Os índices futuros das ações seguem tendência de valorização no início desta sexta-feira (dia 03), nos EUA. As altas ocorrem após a Apple reportar, no dia anterior, números melhores que o esperado em seu balanço, e anunciar uma recompra de US$ 110 bilhões de ações, surpreendendo positivamente Wall Street. Os índices também repercutem a reunião do Comitê de Política Monetária estadunidense (FOMC), que nessa semana, na sua última reunião, manteve inalterada a taxa de juros de referência. A alta da inflação nos EUA gerou o receio entre os investidores de que, futuramente, a taxa de juros pudesse voltar a subir, o que foi inicialmente descartado por Jerome Powell, presidente do Fed, na conferencia dada após a reunião do FOMC, entregando otimismo e tranquilidade para os mercados.
No mercado asiático, as bolsas da China e Japão estão fechadas por motivo de feriado. Em contrapartida, os demais índices futuros operam em caráter misto em função do desempenho das empresas de tecnologia, que acompanham os resultados trimestrais sólidos divulgados pelo setor tecnológico. Na Europa, por sua vez, os mercados seguem em alta, repercutindo os resultados divulgados por grandes empresas e dados econômicos da região.
Por sua vez, no Brasil, o Ibovespa futuro abre em queda, mas vira para forte alta após divulgação do payroll, nos EUA, registrando avanço de 1,3%. O dólar comercial acompanha a repercussão da divulgação dos dados nos EUA e registra forte queda.
A soja continua avançando, fechando com novos ganhos no último pregão noturno (dia 03).
O destaque está na Argentina, onde foi levantada a greve dos trabalhadores do setor de processamento de soja, principalmente do óleo, mas também do farelo, diante das reformas das leis trabalhistas propulsadas pelo governo Milei. A paralização tinha alavancando a alta nos preços internacionais, além da desvalorização do dólar estadunidense e dos preços de biocombustíveis.
Se bem a medida foi anunciada inicialmente por tempo indeterminado, o Sindicato de Obreros y Empleados Aceiteros (SOEA), acabou parando somente por dois dias, no que se espera tenha sido o 80% das plantas de esmagamento nos principais terminais portuários agroexportadores argentinos. A medida de força se somou a outra convocada pelos funcionários estaduais do Servicio Nacional de Sanidad y Calidad Agroalimentaria (SENASA) da Argentina. Desta forma, apesar do levantamento da medida, o mercado seguirá de perto nos próximos dias o andamento do processamento industrial do maior exportador mundial de farelo e óleo de soja, uma vez que uma extensão da greve poderia paralizar as exportações agropecuárias porque suspenderia todos os controles sanitários nas aduanas, nos portos e aeroportos.
Novamente em alta, preços do milho sobem com possíveis cortes na oferta mundial.
Além das preocupações com o andamento do plantio, como indicado ontem na Chamada de Abertura de ontem, se somam agora reduções na Argentina. A Bolsa de Grãos de Buenos Aires fez uma redução de 3 milhões de toneladas para a próxima colheita do milho, principalmente por efeitos da cigarrinha que vem afetando a produtividade. Uma matéria especial feita pela StoneX Brasil oferece maiores detalhes sobre o tema, e está disponível neste link.
Já no Brasil, o clima quente e seco preocupa no Centro-Oeste e poderia prejudicar o desenvolvimento das lavouras, que se encontra em estágio crítico de maturação. Porém, até o momento, ainda não foram feitos cortes na estimativas. Na última atualização da sua estimativa de safra, a StoneX elevou sua estimativa de produção da primeira safra de milho 2023/24 para 26,06 milhões de toneladas. Sendo que, para a safra de inverno 2023/24, também houve um ajuste positivo, atingindo 97,3 milhões de toneladas. A produção total subiu para 125,55 milhões de toneladas. O relatório se encontra disponível aqui.
Alta considerável no trigo continua, ainda sustentado pelas preocupações no Mar Negro.
Repetindo os fundamentos de mercado explicados ontem, onde a preocupação sobre a seca nas principais regiões produtivas da Rússia e a Ucrânia continua gerando receios sobre a oferta mundial, o movimento visto hoje nas bolsas estadunidenses é de que a maioria dos contratos de maio já foram liquidados, centrando-se agora os investidores nos valores futuros negociados até o final de 2024.









