Nos Estados Unidos, os principais índices futuros com atividades em Wall Street operam sem direção única, enquanto os investidores aguardam novos dados sobre a inflação do país, que certamente influenciarão a decisão do Federal Reserve (Fed) sobre trajetória da política monetária no país.
Na região da Ásia e Pacífico, os mercados também operam de forma mista. Globalmente, investidores reagem a dados piores que o antecipado para o comércio exterior chinês. O crescimento anual das exportações recuou de 12,7% em outubro para 6,7% em novembro, abaixo da estimativa mediana de 8,5%, enquanto a queda anual das importações aumentou de -2,3% para -3,9%, contrariando uma estimativa mediana de crescimento de 0,3%. Os números piores que o esperado para exportações elevam as preocupações de investidores em relação a um dos poucos segmentos dinâmicos da economia chinesa enquanto enfrenta ameaças de barreiras tarifárias de parceiros importantes, como EUA e União Europeia. Além disso, o recuo das importações reforça a percepção de desaceleração da demanda interna e de que são necessários estímulos mais volumosos pelas autoridades para sustentar a expansão do país. Com isso, deve haver piora para as perspectivas de crescimento da demanda por commodities pela segunda maior economia global, o que tende a prejudicar o desempenho de moedas de países exportadores de produtos primários, tal como o real. Entre os mercados europeus, as principais bolsas também operam sem direção única, enquanto os investidores aguardam novos dados sobre a inflação dos Estados Unidos.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) inicia o dia em alta, enquanto os investidores locais repercutem o IPCA referente ao mês de novembro. O índice reduziu sua alta mensal de 0,56% em outubro para 0,39% em novembro, porém sua alta anual passou de 4,76% para 4,87% no período. O índice foi influenciado pela queda de 6,27% nos preços de energia elétrica após a bandeira tarifária passar de vermelha patamar 2 em outubro para amarela em novembro, ao passo que a alta de 1,81% da alimentação no domicílio (puxada pela alta de 8,02% de carnes) impediu uma desaceleração maior. A composição do IPCA, contudo, foi ruim, com a alta mensal do núcleo de preços, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia, passando de 0,25% em outubro para 0,54% em novembro e os preços de serviços passando de 0,35% para 1,01% no mesmo período (puxados pelo aumento de 22,65% das passagens aéreas e de 14,91% dos cigarros). Esta leitura deve consolidar as expectativas de que o Brasil não atingirá a meta de inflação neste ano, cuja tolerância máxima é de 4,5%, e que o Comitê de Política Monetária deve realizar um ciclo mais firme e mais longo de altas para a taxa básica de juros (Selic), o que pode favorecer a expectativa de rentabilidade de títulos domésticos e contribuir para a atração de investimentos estrangeiros, fortalecendo o real. A Abertura de Câmbio trouxe ilustrações gráficas para tratar mais didaticamente sobre o tema.
Os futuros da soja obtêm ganhos na manhã desta terça-feira, 10 de dezembro. No entanto, as expectativas de que os países exportadores da América do Sul, como Brasil e Argentina, vão colher uma ampla safra do grão neste ciclo têm limitado os ganhos.
Os preços futuros do milho, cotados na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT, para a sigla em inglês) acumulavam alguns ganhos, mas agora recua. Os preços eram sustentados pela expectativa dos traders de que o Relatório de Oferta e Demanda (WASDE), elaborado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), previsto para ser publicado hoje, 10 de dezembro, às 14h, indique uma redução nos estoques do grão nos Estados Unidos.
Os preços variam perto de seus níveis mais altos desde junho, enquanto os investidores aguardam a publicação do WASDE para confirmar, ou não, suas expectativas. Os futuros ainda têm sido apoiados por uma forte demanda por milho dos EUA, com as inspeções para exportação atingindo o limite superior das expectativas comerciais.
Os preços futuros do trigo, por sua vez, recuaram nesta sessão, enquanto os investidores avaliam o tamanho da safra russa. A oferta abundante prejudicou o cereal em seus ganhos nesta manhã, indicando que as condições das safras russas estão melhores do que era sugerido por dados vazados na semana anterior. Analistas locais afirmam que ainda é cedo para supor um ano de produção ruim, mas a situação deve continuar sendo monitorada, para verificar se as suspeitas se confirmam ou não.









