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Abertura de Câmbio

By: Leonardo Rossetti, Market Intelligence Analyst

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Mercado acompanha escalada da guerra no Irã e posicionamento de bancos centrais globais

Cotações (09h40min):
Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,22 (-0,2%)
Dollar Index (DXY): ~100,3 pontos (+0,1%)

Nesta segunda-feira, os mercados financeiros globais seguem altamente sensíveis a novos desdobramentos do conflito no Oriente Médio, com os contratos futuros do petróleo Brent iniciando o dia em nova alta. Esse ambiente continua a favorecer o desempenho do dólar, à medida que investidores buscam ativos com maior liquidez e características de proteção. Paralelamente, os agentes avaliarão falas de autoridades monetárias, buscando sinalizações sobre impactos inflacionários e nos juros globais, enquanto aguardam a divulgação de dados relevantes ao longo da semana.

Agenda do dia (horário de Brasília):

  • Boletim Focus semanal (BC) – 08h25min.
  • Estatísticas monetária e de crédito de fevereiro (BC) – 08h30min.
  • Palestra do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo– 09h00min.
  • Resultado Primário do Governo Central de fevereiro (STN) – 14h30min.
  • Palestra do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell – 11h30min.
  • Palestra do presidente do Federal Reserve de Nova Iorque, John Williams – 17h00min.

Escalada dos riscos geopolíticos no Oriente Médio

No último sábado (28), a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã completou um mês. Sem perspectiva de uma resolução rápida, o conflito ganhou novos contornos com a entrada dos rebeldes Houthi do Iêmen e devido à possibilidade de interrupção de mais uma via essencial para a navegação mundial. Apoiados pelo Irã, o grupo tem o controle efetivo da costa do Iêmen no Mar Vermelho, e poderia atacar embarcações e interromper a via de acesso que conecta a região ao Canal de Suez e ao Mar Mediterrâneo.

  • Durante a guerra em Gaza, os Houthi já haviam usado da posição estratégica para fechar o estreito de Bab al-Mandeb. A ação elevou significativamente os custos do transporte marítimo, exigindo o desvio de rotas para evitar a região - ampliando as distâncias, o tempo de navegação, o custo com seguros e o consumo de combustíveis.
  • As grandes petroleiras e companhias de transporte marítimos interromperam suas operações pelo Mar Vermelho em vista dos riscos de ataques. Desde o início de dezembro de 2025, o uso de drones e mísseis pelos Houthi contra embarcações tem sido quase diário.

 

Por que isso é importante: A interrupção do estreito de Ormuz e de Bab al-Mandeb acentuam a percepção de risco e o cenário de disrupção no logística global de petróleo. Os preços do Brent voltaram a avançar na manhã desta segunda-feira, superando os US$ 115/barril e caminhando para registrar alta mensal de cerca de 60%.

  • A entrada do grupo Houthi reforça a posição iraniana na guerra e torna menos provável a possibilidade de um cessar-fogo.
  • Durante o final de semana, o presidente do Parlamento do Irã, Mohamed Bagher Ghalibaf acusou os EUA de prepararem um ataque terrestre contra o Irã, enquanto “sinalizam negociação em público”. O governo americano afirma que as negociações com o Irã por meio de emissários do Paquistão têm progredido bem.
  • Nesta segunda, o presidente Donald Trump anunciou por meio de rede social que os EUA estão em “sérias discussões” com um “novo” regime iraniano. Ele também renovou as ameaças por uma reabertura imediata do estreito de Ormuz, caso contrário “todas as suas usinas geradoras de eletricidade, poços de petróleo e a ilha Kharg (e possivelmente todas as plantas de dessalinização)” serão “completamente obliteradas”.

 

Juros globais mais elevados e falas de autoridades econômicas

Os impactos do encarecimento dos combustíveis seguem gerando grande incerteza para os principais bancos centrais globais. Esse cenário, por sua vez, amplia a sensibilidade dos ativos a falas de autoridades monetárias.

  • Hoje, serão acompanhadas com atenção declarações de dirigentes, com destaque para falas dos presidentes dos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos.
  • Em segundo plano, a possibilidade de efeitos inflacionários mais intensos em economias centrais altamente dependentes da importação de combustíveis, como Japão e União Europeia, também mantém essas regiões no radar.

 

Por que isso é importante: A perspectiva de juros mais elevados nas economias centrais tende a aumentar a atratividade dos títulos soberanos desses países. Esse movimento, por sua vez, pode reduzir os fluxos de capital destinados a economias emergentes, incluindo o Brasil, o que pode exercer pressão negativa sobre o real.

 

Estados Unidos: Nos Estados Unidos, o foco dos mercados recai sobre as falas do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, que participa nesta segunda-feira de um evento acadêmico na Universidade de Harvard.

  • Investidores buscarão sinais sobre a avaliação do dirigente diante do dilema entre conter a inflação e evitar uma desaceleração mais intensa da atividade e do mercado de trabalho
  • Na semana passada, o vice-presidente do Fed, Philip Jefferson, afirmou que a política monetária americana se encontra atualmente próxima de uma posição neutra, o que permitiria ao Comitê observar os dados antes de ajustes adicionais.
  • Nesse contexto, os dados de emprego divulgados nesta semana serão decisivos para a avaliação do Fed, com especial atenção ao relatório de "Payroll" de março.

 

Brasil: No Brasil, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também participa de evento nesta segunda-feira.

  • No comunicado mais recente, divulgado após a decisão de política monetária, o Copom voltou a destacar o ambiente externo incerto, reforçando a necessidade de serenidade e cautela na condução dos juros, especialmente diante da maior volatilidade dos preços de ativos e commodities.

 

União Europeia: Na Europa, o euro caminha para sua pior performance mensal desde julho de 2025.

  • Parte relevante das preocupações decorre da elevada dependência da região de importações de combustíveis do Oriente Médio, especialmente após a redução significativa do fornecimento energético da Rússia desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022.
  • Ao mesmo tempo, o recrudescimento das pressões inflacionárias levou os mercados a reprecificar as expectativas para a política monetária do Banco Central Europeu. Atualmente, investidores precificam altas de juros até o fim do ano, revertendo o cenário anterior ao conflito, no qual havia mais de 50% de probabilidade de cortes.
  • Analistas avaliam que o euro teria se depreciado de forma ainda mais acentuada frente ao dólar caso o mercado não antecipasse uma postura mais ativa do BCE.

 

Japão: O iene japonês registrou valorização no mercado asiático nesta segunda-feira, após várias jornadas consecutivas de enfraquecimento frente ao dólar.

  • A reversão ocorreu em meio ao aumento das sinalizações do governo japonês sobre uma possível intervenção cambial, além da indicação de que novas quedas da moeda poderiam justificar um aumento de juros em um horizonte mais curto.
  • Em março, o iene acumulou desvalorização superior a 2%, pressionado pelas preocupações com a alta dos preços do petróleo.
  • Rumores de intervenção no mercado de câmbio tendem a elevar a volatilidade nos ativos financeiros, mantendo os investidores atentos a qualquer confirmação oficial desse movimento.

 

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

image 129035Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.
  • Moedas

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