Nos Estados Unidos, o mercado de ativos de capital opera no campo positivo no início desta nova semana. Em dia de agenda leve, o mercado de divisas deve repercutir a divulgação do Relatório de Receitas e Despesas Primárias do quarto bimestre, que surpreendeu ao reduzir o contingenciamento do Orçamento pelo governo federal e piorou a percepção de riscos fiscais no Brasil.
Entre os mercados asiáticos, a tendência majoritária é de alta entre os principais índices que operam na região. Na China, dados sobre a taxa de desemprego juvenil apontaram um aumento pelo segundo mês consecutivo. Na Europa, as bolsas de valores também têm maioria no campo positivo, no entanto, dados da atividade empresarial da Alemanha e França indicaram um declínio na atividade econômica de ambos os países, desapontando investidores.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) abre em queda nesta segunda-feira (dia 23). Investidores reagiam negativamente à divulgação do Relatório de Receitas e Despesas Primárias do quarto bimestre pelo governo federal na noite da sexta-feira, que surpreendeu ao reduzir o contingenciamento das despesas do Orçamento de 2024 de R$ 15 bilhões para R$ 13,3 bilhões – antes de sua publicação, a maior parte dos analistas antecipava uma elevação do bloqueio do Orçamento. De acordo com os Ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento, os ganhos de arrecadação superam o ritmo de crescimento de despesas obrigatórias e permitem a liberação adicional de recursos sem comprometer o cumprimento da meta fiscal do ano, projetando-se um déficit primário de R$ 28,3 bilhões, levemente abaixo do déficit máximo autorizado de R$ 28,8 bilhões (que representa 0,25% do Produto Interno Bruto estimado para o ano). Na visão de analistas, o desempenho do quarto bimestre se deu por fatores temporários e não deve se sustentar ao longo do ano, o que exigirá um bloqueio mais conservador por parte do Executivo no próximo relatório, em novembro. Dessa forma, ao optar por uma projeção mais otimista para as contas públicas e que corre sérios riscos de não se realizar, o Palácio do Planalto piora sua credibilidade frente aos agentes do mercado financeiro, sinaliza uma resistência em ajustar o nível de despesas federais e deve resultar na maior exigência de prêmios de riscos por investidores, o que prejudica a perspectiva de fluxos cambiais para o país e tende a enfraquecer o real. Acesse o nosso relatório de Abertura de Câmbio para ter um panorama mais detalhado da dinâmica dos mercados de divisas.
O clima quente e seco no Brasil, que vem sendo acompanhado há algum tempo pelos agentes do mercado, tem surtido maiores efeitos sobre as cotações da soja na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT, para a sigla em inglês), recentemente, verificando-se por meio de uma elevação dos preços. O impacto imediato das condições climáticas adversas para os cultivos da soja é o atraso do plantio, que geralmente se inicia após as primeiras chuvas em setembro. O atraso pode desencadear efeitos negativos também sobre as culturas que virão na sequência, como o milho e o algodão.
Os futuros do milho, assim como os da soja, são impulsionados pela estiagem em andamento em importantes regiões produtoras de grãos do Brasil. As condições climáticas não impactam diretamente os cultivos do milho neste momento, mas pode afetar os próximos, por esse motivo os reflexos da crise climática sobre os preços do milho neste momento.
Os preços futuros do trigo também são sustentados por condições climáticas adversas em regiões produtoras, desta vez concentradas em países do Hemisfério Norte. A preocupação com o clima ruim e novos cortes nas estimativas de safra para a União Europeia fizeram os preços futuros do trigo subirem na última sessão. No entanto, os ganhos são limitados pelos baixos preços de exportação oferecidos pela Rússia, o que torna o trigo russo mais competitivo em relação aos demais.









