Em Wall Street, os principais índices abriram a sexta-feira (dia 31) com perdas, que se acumulam às obtidas no fechamento do dia anterior. Os saldos negativos são pressionados por resultados insatisfatórios em empresas do setor de tecnologia, como a Salesforce, que divulgou seus números trimestrais no dia anterior. Ademais, as atenções dos investidores se concentram na divulgação do índice de preços de gastos em consumo (PCE, na sigla em inglês), importante indicador tomado pelo Federal Reserve (Fed) para avaliar os níveis de inflação nos Estados Unidos. Espera-se que a divulgação do indicador seja acompanhada por falas do presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic.
Na região da Ásia e Pacífico, os índices operam sem direção definida. As incertezas ocorrem em resposta à publicação de dados que avaliam a atividade econômica local. No Japão, a taxa que mede a produção industrial do país frustrou as expectativas do mercado. Na China também houve contração, enquanto na Coreia do Sul, a mesma taxa apresentou elevação satisfatória.
Os mercados europeus, por outro lado, registram altas, em sua maioria. Os investidores repercutem dados da inflação para a região no mês de maio, que indicam um aumento pouco superior ao esperado.
No Brasil, os índices futuros do Ibovespa (IBOV) iniciam as atividades em queda neste último pregão de maio. As perdas repercutem a defasagem do ganho no índice Dow Jones Brazil Titans 20 ADR (BR20), principal ETF brasileiro no mercado estadunidense. Além disso, o recuo também deve refletir a contração na atividade industrial chinesa no mês de maio.
O complexo da soja consegue ganhos no último pregão noturno de maio (dia 31).
Enquanto se aguarda a finalização da colheita no Brasil, para estimar os níveis possíveis finais de exportações, o mercado segue de perto a demanda nos EUA. O Departamento de Agricultura (USDA) costuma publicar as estatísticas de exportações nas quintas-feiras, porém, pelo feriado da segunda-feira, os dados foram publicados somente hoje. O mercado esperava maiores níveis de vendas para os grãos, o que se confirmou, uma vez que as vendas líquidas se situaram em 329 mil toneladas, o que indica um aumento de 18% em relação à semana anterior.
Altas para o milho, que se recuperou após jornadas de baixa na semana.
O milho fecha a semana tendo passado pelas intermitências causadas pela sazonalidade do plantio. Após as preocupações inicias por condições climáticas adversas, os produtores conseguiram alcançar a média histórica do cinco últimos anos, gerando a confiança de que uma maior área plantada será efetivamente concretizada.
Pelo lado do etanol nos EUA, segundo a EIA (Administração de Informação Energética), a produção melhorou pela terceira semana consecutiva. Assim, na semana que foi até 24 de maio, foram produzidas, em média, 1,068 milhão de barris por dia. Esse volume também é o maior observado desde o final de fevereiro, o que indica um bom momento para o mercado de biocombustíveis estadunidense.
Avanços nos preços do trigo trazem a expectativa de um novo balanço semanal positivo nas bolsas estadunidenses.
A instabilidade nos últimos dias vem mostrando os ajustes feitos pelo mercado em relação com as perdas na Rússia. A pergunta hoje é: se a produção russa diminuir efetivamente ao redor de dez milhões de toneladas, o quanto isso afetará o comércio internacional da commodity?
Por um lado, os fundamentos altistas indicam que as perdas causadas pela seca e as geadas em solo russo, causariam um forte impacto no suprimento da demanda mundial. E, ao mesmo tempo, boatos de que a Índia voltaria a precisar importar trigo, por perdas na sua produção que comprometeriam o autoabastecimento, pressionariam ainda mais os preços para cima nos próximos meses.
Por outro lado, alguns fundamentos baixistas indicam que as produções europeia, canadense e australiana supririam as necessidades mundiais, não havendo espaço para que o trigo volte a patamares baixos como o observado no primeiro trimestre do ano. Assim, o mercado caminha para um consenso de que os preços atuais poderiam ser a nova média observada.







