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Abertura de Câmbio

By: Leonardo Rossetti, Market Intelligence Analyst

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Câmbio deve refletir decisões de juros da “super quarta”

Cotações (09h15min):
= Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 4,98 (0,0%)
Dollar Index (DXY): ~98,7 pontos (+0,1%)

Nesta manhã, os investidores devem repercutir as decisões de juros nos EUA, às 15h00min, e, do Brasil, após o fechamento dos mercados. Adicionalmente, os mercados financeiros devem acompanhar a entrevista coletiva de Jerome Powell em busca de sinais se ele deixará ou não o Conselho dos Governadores do Federal Reserve após o fim de seu mandato como presidente da instituição, em 15 de maio.

Agenda do dia (horário de Brasília):

  • Índice Geral de Preços – Mercado de abril (FGV) – 08h00min.
  • Índice de Preços ao Produtor (IPP) de março (IBGE) – 9h00min.
  • Fluxo cambial semanal (BC) – 14h30min.
  • Resultado Primário do Governo Central de março (STN) – 14h30min.
  • Decisão de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) – 15h00min.
  • Palestra do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell – 15h30min.
  • Decisão de juros do Comitê de Política Monetária (Copom) – 18h30min.

Decisão de juros nos EUA

Em meio à falta de clareza sobre os impactos inflacionários decorrentes do conflito no Oriente Médio e bloqueio do estreito de Ormuz, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed) deve manter as taxas básicas de juros do país no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano.

  • Adicionalmente, os investidores devem acompanhar a última reunião de Jerome Powell como presidente do Federal Reserve, e a votação de hoje no Senado para confirmar Kevin Warsh como seu sucessor.
  • Além da transição, sinalizações de Powell se ele deixará ou não o Conselho dos Governadores deve estar no radar, uma vez que, tradicionalmente, os presidentes do Fed deixam o Conselho após o fim dos seus respectivos mandatos.

 

Por que isso é importante: A manutenção dos juros americanos favorece o rendimento dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) e facilita a atração de capital externo para os EUA, o que tende a fortalecer o dólar globalmente.

  • Além disso, Warsh é tido como um nome mais alinhado com os desejos do presidente Donald Trump por uma política monetária mais flexível.

 

Fim das investigações: Na última sexta (24), o Departamento de Justiça americano encerrou inesperadamente sua investigação contra Powell sobre supostas irregularidades na reforma da sede do Federal Reserve.

  • A investigação ocorreu em meio a uma longa campanha de pressão da Casa Branca contra o Fed e contra Powell por uma insatisfação com o atual patamar de juros americanos.
  • O presidente dos EUA, Donald Trump, tentou demitir a membra do Conselho de Governadores, Lisa Cook, porém a Suprema Corte do país suspendeu a decisão enquanto um recurso de Cook não é julgado no tribunal.
  • Além disso, Trump ameaçou demitir Powell em diversas ocasiões, a mais recente no último dia 16.

 

Abrindo caminho para Warsh: O encerramento da investigação contra Powell é interpretada como uma ação da Casa Branca para facilitar a aprovação no Senado de Kevin Warsh como próximo presidente do Federal Reserve.

  • O senador republicano Thom Tillis havia afirmado que não votaria a favor de Warsh no Comitê de Assuntos Bancários do Senado antes dessa investigação ser encerrada.
  • O mandato atual de Powell como presidente do Fed se encerra em 15 de maio, podendo ser estendido temporariamente após essa data até haver a aprovação no Senado de seu substituto.
  • Analistas acreditam que Warsh deve ser mais receptível aos desejos da Casa Branca por novos cortes de juros no futuro.

 

E agora? O mandato de Powell como membro do Conselho de Governadores, contudo, se estende até janeiro de 2028.

  • Embora, no passado, era comum que os presidentes do Fed renunciassem aos seus mandatos de conselheiros juntamento com o término da sua presidência, Powell já havia afirmado que continuaria como membro no mínimo até o encerramento formal das investigações.
  • No momento, não há clareza se o término das investigações incentivará Powell a renunciar como membro do Conselho após a posse de Warsh.

 

Decisão de juros no Brasil

No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 p.p., de 14,75% para 14,50% ao ano.

  • É importante destacar que a decisão ocorrerá após o fechamento dos mercados. Dessa forma, repercussões da decisão devem ocorrer apenas na sessão de amanhã (30).

 

Por que isso é importante: Um corte na taxa básica de juros no Brasil tende a reduzir a atratividade dos títulos públicos domésticos e dificultar a atração de investimentos estrangeiros, desvalorizando o real.

 

Mudança nas expectativas: Na última divulgação do Boletim Focus do Banco Central do Brasil, a mediana das projeções das instituições financeiras para a Selic no final de 2026 se elevou para 13,00% a.a., após três semanas estável em 12,50% a.a.

  • Adicionalmente, desde o início do conflito, as projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado no final do ano avançaram de 3,91% para 4,71%, acima do limite máximo da meta de inflação.
  • Isto sugere que investidores antecipam pressões inflacionárias no Brasil derivadas dos preços altos para combustíveis e energia, o que reduziria a capacidade do Copom de realizar novos cortes de juros na Selic.

 

Inflação: Na terça-feira (28) foi divulgado o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), cuja leitura foi abaixo das expectativas, apesar de elevar a inflação acumulado nos últimos 12 meses para 3,90%.

  • Por outro lado, o núcleo do indicador, que exclui os componentes mais voláteis de alimentação e energia, indicou alta de 0,32%.
  • Isso aponta que a pressão inflacionária se concentra nos itens energéticos, pressionados pela aceleração recente dos preços de petróleo, sem se alastrar para os demais preços domésticos, o que pode ser favorável para apoiar os cortes de juros.

 

Impasse no Oriente Médio

No Oriente Médio, a falta de avanços diplomáticos entre EUA e Irã mantém o duplo bloqueio do estreito de Ormuz e eleva os prêmios do petróleo e a aversão ao risco dos investidores.

  • Esse cenário se torna um desafio para a condução da política monetária pelos bancos centrais, de forma que os investidores devem acompanhar a leitura do cenário atual pelas autoridades monetárias para calibrarem suas expectativas.

 

Por que isso é importante: Um cenário de maior aversão ao risco tende a favorecer ativos considerados porto-seguros e mais líquidos, como o dólar.

  • Por outro lado, a alta dos preços internacionais do petróleo tende a favorecer países que exportam a commodity, como o Brasil.
  • Nesse cenário, o real tem sido destaque no mercado de divisas, com a moeda apresentando um bom desempenho nas últimas sessões.

 

    TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

    image 130521Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.
    • Moedas

    Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

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