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Abertura de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Câmbio deve refletir decisões de juros do Copom e do FOMC

Cotações (09h15min):
Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,14 (+0,6%)
Dollar Index (DXY): ~100,7 pontos (+0,3%)

 

O mercado de divisas deve repercutir a divergência entre as sinalizações dos bancos centrais brasileiro e americano em suas decisões de juros de ontem. O Federal Reserve, sob nova liderança, elevou o tom e quase metade dos dirigentes indica que precisará subir juros este ano, levando o dólar à máxima em mais de um ano. Por outro lado, o Copom cortou a Selic pela terceira vez consecutiva e sinalizou mais cortes à frente, mesmo com inflação projetada em 5,2% para 2026.

 

Agenda do dia (horário de Brasília):

  • Entrevista do ministro da Fazenda, Dario Durigan – 08h00min.
  • Pedidos semanais de seguro-desemprego nos EUA (DOL) – 09h30min.
  • Índice de atividade manufatureira do Federal Reserve de Filadélfia de junho – 09h30min.
  • Monitor do PIB brasileiro de abril (FGV) – 10h15min.

 

Federal Reserve adota tom firme contra inflação

EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – atualizado em 18 de junho de 2026

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Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX.   Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.

O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed) manteve sua taxa básica de juros inalterada em sua decisão desta quarta-feira (17), no intervalo entre 3,50% e 3,75% a.a., conforme era largamente antecipado por analistas.

  • Porém, nas Projeções Econômicas Sumarizadas, nove dos 19 integrantes do Comitê sinalizaram que antecipam pelo menos uma alta de juros ainda em 2026.
  • Adicionalmente, Kevin Warsh, em sua primeira decisão como novo presidente do Fed, buscou assegurar que a instituição devolverá a estabilidade de preços à economia.
  • Adicionalmente, O comunicado foi encurtado e removeu qualquer orientação futura para os mercados.

Por que isso é importante: As falas conservadoras de Warsh e o grande número de integrantes antecipando novas altas de juros aumentam as expectativas para juros americanos mais altos por mais tempo.

  • Isto, por sua vez, tende a elevar o rendimento dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) e favorecer a atração de capitais externos, fortalecendo o dólar globalmente.
  • O índice Dollar Index (DXY), que busca refletir o valor global do dólar, atingiu as máximas desde maio do ano passado sob esta nova perspectiva.

Sob nova direção: Em sua primeira reunião como novo presidente do Federal Reserve e do FOMC, Kevin Warsh anunciou uma série de mudanças para a conduta do Fed.

  • O Comunicado da decisão foi encurtado e abandonou a prática de oferecer expectativas futuras pelo Comitê.
  • Warsh argumentou que “não pode dar orientação sobre o que faremos a seguir”, ou seja, orientações sobre como o FOMC antecipa que a conjuntura econômica evoluirá.
  • Adicionalmente, o novo presidente anunciou a criação de cinco forças-tarefas para temas “essenciais” para a condução da política monetária, a saber, comunicação, balanço patrimonial, dependência de fontes de dados, produtividade e empregos e estruturas de análise da inflação.
  • Warsh acredita que essas forças-tarefas provavelmente devem fazer suas sugestões finais antes do fim do ano.
  • Por fim, ele também buscou reduzir a importância das projeções dos integrantes do FOMC para a taxa de juros americana e das entrevistas coletivas dadas após as decisões, recusando-se a elaborar quanto aos debates ou as análises feitas pelo Comitê.

Projeções Econômicas: Ainda que Warsh tenha diminuído a sua importância, as projeções econômicas sumarizadas surpreenderam os investidores pela sua indicação clara de juros mais altos no futuro.

  • Os membros do FOMC revisaram significativamente suas expectativas de inflação para os próximos dois anos, em particular no núcleo de preços, que exclui os componentes mais voláteis de alimentação e energia.
  • Ao mesmo tempo, mantiveram praticamente inalteradas as projeções para o crescimento do PIB e da taxa de desemprego.
  • Por isso, os investidores passaram a antecipar três altas de juros pelo Federal Reserve até o começo de 2027.

 

Copom reduz a Selic e sinaliza mais cortes adiante

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 p.p. pela terceira vez consecutiva, para 14,25% ao ano, e deixou a porta aberta para novos cortes, apesar do quadro de pressão inflacionária.

  • O Comitê reconheceu que suas projeções de inflação estão acima da meta e que ainda se observa um mercado de trabalho mais aquecido.
  • Ele também incluiu a expressão “estímulos à demanda” em seu Comunicado, em particular ao consumo, entre os fatores que podem superaquecer a economia e resultar em maior inflação.
  • O BC descreveu sua postura como de “cautela em cenário de maior incerteza”.

Por que isso é importante: A sinalização de continuidade do ciclo de cortes ocorre em um contexto de inflação persistentemente acima da meta e de uma postura mais agressiva pelo Federal Reserve.

  • Isso, por sua vez, ao mesmo tempo reduz as expectativas para a Selic enquanto as expectativas para os juros americanos aumentam, prejudicando o diferencial de juros brasileiro e diminuindo a atratividade dos títulos nacionais, desvalorizando o real.

Horizonte alongado: O comunicado foi mal-recebido ao mencionar o primeiro trimestre de 2028 como horizonte relevante da próxima decisão de política monetária, um trimestre a mais do que o habitualmente usado pelo Copom.

  • Isto foi interpretado como um “improviso” para justificar novos cortes à taxa Selic.
  • As simulações do BC apontam para uma inflação dentro da meta apenas para o primeiro trimestre de 2028.
  • Para o quarto trimestre de 2027, horizonte que seria relevante pelos padrões anteriores, a expectativa para o IPCA subiu de 3,5% para 3,7%.
  • O balanço de riscos agora inclui quatro fatores de alta contra três de baixa, também sugerindo que os riscos de uma reaceleração inflacionária estão mais elevados.

 

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

image 132920Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.
  • Moedas

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