Os principais índices futuros com atividade nos Estados Unidos operam sem direção definida na manhã desta segunda-feira, 02 de dezembro, enquanto os investidores aguardam novos dados sobre a conjuntura do mercado de trabalho estadunidense. No exterior, a sessão é de fortalecimento mundial da moeda americana, em especial por conta de receios políticos na União Europeia. O euro recuava ante o dólar após o presidente do partido de extrema-direita, Reunião Nacional, ameaçar romper a coalisão que sustenta o governo e, com isso, elevar temores de instabilidade e incerteza sobre a política fiscal do país. Adicionalmente, moedas das economias do BRICS, dentre elas o real, sofrem pressão adicional após o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, ameaçar uma imposição de tarifas de importação de 100% sobre os produtos dessas nações caso apoiem a utilização de qualquer alternativa para transações econômicas que não seja o dólar.
Entre os mercados asiáticos, as bolsas avançam à medida que novos dados indicam uma estabilização da economia chinesa, com a atividade manufatureira tendo crescido pelo segundo mês consecutivo em novembro. Na Europa, os mercados acumulam ganhos nesta manhã, enquanto os investidores aguardam novos indicadores econômicos para a região, como o índice de gerentes de compras (PMI, para a sigla em inglês) da indústria europeia, e o produto interno bruto (PIB) da Itália.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) inicia o dia em alta, mas logo vira para queda, com a atenção dos investidores ainda voltada para os ajustes fiscais. Internamente, o desempenho do real continua sendo prejudicado pela percepção mais elevada de riscos fiscais dos ativos brasileiros após a divulgação de medidas econômicas do governo federal, que aprofundou o pessimismo de investidores ao incluir inesperadamente a ampliação da isenção do Imposto de Renda entre as medidas e reforçar a leitura de que de o Palácio do Planalto demonstra pouca urgência, pouca importância e pouca vontade política para a necessidade de ajustes estruturais dos gastos públicos (leia mais sobre o tema no Panorama Semanal de Câmbio). Esse pessimismo se manifesta, por exemplo, no boletim Focus desta segunda-feira, que mostra piora das expectativas para inflação, juros e câmbio em 2025 e 2026. Adicionalmente, investidores devem acompanhar falas de Gabriel Galípolo sobre como esse ambiente de percepção de riscos mais elevados deve impactar a trajetória da taxa básica de juros (Selic), provavelmente indicando um ciclo mais rígido e mais longo de aperto monetário no Brasil. Para acompanhar o debate em torno deste e outros temas, acesse nosso relatório de Abertura de Câmbio.
No mercado da soja, os futuros caem no pregão noturno desta segunda-feira, 02 de dezembro, após estimativas indicarem uma produção recorde para a soja no Brasil.
As previsões apontam para uma colheita de 172,2 milhões de toneladas de soja para o Brasil na safra 2024/25, com as expectativas indicando uma superação do recorde anterior, da safra 2022/23, de 162,4 milhões de toneladas. As estimativas esperam um aumento de 10,7% na produção em relação ao ciclo anterior, que fora prejudicado por condições climáticas adversas.
O milho, de forma semelhante à soja, também registra algumas perdas nesta sessão, perdendo parte dos ganhos que foram obtidos em sessões anteriores.
No que tange à demanda internacional, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) informou que o volume das vendas de exportação semanais para o milho estivera em linha com as expectativas do mercado, de acordo com os dados informados em seu último relatório de Exportações Semanais de Grãos – EUA.
A ampla oferta prevista para o atual ciclo produtivo do trigo tem gerado pressões sobre os preços futuros do cereal na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT), no entanto, as restrições às exportações da região do Mar Negro, especialmente da Rússia, limitam as perdas.
As safras recém-colhidas no hemisfério sul têm colocado mais trigo à disposição no mercado, o que levou a uma queda nos preços futuros.







