquecida e uma inflação resiliente, as projeções para 2026 e 2027 mostram muita dispersão, segundo as Projeções Econômicas Sumarizadas, divulgadas junto à decisão de dezembro. Alguns indicadores sugerem uma economia mais fortalecida enquanto outros apontam na direção contrária.


TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

image 125511Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.
  • Moedas

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