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Abertura de Câmbio

By: Leonardo Rossetti, Market Intelligence Analyst

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Investidores aguardam dados econômicos americanos, com conflito no Oriente Médio ainda pesando sobre sentimento de risco

Cotações (09h35min):
Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,23 (-0,3%)
Dollar Index (DXY): ~100,2 pontos (-0,3%)

O mercado de divisas permanece altamente sensível a novas atualizações sobre o conflito no Oriente Médio nesta terça-feira, em meio a sinalizações contraditórias do governo americano a respeito de uma intensificação ou recuo das operações militares na região. Nesta manhã, tanto os contratos futuros do petróleo quanto o dólar apresentavam correção no mercado internacional, ainda que permaneçam em níveis elevados, refletindo a manutenção de um elevado prêmio de risco associado ao conflito. Na agenda de indicadores econômicos, o destaque da sessão recai sobre dados do mercado de trabalho e de confiança do consumidor nos Estados Unidos, que podem ajudar os investidores a calibrarem suas expectativas para a condução da política monetária do Federal Reserve.

Agenda do dia (horário de Brasília):

  • Índice de preços ao consumidor (CPI) da Zona do Euro de março (Eurostat) – 06h00min.
  • Estatísticas fiscais de fevereiro (BC) – 08h30min.
  • Índice de Preços ao Produtor (IPP) de fevereiro (IBGE) – 9h00min.
  • Índice Gerente de Compras (PMI) de Chicago de março (ISM) – 11h45min.
  • Pesquisa de abertura de vagas e turnovers (JOLTS) americana de fevereiro (BLS) – 11h00min.
  • Confiança do consumidor americano de março (Conference Board) – 11h00min.
  • Palestra do presidente do Federal Reserve de Chicago, Austan Goolsbee – 13h00min.
  • Evolução Mensal do Emprego de fevereiro (CAGED) – 14h30min.
  • Palestra do vice-presidente de Supervisão do Federal Reserve, Michael S. Barr – 16h00min.
  • Palestra da vice-presidente de Supervisão do Federal Reserve, Michelle Bowman – 18h10min.

Ataque a navio petroleiro em Dubai e atualizações do conflito no Oriente Médio

O estreito de Ormuz voltou a ser manchete nesta terça-feira (31), após ataque iraniano a uma embarcação próxima à costa de Dubai. A ação contra o navio tanque Al-Salmi, de propriedade da Kuwait Petroleum Corp e com uma carga de aproximadamente 2 milhões de barris de petróleo, contribuiu para um repique do Brent, levando a tela de junho a superar os US$ 110/barril.

As cotações internacionais do óleo bruto caminham para encerrar março em sua alta mensal mais acentuada desde o lançamento do contrato futuro do Brent em 1988. Ao mesmo tempo, os mercados acionários na Europa e na Ásia, regiões mais vulneráveis ao choque de oferta de energia, registram suas perdas mais significativas desde 2022.     

  • O presidente americano Donald Trump tem demonstrado ressentimento em relação aos líderes de países europeus, em vista da não participação de outros membros da OTAN na guerra e da negativa em enviar navios militares para o estreito de Ormuz.
  • “Vocês terão que começar a aprender a lutar por si próprios, os EUA não estarão mais lá pra ajudá-los, assim como não estiveram lá para nos ajudar.” afirmou Trump em publicação nas redes sociais.
  • Segundo fontes da imprensa, o presidente americano teria comentado com seus assessores que poderia encerrar a campanha militar contra o Irã, mesmo que o estreito de Ormuz permaneça em grande parte fechado. Uma operação para forçar a abertura provavelmente estenderia o conflito para além das quatro a seis semanas que Washington tem definido como cronograma para o conflito.
  • A estratégia americana na guerra estaria voltada a enfraquecer a marinha e esvaziar os estoques de mísseis iranianos para arrefecer os ataques e poder pressionar Teerã a liberar o fluxo de embarcações no estreito de Ormuz.
  • O plano B de Washington seria pressionar seus aliados europeus a liderar a reabertura do estreito, de acordo com oficiais americanos, além de outras opções militares que ainda não são consideradas como prioritárias. Para Trump, o estreito de Ormuz seria um problema para outras nações resolverem, entendendo que sua importância para a economia dos EUA é pequena.

 

Porque isso é importante: O prolongamento da obstrução em Ormuz é danoso para a economia mundial, mantendo o atual choque de oferta de petróleo em vigor, alimentando a inflação de combustíveis e energia e seus desdobramentos para custos e preços de maneira geral.

  • Os mercados de fertilizantes e hélio, necessário para a produção de chips, também têm sido desabastecidos pelo estrangulamento da via marítima, agregando impactos sobre o setor de alimentos e uma ampla cadeia de equipamentos eletrônicos.
  • A desestabilização macroeconômica advinda desses distúrbios de oferta não pode ser facilmente corrigida por meio de instrumentos tradicionais de política econômica, e a intensidade de seus reflexos nas perspectivas de crescimento global deve ser diretamente proporcional à duração da crise atual.
         

Mercado de trabalho nos EUA

Nesta terça-feira (31), os investidores devem acompanhar a publicação do segundo mais importante dado do mercado de trabalho americano, a Pesquisa de Abertura de Vagas e Turnover (JOLTS).

  • As estimativas apontam para uma queda nas vagas em aberto, com projeção de 6,89 milhões de vagas em fevereiro. Caso confirmado, o número colocaria a razão entre   vagas em aberto por desempregados em 0,91, uma piora em relação à última estatística.
  • A última divulgação do JOLTS, referente a janeiro, apontou para uma melhora na relação entre vagas em aberto e desempregados, que avançou de 0,87 para 0,94.
  • O avanço esteve relacionado a um aumento nas vagas em aberto e redução no número de desempregados naquele período.

Razão entre vagas em aberto e desempregados nos EUAimage 129105

Fonte: U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS), Federal Reserve Bank of St. Louis. Elaboração: StoneX.

Por que isso é importante: Caso o relatório reforce a percepção de desaceleração do mercado de trabalho americano, as expectativas por cortes de juros mais rápidos no país tendem a aumentar, o que pode diminuir os rendimentos dos títulos do Tesouro e enfraquecer o dólar em nível global.

 

Panorama: Nas divulgações mais recentes, a maior parte dos indicadores do mercado de trabalho americano tem sinalizado perda gradual de fôlego, o que reforça a importância da divulgação do Relatório de Situação de Emprego ("payroll") nesta sexta-feira, principal termômetro sobre a dinâmica do emprego nos Estados Unidos.

  • Ainda assim, as apostas de mercado continuam indicando baixa probabilidade de um ciclo de cortes de juros no curto prazo. Apesar dos sinais de enfraquecimento do mercado de trabalho, a estabilidade dos preços segue como a principal preocupação das autoridades monetárias.
  • Dados recentes indicam resiliência da inflação, que permanece acima da meta e pode voltar a ganhar pressão adicional em função do conflito no Oriente Médio e da alta dos preços das commodities energéticas.

 

Índice de confiança do consumidor nos EUA

Investidores também devem acompanhar a divulgação do índice de confiança do consumidor do Conference Board, referente a março.

  • O indicador é amplamente monitorado por ser um dos primeiros dados relevantes sobre o mês recém-encerrado, funcionando como um importante termômetro antecedente para outros dados de atividade e consumo que ainda serão divulgados.
  • A expectativa mediana aponta para uma queda do índice para 87,8 pontos, o que representaria seu pior resultado desde abril de 2025.

 

Por que isso é importante: Uma piora na confiança do consumidor tende a reforçar a percepção mais negativa dos agentes econômicos sobre a economia dos Estados Unidos, o que pode reduzir expectativas de crescimento e desfavorecer o desempenho do dólar no cenário global.

 

Panorama: Ainda nesta semana, os mercados repercutiram a divulgação do índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan.

  • O levantamento mostrou que março foi o pior mês do ano até agora para o sentimento econômico das famílias, impactado pela alta dos preços da gasolina e pela instabilidade nos mercados financeiros em meio ao conflito com o Irã.
  • O índice recuou quase 6% em março, atingindo o menor nível desde o fim de 2025, em 53,3 pontos, abaixo da projeção de 55,5 e interrompendo uma sequência de quatro meses consecutivos de alta.
  • O nível atual coloca a confiança do consumidor no percentil mais baixo da série histórica, evidenciando um ambiente de elevada cautela por parte das famílias.

 

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

image 129106Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.
  • Moedas

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