Nos mercados acionários dos Estados Unidos, os principais índices futuros operam sem direção única. Após duas sessões de franco otimismo e apetite global por riscos, impulsionados por um corte de juros de 0,50 p.p. pelo Federal Reserve, o ambiente de negócios no exterior parece realizar um suave movimento de realização de lucros, o que reduz parcialmente os ganhos acumulados pelos ativos arriscados nos últimos dias. Nesse sentido, o volume e a volatilidade dos negócios nos mercados de ativos globais podem ser intensificados pela ocorrência do “triple witching”, jargão do mercado financeiro para o evento trimestral em que ocorre vencimento simultâneo das opções de ações, opções de futuros e opções de índices nos EUA.
Na região da Ásia e Pacífico, os principais mercados operam em alta. O Banco Central do Japão (BoJ) manteve sua taxa básica de juros inalterada em 0,25% a.a. e comunicou que será paciente antes de aumentar os juros. A ausência de uma sinalização clara sobre novas altas de juros frustrou a expectativa de investidores, resultando em um enfraquecimento do iene. Para ter mais detalhes de como essa decisão impacta a moeda brasileira, acesse o nosso relatório de Abertura de Câmbio, que explora um pouco mais o assunto. Na Europa, os principais índices operam no campo negativo, após dados de atividade econômica não atenderem às expectativas.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) abre com altas, mas vira para queda na manhã desta sexta-feira (dia 20). Investidores aguardam pela divulgação do Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do quarto bimestre, à tarde, pelos ministérios da Fazenda e do Orçamento e Planejamento. Nos últimos meses, a percepção de riscos fiscais para ativos brasileiros entre investidores se elevou, particularmente em função de uma aparente resistência do governo federal em reduzir despesas públicas e buscar equilibrar as contas públicas principalmente por meio de medidas que aumentem a arrecadação federal. Há uma expectativa de uma revisão para baixo das receitas e para cima dos gastos, exigindo elevação do bloqueio do Orçamento, o que pode resultar em maior exigência por prêmios de riscos e enfraquecer o real.
Os preços futuros da soja recuam no pregão noturno desta sexta-feira (dia 20), após alguns ganhos anteriormente. Nos últimos dias, os mercados agrícolas têm monitorado as previsões climáticas nas principais regiões produtoras de grãos pelo mundo. Como explorado em edições deste relatório ao longo da semana, a situação no Brasil acende um alerta ao mercado. A estiagem prolongada no país vem atrasando o plantio do grão, o que pode desencadear uma série de fatores prejudiciais não apenas à soja, mas a outras culturas que serão plantadas na sequência, como o milho e o algodão.
As movimentações nos preços futuros do milho se assemelham às da soja na manhã de hoje. De forma parecida, o milho também é alvo de incertezas a respeito das condições climáticas dos locais onde é mais cultivado. No entanto, a colheita das lavouras nos Estados Unidos traz algum alívio aos mercados neste momento.
Previsões de chuva para as regiões centrais do Brasil no fim de setembro e início de outubro também devem ajudar a amenizar as preocupações sobre o avanço do plantio da soja e, consequentemente, sobre possíveis atrasos futuros no plantio do milho safrinha no Brasil.
Os contratos futuros do trigo operam em alta nesta manhã, mesmo após exportações semanais mais baixas que o previsto nos Estados Unidos. Na última semana, a escalada na guerra entre Rússia e Ucrânia levantou preocupações entre os investidores do cereal. Agora, esta situação já se normalizou, no entanto, o clima no Mar Negro continua a ameaçar as condições da safra em andamento.









