Nos Estados Unidos, os principais índices do mercado de ativos operam sem direção única nesta semana. O mercado de divisas deve repercutir um ambiente de cautela mais elevada enquanto investidores aguardam pelas decisões ao longo da semana de bancos centrais importantes, como EUA, Japão, Inglaterra e Brasil. Em um dia de agenda leve, o dólar negociado no mercado interbancário apresentava tendência de queda nas primeiras operações desta segunda-feira, quando era cotado ao redor de R$ 5,54 (10h15min). O pregão começou em um ambiente de cautela mais elevada, com investidores elevando suas apostas para um corte de juros mais agressivo pelo Federal Reserve (Fed) nesta quarta-feira. No momento da publicação deste texto, 65% das apostas no mercado futuro antecipavam uma queda de 0,50 p.p., enquanto as 35% previam uma redução de 0,25 p.p. Tais apostas estimulam uma postura defensiva dos agentes do mercado financeiro ao sugerir que o Fed possa estar preocupado com uma desaceleração brusca de sua economia e que, por consequência, as empresas do país possa enfrentar problemas de receita e lucratividade. Com isso, observa-se um enfraquecimento do dólar perante moedas consideradas portos-seguros, como o franco suíço e o iene japonês.
Entre os mercados asiáticos, a tendência é altista, em meio a dados que apontam para uma desaceleração da economia chinesa. A expansão da produção industrial e das vendas do varejo de agosto contra o mesmo mês do ano passado passaram de 5,1% para 4,5% e de 2,7% para 2,1%, respectivamente, abaixo das projeções medianas de analistas e evidenciando a perda de dinamismo da economia chinesa, puxada pela desaceleração da demanda interna. O ritmo menor que o esperado para o país impacta negativamente os preços de ativos arriscados, como ações, commodities e moedas de países exportadores de produtos primários, como o real. Na Europa, a maior parte das bolsas opera com perdas, em momento de apreensão no mercado internacional de divisas.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV), opera com ganhos na abertura das atividades desta segunda-feira (dia 16). o real mostra-se resiliente e sustenta o seu valor na sessão desta segunda-feira, mesmo diante de um cenário desfavorável para ativos arriscados. Possivelmente, a previsão de cortes de juros mais velozes para os EUA pode estar beneficiando a moeda brasileira, visto que há expectativas para altas da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central nesta quarta-feira. A ampliação da perspectiva de diferencial de juros brasileiro torna os títulos domésticos mais rentáveis e contribui na atração de investimentos estrangeiros, fortalecendo o real. Para acessar uma análise mais detalhada da dinâmica dos mercados internacionais, nesta semana que parece agitada, acesse o nosso relatório de Abertura de Câmbio.
As expectativas de grandes colheitas para a soja nesta safra têm pesado sobre os futuros do grão. Ainda assim, os preços futuros sobem no pregão noturno desta segunda-feira (dia 16). As motivações para o momento de alta devem estar relacionadas à publicação da última edição do relatório WASDE, que reduziu sua projeção para a produção de soja nos EUA. No entanto, as previsões ainda apontam para a maior safra da história.
No Brasil, os baixos níveis de umidade e temperaturas elevadas têm prejudicado a fase inicial do plantio da soja. Até o momento, poucas áreas nos estados do Paraná e Mato Grosso já foram plantadas, com um atraso em relação ao avanço observado para o mesmo período do ano anterior.
Assim como para a soja, o mercado do milho também enfrenta momento incerto devido às perspectivas de alta colheita nos Estados Unidos. Na semana passada, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou, mais uma vez, a previsão de rendimentos para o milho nesta safra 2023/24.
As máximas registradas nas cotações futuras para o mercado internacional de trigo, registradas ao longo das últimas três semanas, não se sustentaram até a presente segunda-feira (dia 16). As altas vinham sendo sustentadas pelas preocupações com a safra de trigo europeia e pela escalada dos conflitos na região do Mar Negro.
As perdas recentes nos preços do trigo são influenciadas também por um dólar americano mais fraco, que tornou as exportações dos Estados Unidos mais competitivas internacionalmente.







