Entre os mercados estadunidenses, os principais índices com atividade em Wall Street operam com ganhos na manhã desta quinta-feira, 19 de dezembro. Como amplamente esperado, o Federal Reserve reduziu sua taxa de juros em 0,25 pontos percentuais na tarde de ontem, que passa a vigorar agora na faixa de 4,25% a 4,50% ao ano. Apesar da redução, a autoridade monetária sinalizou maior cautela quanto a futuros cortes, sobretudo considerando um cenário em que “a atividade econômica continua a se expandir em ritmo sólido”, “a taxa de desemprego permanece baixa” e “a inflação continua relativamente elevada”. Na atualização das Projeções Econômicas Sumarizadas, divulgada junto ao comunicado, a maior parte dos integrantes do conselho do Fed apresentou estimativas mais otimistas para a atividade econômica, além de prever inflação mais aquecida. Também indicou um ritmo mais moderado na redução da taxa de juros em 2025, com previsão de apenas mais um corte no próximo ano, mantendo os juros na faixa entre 4,00% e 4,25% ao final do próximo ano. Outro ponto de destaque foi a declaração do presidente do Fed, Jerome Powell, ao ser questionado sobre o impacto da posse de Donald Trump como presidente. Powell reconheceu que tanto a equipe técnica quanto os formuladores de política monetária começaram a considerar, de forma preliminar, os possíveis efeitos econômicos das promessas do presidente eleito, como tarifas mais altas, cortes de impostos e políticas migratórias mais rígidas. Segundo ele, "alguns participantes incorporaram estimativas altamente condicionais dos efeitos econômicos dessas políticas em suas projeções neste encontro". Hoje, os investidores estarão atentos à divulgação da última leitura do PIB do terceiro trimestre dos EUA. A expectativa é que os dados confirmem um crescimento de 2,8% no período, reforçando a resiliência da economia americana. Caso o resultado se concretize, poderá sustentar a visão de cortes mais graduais nos juros nas próximas reuniões, impulsionando os rendimentos dos títulos do Tesouro americano e potencialmente fortalecendo o dólar.
Na região da Ásia e Pacífico, os mercados operam em queda nesta manhã, com um movimento de vendas em andamento após o Fed reduzir a taxa de juros estadunidense. Entre os mercados europeus, a tendência também é baixista, à medida que os investidores assimilam a decisão tomada ontem pelo Fed.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) inicia o dia em alta. No cenário nacional, pode-se dizer que apesar do movimento de força global do dólar, que explica em partes o movimento de desvalorização recente do real, a moeda brasileira foi mais uma vez a maior penalizada nas sessão de ontem. A principal explicação segue sendo a percepção generalizada de elevado risco fiscal entre os investidores, que permanecem em desconfiança sobre o compromisso do governo em estabilizar os gastos públicos. Sem uma solução clara à vista, como medidas críveis de ajuste das contas que garantam o cumprimento da meta de déficit zero em 2025 e sua sustentabilidade no longo prazo, permanece amplo o espaço para especulação no mercado de câmbio, favorecendo movimentos bruscos e a trajetória consistente de alta das cotações. Ontem, o pessimismo se reforçou em meio ao andamento do pacote fiscal no Congresso, com sucessivas “desidratações” de medidas importantes. Hoje, a tensão entre os investidores permanece, que devem acompanhar de perto novos desenvolvimentos sobre a tramitação do pacote no Congresso. Para mais detalhes sobre o debate, acesse a Abertura de Câmbio.
Os preços futuros da soja atingiram suas mínimas dos últimos quatro anos, em meio ao excesso de oferta do grão no mercado e um dólar fortalecido internacionalmente. Nesta quinta-feira, 19 de dezembro, os preços atingem o seu nível mais baixo desde setembro de 2020 em Chicago, sob a pressão do dólar em patamares elevados frente às outras moedas, além do momento baixista que enfrenta o óleo de soja e com os investidores do mercado aguardando uma colheita recorde do grão para o Brasil, o principal exportador mundial deste produto.
As chuvas recentes que atingiram as regiões produtoras no Brasil favoreceram os cultivos e contribuíram para uma consolidação das expectativas de uma grande safra na América do Sul.
Os preços futuros do milho também caem nesta manhã, de modo semelhante à soja.
A decisão do Federal Reserve (Fed) de cortar em 25 pontos-base a taxa de juros dos Estados Unidos, contribuiu para uma escalada do dólar, em relação a uma cesta de moedas, que não se via desde novembro de 2022. Por essa lógica, a produção estadunidense se torna menos competitiva nos mercados globais, instigando quedas nos preços do grão negociados na bolsa.
O trigo, assim como os demais grãos mencionados, também opera com perdas, acompanhando o movimento baixista da soja.
As condições climáticas favoráveis em partes da Austrália também contribuem para a queda observada nos preços futuros do trigo. A ausência de chuvas nos próximos dias deve permitir que os agricultores vão ao campo e avancem na colheita do cereal.







