Os principais índices futuros de Wall Street iniciaram a sexta-feira (dia 07) em queda, na prévia da publicação dos dados de payroll do país, prevista para hoje. Ao longo da semana, a divulgação dos relatórios JOLTs e ADP, além de pedidos de seguro-desemprego acima do esperado, indicaram um mercado de trabalho menos apertado nos Estados Unidos. Com isso, um payroll que reforce tais indícios deve alimentar as expectativas dos investidores de que o Federal Reserve (Fed) execute cortes nas taxas de juros do país ainda este ano. A pressão sobre os resultados do payroll vem após o Banco Central Europeu (BCE) optar por reduzir a taxa de juros na União Europeia, pela primeira vez desde 2022, o que deve pressionar o Fed na sua tomada de decisões.
Na região da Ásia-Pacífico, os mercados iniciaram as atividades mistos. A direção indefinida é motivada pela apreensão dos agentes diante dos dados de mercado estadunidenses que devem ser divulgados no dia de hoje. Além disso, um recuo nas bolsas chinesas se deve a uma situação de possível restrição de importações estadunidenses sobre bens do setor automotivo com componentes originários do país asiático.
Os mercados europeus, por sua vez, acompanham o caráter misto observado anteriormente. Neste caso, as quedas são apenas um afrouxamento dos resultados recordes no dia anterior, devido ao início de um ciclo expansionista na política monetária europeia, conforme demonstrou a decisão do BCE. Além disso, dados do PIB indicaram um crescimento trimestral de 0,3% no produto dos países que compõem a zona do euro, em comparação ao trimestre anterior.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) opera em queda no início do dia, seguindo tendências de instabilidade internacionais. Para hoje, espera-se o IGP-DI de maio, além de falas do presidente do COPOM, Roberto Campos Neto, e do diretor de política monetária, Gabriel Galípolo.
O último pregão noturno da semana (dia 07) foi baixista para o complexo da soja.
O destaque internacional dos últimos dias foi para o Brasil, que após um começo de semana onde se anunciaram cortes para a produção, uma mudança nas regras tributárias paralisou o mercado brasileiro de exportação na quarta-feira. Sendo assim, ontem os mercados avançaram acreditando que a exportação de soja estadunidense poderia receber um impulso através das medidas brasileiras. Porém, hoje, fatores baixistas como uma menor importação de soja desde a China em maio pesaram mais no balanço, impactando principalmente nos valores futuros dos grãos.
Quedas nos preços do milho marcam semana de instabilidade.
Os mesmos fundamentos da soja em relação ao Brasil se aplicam para o milho, dado que maiores dificuldades para as exportações brasileiras também influenciaria em maior espaço para os demais competidores. Porém, para o milho, as vendas líquidas de exportações dos EUA na última semana foram superiores ao aguardado pelo mercado, sendo de 1,18 milhão de toneladas, acima das 900 mil toneladas projetadas. Com um bom andamento do plantio e a demanda respondendo, o principal fator baixista será ditado pelo mercado do clima nas próximas semanas, após expectativas de que temperaturas maiores ao usual possam eventualmente afetar a produtividade no Cinturão do Milho, localizado no Meio Oeste estadunidense.
Recuos nos preços do trigo, em uma semana que finaliza com fatores baixistas se impondo, com o risco de fechar o dia com a maior baixa desde julho passado.
A notícia do dia vem da Turquia, onde o Ministério da Agricultura anunciou que, entre 21 de junho e 15 de outubro de 2024, as importações de trigo estarão suspensas, em uma estratégia que visa proteger os produtores nacionais. Segundo o governo, se necessário, a medida poderá se estender, deixando um ar de indefinição para os próximos meses que influenciou nos mercados.
Esse corte na demanda de um dos principais destinos do trigo da Região do Mar Negro, principalmente da Rússia, tirou inclusive o foco na preocupação pela oferta do principal exportador do mundo. Olhando para importações turcas no mesmo período de 2023, isso representaria uma diminuição de aproximadamente 2 milhões de toneladas para o período. Outro fator importante, é que a Turquia já intermediou no conflito entre a Rússia e a Ucrânia, atuando como mediadora nos tratados pacíficos para o corredor de grãos, e, deixando de ser um importante comprador, levanta também a dúvida sobre a sua futura atuação no assunto.
Além disso, outros fatores baixistas, como as boas expectativas para as produções estadunidense, australiana e canadense, também influenciaram na queda dos preços. Por sua vez, na Europa os valores negociados também recuaram, seguindo as tendências internacionais e apesar da produção europeia continuar lutando contra o excesso de chuvas, principalmente na França.







