Os mercados estadunidenses operam com perdas na manhã desta quinta-feira, 12 de dezembro, com os investidores repercutindo os dados sobre a inflação ao consumidor (CPI) do mês de novembro, que deve auxiliar na consolidação das expectativas sobre a decisão do Federal Reserve em sua próxima reunião.
Na região da Ásia e Pacífico, os mercados fecharam em alta na maioria, com a motivação de expectativas de novas medidas de incentivo econômico vindas de Pequim. Paralelamente, as bolsas na Europa oscilam antes da decisão do Banco Central Europeu sobre a trajetória da taxa de juros do bloco econômico.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) opera em queda nessa manhã, enquanto os investidores repercutem a decisão mais firme do Comitê de Política Monetária, após o fechamento do mercado de ontem, que optou de forma unânime por elevar a taxa básica de juros (Selic) para 12,25%. Além do aumento de 1 ponto percentual na reunião de ontem, o órgão planeja realizar mais duas elevações de mesma magnitude nas próximas duas reuniões. Em seu comunicado, o Comitê explica que a realização de apertos sequenciais e mais intensos de juros se justificam pela piora do cenário futuro de inflação. Desde a retomada do ciclo de alta em setembro, o balanço de riscos do Banco Central (BC) tem se deteriorado rapidamente, com impactos significativos nos ativos brasileiros, como a desvalorização do real frente ao dólar e a elevação das taxas dos contratos futuros de juros (DI). Segundo o órgão, a “materialização desses riscos” permite interpretar que o cenário é menos incerto do que nas últimas reuniões, o que explica a decisão de indicar altas mais fortes na sequência. Tal postura favorece a percepção de compromisso do órgão com seu objetivo de estabilização de preços, ajudando a reduzir a exigência de prêmios de risco e elevando as expectativas de rentabilidade de títulos domésticos, o que favorece a entrada de investimentos estrangeiros e pode contribuir para a valorização do real. Por fim, investidores também acompanham notícias sobre o estado de saúde do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que passou por nova intervenção cirúrgica nesta manhã. O procedimento só foi comunicado no final da tarde de ontem e causou surpresa. Embora seja difícil antecipar quais impactos esse fato possa ter sobre o mercado de divisas, a saúde de um chefe de Estado é um item com potencial de ampliação da volatilidade de ativos de um país em função das interações entre cenário político e cenário econômico. Para acompanhar mais sobre o tema, acesse a Abertura de Câmbio.
O mercado da soja opera com perdas na manhã desta quinta-feira, 12 de dezembro, após as agências de notícias informarem expectativas positivas para as safras que devem ser colhidas no Brasil e na Argentina. A oferta abundante deve continuar limitando os ganhos ao longo das próximas semanas.
Os preços futuros do milho recuaram nesta sessão, após acumularem ganhos nos últimos dias, aproximando-se das máximas dos últimos cinco meses e meio. O movimento foi incentivado pelo anúncio do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, para a sigla em inglês) de que a elevação nas exportações estadunidenses reduziria os estoques do país para os seus níveis mais baixos em dois anos.
Novas atualizações sobre a safra argentina de trigo apontaram para uma colheita que deve superar as expectativas anteriores, de modo que os preços futuros recuam nesta sessão.
A bolsa de grãos de Rosário, na Argentina, informou que as condições das lavouras apresentaram uma melhora significativa recentemente, o que amplia as perspectivas de oferta do cereal no curto prazo.







