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Abertura de Câmbio

By: Leonardo Rossetti, Market Intelligence Analyst

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Dólar se fortalece após nomeação de Warsh à presidência do Federal Reserve

Cotações (10h00min):
= Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,24 (0,0%)
Dollar Index (DXY): ~ 97,2 pontos (+0,2%)

O câmbio deve continuar a repercutir, na manhã desta segunda-feira (2), o movimento de realização de lucros nos mercados de metais preciosos iniciado na sexta-feira. Após recuarem quase 10% e 30% na semana passada, ouro e prata, respectivamente, prolongavam a queda na manhã de hoje, repercutindo o otimismo dos investidores com a nomeação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve. A indicação do sucessor de Powell é acompanhada da expectativa de uma postura mais restritiva da autoridade monetária americana, contribuindo para o fortalecimento do dólar globalmente.

Agenda do dia (horário de Brasília):

  • Boletim Focus semanal (BC) – 08h25min.
  • Índice Gerente de Compras (PMI) industrial do Brasil de janeiro (S&P Global) – 10h00min.
  • Índice Gerente de Compras (PMI) industrial dos EUA de janeiro (S&P Global) – 11h45min.
  • Índice Gerente de Compras (PMI) industrial dos EUA de janeiro (ISM) – 12h00min.
  • Palestra do presidente do Federal Reserve de Atlanta, Raphael Bostic – 14h30min.

 

Sucessão no Fed

A indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve continuava a contribuir para o fortalecimento do dólar globalmente. Na semana passada, após operar em suas mínimas desde 2022, na faixa dos 95 pontos, o dollar index voltou a avançar na sexta-feira com a expectativa de que o próximo presidente da autoridade monetária manterá uma postura mais conservadora em relação à inflação. Nesta manhã, o dólar avançava cerca de 0,2% em relação a uma cesta de outras divisas, retornando ao patamar dos 97 pontos.

  • Os embates entre o presidente Donald Trump e Jerome Powell, ao longo de 2025 e intensificadas no início deste ano, acentuaram temores no mercado de interferência política no Federal Reserve. Na visão da Casa Branca, a postura adotada pela gestão atual da autoridade monetária é restritiva demais, prejudicando o potencial de crescimento da economia americana.
  • A independência do Fed, sua capacidade de definir de maneira técnica a taxa de juros e o uso de outros instrumentos monetários para garantir a estabilidade de preços e o pleno emprego, é um dos pilares do sistema financeiro global atual. As tentativas de alterar o quadro de diretores do Fed, como a demissão de Lisa Cook e a abertura de investigação contra Powell, favoreceram a busca por segurança e alimentaram o rali dos metais preciosos por meio de um movimento de redução da exposição de portfólios a ativos e à moeda americana.
  • Com a indicação de Kevin Warsh, parte desses receios se atenuou, diante de seu histórico mais hawkish (contracionista) quando integrou o Comitê de Diretores do Federal Reserve entre 2006 e 2011. Durante a Crise Financeira de 2008, Warsh se mostrava mais preocupado com os riscos inflacionários do que com os efeitos da recessão sobre o mercado de trabalho e o nível de preços.
  • Em entrevistas recentes, no entanto, Warsh afirmou que os ganhos de produtividade com Inteligência Artificial criam condições para um crescimento econômico mais dinâmico e com chances menores de uma aceleração inflacionária, abrindo espaço para cortes de juros. Caso o futuro presidente do Fed adote uma postura mais dovish (expansionista) do que o esperado, o movimento de enfraquecimento do dólar pode ser retomado, transbordando para outros mercados como os metais preciosos.

 

Diminuição das tensões no Oriente Médio

Nesta manhã, além da queda nos preços dos metais preciosos, os contratos futuros de petróleo também operavam em forte baixa, repercutindo a notícia de que autoridades iranianas estariam “conversando seriamente” com a Casa Branca sobre os termos para a retomada de negociações em torno de um acordo nuclear.

Por que isso é importante: A sinalização de redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio tende a diminuir a demanda por ativos considerados "porto-seguro", como o ouro e moedas de países desenvolvidos, o que poderia favorecer, em princípio, moedas de economias emergentes, como o real.

  • Ao mesmo tempo, contudo, a queda dos preços globais do petróleo tende a gerar pressão negativa sobre moedas de países exportadores da commodity, caso do Brasil, o que pode limitar esse potencial efeito positivo.

Panorama: Nas últimas semanas, o mercado observou uma intensificação dos riscos na região do Oriente Médio, com foco principalmente no Irã.

  • O país já foi alvo de uma ação militar pontual dos Estados Unidos em junho do ano passado que buscava desestruturar o programa nuclear iraniano. Desde então, o país persa viu a sua política interna efeverscendo-se, com protestos populares sendo acompanhados de uma repressão violenta pelo regime dos Aiatolás, deixando milhares de mortos.
  • Desde a intervenção militar americana do ano passado, o Irã deixou de ser transparente com dados relacionados a estoques de urânio enriquecido, o que ampliou os temores de um retorno do desenvolvimento acelerado do programa nuclear do país
  • Nesse cenário, o presidente americano, Donald Trump, tem usado de ameaças militares para pressionar Teerã pela assinatura de um novo acordo nuclear.
  • Na semana passada, Trump confirmou o envio de aviões militares a bases americanas no Oriente Médio, o que foi entendido como uma preparação a possíveis novas intervenções.


TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

image 125959Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.
  • Moedas

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