Nos Estados Unidos, os principais índices com atividade em Nova York operam sem direção definida na manhã desta quarta-feira, 11 de dezembro. O principal guia da sessão deve ser a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de novembro nos EUA, que deve apresentar mais uma leitura aquecida. A mediana das estimativas aponta para um avanço de 0,3% tanto para o índice cheio como em seu núcleo, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia. Tal resultado manteria o avanço anual do núcleo em 3,3% pelo terceiro mês seguido, sugerindo que a inflação americana estacionou em um patamar distante da meta buscada pelo Federal Reserve, de 2% anuais. Assim, a divulgação do CPI deve reforçar a percepção de que os riscos inflacionários estão maiores do que o Fed antecipou ao começar seu ciclo de cortes de juros, em setembro, e que provavelmente será preciso manter um nível maior de aperto monetário para garantir a estabilização de preços no país. Além disso, os dados mais recentes para os EUA apontam, de maneira geral, para uma economia mais aquecida, o que reforça a percepção de que o Fed deve ser mais gradual em seu ciclo de cortes de juros. A maioria das apostas para a reunião de 18 de dezembro ainda antecipa um corte de 0,25 ponto percentual. Contudo, diante da economia em expansão, da inflação acima da meta e da incerteza associada às medidas econômicas do novo governo de Donald Trump, o panorama para novas reduções em 2025 permanece incerto.
Na região da Ásia e Pacífico, os mercados também operam sem direção única, com os investidores atentos aos desdobramentos de uma reunião econômica em Pequim, com a China adotando algumas medidas protecionistas diante da ameaça de uma guerra comercial com os Estados Unidos. Entre os mercados europeus, há perdas e ganhos, mas nenhuma bolsa operando com muita força, enquanto os investidores aguardam a divulgação de novos dados de inflação dos Estados Unidos.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) inicia a quarta-feira, 11 de dezembro, em queda, reduzindo um pouco dos ganhos que vem sendo acumulados ao longo da semana. Internamente, investidores aguardam com expectativa a decisão de juros do Comitê de Política Monetária (Copom), que deve acelerar o ciclo de aperto monetário no país. Desde a retomada do ciclo de altas em setembro, o balanço de riscos do Banco Central (BC) tem se deteriorado rapidamente, refletindo-se principalmente na piora recente dos ativos brasileiros, como da taxa de câmbio do real e da taxa dos contratos futuros de juros (DI). Tal cenário é em grande medida consequência de expectativas pessimistas para a evolução macroeconômica do país, diante da forte crise de credibilidade da condução da política fiscal brasileira junto a investidores. O contexto torna mais desafiadora a atuação do Comitê de Política Monetária, que enfrenta um balanço de riscos inflacionários mais assimétrico e com maior viés de alta do que há alguns meses. Essa percepção foi reforçada pela divulgação acelerada do IPCA de novembro, realizada ontem, que parece ter intensificado as apostas de um posicionamento mais firme na reunião de hoje. Parte do mercado projeta um aumento de 0,75 ponto percentual na taxa, enquanto uma parcela significativa aposta em uma elevação de 1 ponto percentual. Independentemente do tamanho da alta, parece certo que o Copom vai promover um ciclo de alta de juros maior e mais longo do que se imaginava, e que o tom do comunicado deve ser firme sobre os riscos de piora prolongada para as expectativas de câmbio e juros no país. Esta perspectiva de aperto monetário mais rígido para os próximos meses, por sua vez, pode favorecer a expectativa de rentabilidade de títulos domésticos e contribuir para a atração de investimentos estrangeiros, fortalecendo o real. Para acompanhar o tema com maiores detalhes, acesse a Abertura de Câmbio.
No mercado da soja, não houve grandes oscilações devido à compensação que se observou entre as expectativas de uma grande oferta na América do Sul e as estimativas mais altas que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, para a sigla em inglês) apontou para as exportações de óleo de soja nos Estados Unidos.
Mas as perspectivas de uma oferta abundante têm sido fatores determinantes para limitar os ganhos da soja neste momento.
Os futuros do milho seguem acumulando ganhos por mais uma semana, se aproximando dos níveis mais altos desde junho. Este movimento se deve ao indicativo de uma oferta mais apertada do grão nos Estados Unidos.
O cenário altista se intensificou depois que o USDA publicou seu Relatório Mensal de Oferta e Demanda (WASDE), na última terça-feira, 11 de dezembro, informou os estoques mais baixos para o milho nos últimos dois anos, contrariando as expectativas dos analistas.
O trigo também obtém ganhos na manhã desta quarta-feira, 11 de dezembro, à medida que os investidores repercutem os cortes que foram feitos pelo USDA na estimativa de produção para a União Europeia e para a Rússia.
Além disso, o relatório WASDE traz uma atualização nas estimativas de estoques dos Estados Unidos. A previsão é de que o final da temporada tenha cerca de 20 milhões bushels a menos do que a atualização feita no último mês, consolidando-se agora em 795 milhões de bushels.









