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Abertura de Câmbio

By: Leonardo Rossetti, Market Intelligence Analyst

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Câmbio deve refletir falta de notícias no Oriente Médio, dados no Brasil e PIB na China

Cotações (09h25min):
= Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 4,99 (0,0%)
Dollar Index (DXY): ~98,2 pontos (+0,1%)

O mercado de divisas deve seguir registrando movimentação cautelosa nesta sessão, refletindo a combinação entre a expectativa por possíveis avanços diplomáticos envolvendo EUA e Irã e a ausência, até o momento, de sinais concretos de amenização das tensões no Oriente Médio. Esse quadro tem levado os investidores a adotarem uma postura de cautela, limitando movimentos mais expressivos, apesar de algum suporte ao apetite por risco observado recentemente. Além do noticiário geopolítico, a divulgação de indicadores de atividade no Brasil e na China deve atuar como elemento adicional de ajuste das expectativas sobre o ritmo da economia global.

Agenda do dia (horário de Brasília):

  • Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de fevereiro – 09h00min. 
  • Pedidos semanais de auxílio-desemprego – EUA (DOL) – 09h30min.
  • Palestra do presidente do Federal Reserve de Nova York, John Williams – 09h35min.
  • Produção industrial americana de março - (Federal Reserve) – 10h15min. 
  • Palestra do conselheiro do Federal Reserve, Stephen Miran – 11h35min.   

Investidores em compasso de espera por atualizações entre EUA e Irã

Nesta quinta-feira (16), os investidores atuam em compasso de espera por atualizações sobre possíveis avanços diplomáticos entre EUA e Irã a respeito do conflito no Oriente Médio e a passagem pelo estreito de Ormuz.

  • Lembrando que, na terça-feira (14), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as negociações diplomáticas podem ser retomadas “nos próximos dois dias”. Contudo, outras fontes afirmaram que o encontro poderia ocorrer no final de semana.
  • Além disso, a duração do acordo de cessar-fogo entre os países é até terça-feira (23), de forma que a falta de avanços nas negociações pode retomar o conflito armado.
  • Apesar da falta de atualizações, o sentimento dos investidores segue favorável a ativos considerados mais arriscados, como o real, embora o movimento tenha mostrado sinais de esgotamento nas últimas sessões devido à falta de novidades.

 

Por que isso é importante: O clima de otimismo mantém o apetite por risco dos investidores, contribuindo para uma valorização de ativos considerados mais arriscados, como o real e ações brasileiras.

  • Contudo, a falta de atualizações sobre o tema pode elevar o ceticismo dos investimentos, o que tende a levar a uma retomada da aversão ao risco, favorecendo ativos considerados porto-seguros em detrimento do real.

 

Atividade econômica no Brasil

A leitura do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), frequentemente referido como “prévia do PIB”, indicou crescimento de 0,6% em fevereiro, configurando o segundo mês consecutivo de aceleração da atividade após a desaceleração observada em dezembro.

  • O resultado ficou levemente acima da mediana das estimativas de mercado, que apontava avanço de 0,5%.

Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br)image 129896

Fonte: Banco Central. Elaboração: StoneX.

Por que isso é importante: Os sinais de resiliência da atividade econômica doméstica podem reforçar uma postura mais cautelosa do Comitê de Política Monetária (Copom) no processo de afrouxamento monetário, diante dos potenciais efeitos inflacionários associados a uma economia ainda aquecida.

  • Esse contexto tende, por sua vez, a favorecer o real, ao aumentar a atratividade relativa dos ativos domésticos.

 

Em detalhes: A divulgação mais recente do PIB, referente ao quarto trimestre, havia reforçado a percepção de desaceleração da economia brasileira, com novas estimativas indicando que esse movimento poderia se intensificar ao longo dos próximos meses.

  • Em janeiro, o IBC-Br avançou 0,8%, resultado ligeiramente abaixo das expectativas, mas ainda compatível com uma recuperação pontual da atividade no início do ano.

 

PIB da China cresce acima do esperado

Os dados de atividade econômica divulgados para a China em março apresentaram um quadro misto. Enquanto a produção industrial surpreendeu positivamente, o consumo permaneceu fraco e o setor imobiliário continuou exercendo pressão relevante sobre a atividade.

  • Ainda assim, o destaque da divulgação ficou por conta do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) acima das expectativas no 1º Tri/2026, em um contexto global marcado por incertezas geopolíticas associadas ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.
  • Em termos anuais, o PIB chinês avançou 5,0% no primeiro trimestre, superando a projeção média de mercado, que apontava crescimento em torno de 4,8%. O resultado veio apesar das tensões no Oriente Médio, iniciadas no fim de fevereiro, que provocaram disrupções relevantes no mercado global de energia e afetaram especialmente economias asiáticas.

Produto Interno Bruto da China anualizado (%)image 129897

Fonte: NBS. Elaboração: StoneX. 

Em detalhes: A aceleração da atividade ocorreu em relação ao trimestre anterior, quando o crescimento havia sido de 4,5%, e foi sustentada principalmente pelo desempenho do setor manufatureiro, enquanto o segmento imobiliário seguiu como um vetor de fragilidade, com queda nos investimentos.

  • No detalhe dos indicadores mensais, a produção industrial mostrou expansão de 5,7% em março na comparação anual, acima das expectativas, embora abaixo do ritmo observado nos dois primeiros meses do ano.
  • Em contraste, o consumo voltou a frustrar: as vendas no varejo cresceram apenas 1,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, resultado inferior às projeções e uma desaceleração frente ao dado anterior, evidenciando a dificuldade de recuperação sustentada da demanda doméstica.

 

Por que isso é importante: O crescimento do PIB acima do esperado tende a reduzir, ao menos marginalmente, os receios de uma desaceleração mais intensa da segunda maior economia do mundo.

  • Esse alívio contribui para melhorar o apetite ao risco em nível global e pode ter efeitos particularmente positivos para economias mais expostas ao ciclo chinês, como o Brasil, seja por meio do canal comercial, seja pelo impacto sobre os preços internacionais de commodities.

 

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

image 129898Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.
  • Moedas

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