Os principais índices futuros com atividades em Wall Street operam em baixa na manhã desta segunda-feira, 04 de novembro - O ambiente de negócios continua sendo de bastante cautela enquanto os agentes do mercado financeiro aguardam pela eleição presidencial americana, que se encerra amanhã e continua praticamente imprevisível. Porém, uma inesperada recuperação das intenções de votos para a candidata democrata, Kamala Harris, em pesquisas divulgadas no final de semana levou a uma reversão parcial no posicionamento de investidores, que, nas últimas semanas, buscaram se preparar para efeitos de uma possível vitória do candidato republicano, Donald Trump, resultando em um enfraquecimento global da moeda americana e beneficiando o desempenho de ativos arriscados, como commodities e moedas de países emergentes, como o real.
Os mercados asiáticos operam, em sua maioria, no campo positivo - Os investidores da região aguardam estímulos fiscais chineses para reanimar a economia do país, que se encontra em desaceleração. Na Europa, os mercados operam em baixa, - com os investidores atentos às eleições presidenciais estadunidenses.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) iniciou as operações no campo positivo, - com alívio no cenário doméstico. O dólar negociado no mercado interbancário apresentava forte tendência de baixa nas primeiras operações desta segunda-feira, quando era cotado ao redor de R$ 5,81 (10h30min), refletindo um cenário de ajustes tanto no Brasil como no exterior. Internamente, o cancelamento da viagem ao exterior do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a pedido do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e a reunião de ambos nesta manhã junto com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, permitiu uma recuperação do real após pesadas perdas na última sexta-feira (01). Nas últimas semanas, uma profunda crise de confiança dos investidores em relação à condução da política fiscal brasileira e uma leitura de que o Palácio do Planalto demonstra pouca urgência e pouca importância para uma redução das despesas públicas resultou em um crescente pessimismo de que o Executivo possa ajustar o nível de despesas públicas. O cancelamento da viagem de Haddad não deve ser o suficiente para reverter esse quadro de ceticismo, mas neste momento contribui para conter a piora contínua da percepção de riscos fiscais no Brasil e sugere que o governo federal possa acelerar a divulgação de medidas de cortes de gastos que vem sendo prometidas há semanas. Apesar do cenário de ajuste e alívio para o real nesta manhã, vale ressaltar que o boletim Focus desta segunda refletiu a elevação na percepção de riscos fiscais por investidores da semana passada e piorou as projeções medianas para a taxa de câmbio entre 2024 e 2027, para a inflação entre 2024 e 2026 e para os juros entre 2025 e 2027. Esta piora, por sua vez, deve consolidar as apostas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) deva acelerar seu ciclo de altas para a taxa básica de juros (Selic) a fim de tentar reaproximar as expectativas inflacionárias dos agentes para o centro da meta inflacionária buscada pelo Banco Central. Todos esses debates, você pode acompanhar no nosso relatório de Abertura de Câmbio.
Os preços futuros da soja operam em alta na semana que se inicia hoje, 04 de novembro. O principal fundamento que tem impulsionado as cotações da soja em Chicago tem sido as melhores perspectivas de exportação dos Estados Unidos. O enfraquecimento do dólar nesta segunda-feira traz esperança de um aquecimento nas exportações estadunidenses para o mercado de grãos.
Nossa equipe atualizou, na manhã desta segunda-feira, o Resumo Semanal de Soja. O relatório apresenta os principais fatores que movimentaram o mercado da soja na última semana, com destaque para o clima favorável na América do Sul. Para conferir o conteúdo completo, clique aqui.
O milho, da mesma forma que a soja, opera com ganhos nesta manhã, influenciado pelo otimismo relacionado à demanda dos grãos no mercado estadunidense.
Por outro lado, incertezas referentes à dinâmica política dos Estados Unidos também afetam os agentes do mercado de grãos. Nesse sentido, o resultado das eleições presidenciais no país deve continuar sobre o radar, podendo afetar os ânimos do mercado nos próximos dias, diante da possibilidade de um retorno da “guerra comercial” entre os Estados Unidos e a China.
Apesar das baixas, os fundamentos do mercado do trigo são positivos na manhã desta segunda-feira. Além do fator benéfico causado pelo enfraquecimento do dólar frente às demais moedas pelo mundo, sinais de novas compras pelo Egito também atuam como um incentivo aos preços do cereal em Chicago.
A vigência de restrições não oficiais à exportação de trigo de origem russa pode despertar maior competitividade entre os cereais produzidos em outras importantes praças pelo globo, incluindo os Estados Unidos, com maiores chances para vendas de exportação.









