Em Wall Street os principais índices futuros operam em alta no início da segunda-feira (dia 24), após semana com enfoque para as ações de tecnologia, em meio a um otimismo com relação ao uso de inteligência artificial (IA), destacando a influência das oscilações da Nvidia sobre o desempenho do mercado. Para a semana que se inicia hoje, espera-se a publicação dos dados de inflação e produto interno bruto (PIB) dos Estados Unidos. Entre os indicadores, as maiores expectativas se concentram na divulgação do índice de preços de gastos com consumo (PCE) do país, para o mês de junho. O PCE é visto como o preferido do Federal Reserve (Fed) para consolidar a decisão de política monetária dos EUA.
Na região da Ásia e Pacífico, os mercados operam majoritariamente com perdas nesta sessão. Os investidores estão atentos aos dados sobre a inflação do Japão e Austrália, principalmente após a governadora do Reserve Bank of Australia, Michelle Bullock, dar indícios de uma possível adoção de política monetária contracionista no país. No caso das bolsas europeias, o movimento é altista, na prévia de decisões de juros pelo continente, além dos dados do PIB da Espanha e Itália, na sexta-feira (dia 28).
No caso brasileiro, o índice futuro Ibovespa (IBOV) iniciou as operações da semana com leves perdas. A semana anterior foi marcada pela manutenção da taxa de juros Selic em 10,50%, pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (COPOM). No entanto, mesmo diante dessa posição do COPOM, o boletim Focus continua projetando uma inflação ao consumidor maior para 2024. O relatório indica perspectivas da taxa Selic em 10,50% para 2024, mesma projeção da semana anterior.
Com variações que mostram estabilidade nos preços, o complexo da soja teve sinais mistos no primeiro pregão noturno (dia 24) da semana. Grãos e farelo repetiram resultados, com avanços nos contratos futuros de julho operando positivamente, mas com os valores para setembro em baixa. Já os óleos recuaram negativamente em todos os contratos futuros.
Se, por um lado, a preocupação com o clima nas principais regiões produtoras estadunidenses atua como fundamento altista, por outro, os amplos suprimentos globais pressionam como fundamento baixista.
Na atualização a ser publicada hoje pela tarde, a Secretaria de Agricultura dos EUA (USDA) deve indicar as atualizações das condições de plantio, onde o andamento da safra tinha indicado que 70% da produção se encontra em situação boa ou excelente, acima dos 54% do último ano.
Na Argentina, a Bolsa de Grãos de Buenos Aires estima que 90% da soja foi colhida, projetando-se ainda uma produção de 50,5 milhões de toneladas para a safra 2023/24. E, no Brasil, a atualização semanal da StoneX, divulgada na sexta-feira passada, indicou que 67,6% da safra 2023/24 está comercializada, assim como 12,4% da safra 2024/25. Mais detalhes são encontrados no interativo de comercialização de grãos.
Recuos para o milho no pregão noturno, onde, além de uma ampla oferta esperada, exerceu pressão o fortalecimento do dólar que deixa os grãos estadunidenses menos competitivos.
Repetindo as condições da soja, o mercado climático segue de perto o andamento das temperaturas acima de média no Cinturão do Milho. Porém, a posição baixista dos investidores indica que as expectativas de uma oferta folgada prevalecem por sobre as preocupações com os possíveis impactos na produtividade, dado o excelente começo da safra 2024/25 quando comparado aos cinco últimos anos.
Já no Brasil, enquanto o milho de verão está quase completamente colhido (99,7%), o milho de inverno está avançando mais rapidamente neste ano, uma vez que 28,6% foi colhido, frente aos 11,1% da safra anterior. As atualizações semanais da StoneX com o acompanhamento das colheitas se encontram aqui.
Com quedas nas maiorias dos contratos nas bolsas estadunidenses, a única exceção foi o contrato para setembro negociado em Minneapolis.
Sem grandes mudanças nos fundamentos de oferta, o mercado seguirá de perto o desenvolvimento da demanda nos próximos dias. Com o ajuste produtivo positivo na Rússia, além de condições climáticas favoráveis na umidade dos solos no Canadá e na Austrália, o mercado aguarda o andamento da colheita do trigo de inverno nos EUA.
Sobre a demanda dos países asiáticos, relevantes para as dinâmicas internacionais do trigo, foi informado que o Japão realizou compras dos EUA, do Canadá e da Austrália na semana passada, enquanto a Tailândia teria comprado grãos desde a Ucrânia. Já sobre a Índia, foi informado que o governo impôs limites aos estoques que os comerciantes podem manter, o que permite esperar o anúncio em breve de permissões para importações.









