Nos Estados Unidos, os principais índices futuros com operação em Nova York obtêm ganhos na manhã desta segunda-feira, 16 de dezembro, enquanto os investidores aguardam a reunião do Federal Reserve (Fed) marcada para ocorrer na próxima quarta-feira, 18 de dezembro. Para a agenda de hoje, investidores devem observar a divulgação de novos indicadores econômicos americanos, em especial as prévias do Índice Gerente de Compras (PMI) para os setores industrial e de serviços do país em dezembro. Os indicadores atuam como um termômetro para o nível de atividade do país, sendo um dos últimos indicadores divulgados antes da decisão de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), na próxima quarta-feira (16). As estimativas medianas apontam para um nível de 49,4 pontos no PMI industrial e 55,7 pontos no PMI de serviços, sugerindo a manutenção da resiliência da atividade econômica norte-americana. Caso essas projeções se confirmem, reforçarão a percepção de um cenário mais aquecido, com risco inflacionário superior ao observado em meses anteriores e um enfraquecimento do mercado de trabalho menos provável do que o inicialmente imaginado. Nesse contexto, apesar de o mercado ainda prever, em larga medida, um corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros nesta quarta-feira, consolida-se também a percepção de que o banco central dos Estados Unidos poderá ser menos agressivo ao reduzir seus juros e, consequentemente, proceder de maneira mais gradual. Este cenário tende a impulsionar os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, contribuindo para o fortalecimento do dólar.
Na região da Ásia e Pacífico, os mercados operam majoritariamente em baixa, após investidores se decepcionarem com as vendas no varejo da China. Na Europa, os mercados também operam em queda, em resposta aos dados sobre a atividade econômica chinesa, além de uma certa instabilidade política entre o governo francês e o chanceler alemão, Olaf Scholz.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) inicia o dia em alta, apesar de o Boletim Focus desta semana mostrou uma piora nas projeções macroeconômicas brasileiras, com elevação das expectativas inflacionárias e patamares mais altos para a taxa de câmbio do real e para a Selic. Esta é a primeira publicação do Boletim desde a mais recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que optou por elevar a taxa básica de juros (Selic) em 1 ponto percentual e sinalizou a intenção de realizar novos ajustes de mesma magnitude nas duas próximas reuniões. A postura mais previsível adotada pelo comitê foi bem recebida pelos agentes de mercado, que enxergam um ambiente mais desafiador, sobretudo no que se refere aos riscos inflacionários. Entretanto, alguma incerteza com relação à condução da política monetária permanece, em parte devido ao menor alinhamento do governo federal com os objetivos delineados pelo BC, em particular pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista concedida ontem, o presidente reiterou críticas à abordagem mais restritiva do Banco Central, destacando que "a única coisa errada no país é o juro acima de 12%" e que "ninguém tem mais responsabilidade fiscal" do que ele. Dessa forma, por um lado, a expectativa de manutenção de juros elevados por um período prolongado no Brasil aumenta o diferencial de juros em relação a outros países, o que eleva a atratividade dos títulos domésticos, estimula a entrada de capital estrangeiro e contribui para a valorização do real. Por outro lado, contudo, o desalinhamento entre o Banco Central e o governo federal eleva a percepção de risco dos investidores, o que pode impactar negativamente a confiança no país e pressionar a desvalorização do real no cenário global. Para acompanhar mais do debate econômico mundial, acesse a Abertura de Câmbio.
Os contratos futuros da soja recuam no pregão noturno desta segunda-feira, 16 de dezembro, à medida que os investidores repercutem os dados decepcionantes para as exportações semanais de soja dos Estados Unidos.
As vendas de exportação informadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, para a sigla em inglês) na última semana foram de 1,17 milhão de toneladas, na semana que foi até o dia 5 de dezembro. Os números estiveram 49% abaixo da semana anterior e 42% abaixo na média das últimas quatro semanas, representando uma queda significativa.
Os futuros do milho, de modo semelhante à soja, apresentaram uma redução no volume de exportações que foi informado no último relatório de exportações do USDA, o que acabou levando uma certa apreensão ao mercado.
Os novos números foram 45% menores do que os informados da semana anterior, e 32% menores em relação à média das últimas quatro semanas. No entanto, as vendas acumuladas revelam que as exportações anuais cresceram em relação ao ano anterior, e acordos sugerem que o volume deve crescer ainda mais para este ano de comercialização.
No mercado do trigo, as vendas de exportação acumuladas também até então, neste ano de comercialização do grão estão 10% acima do montante registrado no último ano, e as perspectivas são de que este percentual se eleve ainda mais nos próximos meses. A iminência de restrições nas exportações da Rússia e da União Europeia devem ser favoráveis à comercialização dos Estados Unidos.
Na Rússia, alguns problemas na produção, como a atuação de condições climáticas adversas, incluindo a ocorrência de geadas, fizeram com que os preços operassem em alta na manhã desta segunda-feira.









