Os principais índices futuros que operam em Wall Street apresentam perdas na abertura dos mercados nesta quarta-feira (dia 02). Os investidores aguardam a divulgação de estimativa para emprego privado nos EUA. Ao mesmo tempo, os mercados globais devem refletir os temores que pairam de uma ampliação do conflito no Oriente Médio. Por outro lado, pode contribuir com o fortalecimento do dólar a divulgação da pesquisa de empregos privados de setembro nos EUA do instituto ADP, que saiu acima das expectativas ao apontar 143 mil novos empregos criados. A mediana das estimativas apontava para 125 mil novas vagas, avançando, inclusive, em relação ao mês de agosto, quando foram criados 103 mil novos postos de trabalho. Este indicador é o segundo de três dados importantes sobre o mercado de trabalho americano a serem divulgados nesta semana, juntamente com o JOLTS, divulgado ontem, e o relatório de "payroll" previsto para sexta-feira. O mercado de trabalho tem sido um foco central para os investidores, que buscam avaliar a resiliência da atividade produtiva e a robustez das condições de emprego nos EUA. O relatório divulgado hoje ajuda a consolidar um cenário de desaceleração gradual, reforçando a possibilidade de um "pouso suave" da economia. Esse cenário indicaria um ritmo mais lento para eventuais cortes de juros por parte do Fed, o que, por sua vez, poderia impulsionar o fortalecimento do dólar.
Entre os mercados asiáticos, operam sem direção única. Enquanto uma parte está fechada devido a feriados nacionais, as demais estão atentas aos desdobramentos dos conflitos entre Irã e Israel para a economia global. Na Europa, a tendência também é de sinais mistos, mas com altas puxadas pela valorização de ações ligadas aos setores de petróleo, gás e de defesa. A edição de hoje do nosso relatório de Abertura de Câmbio se aprofunda na temática que deve movimentar os mercados pelas próximas semanas.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) apresenta abertura positiva, com a elevação da nota de crédito soberano brasileiro pela agência de classificação de risco Moody’s. Cinco meses após elevar a perspectiva de crédito brasileiro de “neutra” para “positiva”, a agência elevou a nota do Brasil de Ba2 para Ba1, mantendo a perspectiva positiva, deixando a apenas um nível do chamado “grau de investimento” (Baa3). Em nota, a agência cita um crescimento econômico mais robusto do que o antecipado e um histórico crescente de reformas que conferem resiliência ao seu perfil de crédito, embora a classifique a credibilidade do arcabouço fiscal como “moderada”. “A despeito de uma carga de dívida relativamente alta, a solidez fiscal do Brasil se beneficia de um grande mercado interno que permite ao governo emitir principalmente em moeda nacional e de ativos líquidos consideráveis no valor de cerca de 15% do PIB”. Nesse sentido, a evolução da nota de crédito brasileira se alinha aos comentários de ontem do presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, de que a exigência de prêmios de risco de ativos brasileiros parece exagerada em comparação com outras economias.
Os preços da soja enfrentam algumas baixas no pregão noturno desta quarta-feira (dia 02), após ganhos para o mercado em sessões anteriores. A alta foi limitada pelas previsões de chuva para importantes regiões produtoras no Brasil, aliviando as preocupações sobre o atraso no plantio devido ao clima seco.
O mercado internacional de milho foi um pouco abalado em meio à escalada dos conflitos entre Irã e Israel, devido a um forte aumento nos preços do petróleo. O aumento dos preços do petróleo pode refletir em uma maior competitividade e, consequentemente, um amento na demanda por biocombustíveis, incluindo aqueles que utilizam o milho como matéria-prima. Diante deste cenário, os preços do grão se aproximaram das máximas de três meses nas negociações na manhã de hoje.
No mercado trigueiro, os preços internacionais se aproximam da máxima dos últimos três meses e meio, nas cotações do pregão noturno desta quarta-feira (dia 02), motivados por preocupações com a oferta. O clima seco na região do Mar Negro e na Austrália tem lançado preocupações ao mercado, de que as adversidades reflitam em uma redução na oferta mundial.
A estiagem na região do Mar Negro vinha favorecendo o avanço da colheita do trigo de primavera russo, no entanto, neste ponto, começa a prejudicar o plantio da nova safra.







