Nos Estados Unidos, os principais índices futuros com atividades em Nova York operam em baixa na manhã desta sexta-feira, 20 de dezembro. No exterior, o destaque do dia deve ser a divulgação do Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE) dos EUA de novembro. De acordo com a mediana das estimativas, tanto o índice cheio quanto o núcleo, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia, devem apresentar variação mensal de 0,2%, mantendo-se em linha com os dados do mês anterior. Já o indicador de despesas pessoais tem previsão mediana de acelerar dos 0,4% em outubro para 0,5% em novembro. Se confirmados, esses resultados devem reforçar a percepção de uma inflação controlada no país, porém persistentemente acima da meta de 2% anuais do Federal Reserve. Esse quadro fundamentou a decisão do Federal Reserve na última quarta-feira, ao optar por um novo corte de 0,25 ponto percentual nos juros, ao mesmo tempo em que sinalizou que não deve haver mais reduções previstas no horizonte próximo. A publicação do PCE, assim, deve consolidar a ideia de que novembro foi relativamente aquecido e que a estabilização inflacionária poderá levar mais tempo do que o desejado. Nesse contexto, intensifica-se a expectativa de que o Federal Reserve promova cortes de juros de forma mais gradual e lenta. Esse posicionamento, por sua vez, tende a favorecer a rentabilidade dos títulos denominados em dólar, contribuindo para o fortalecimento da moeda norte-americana.
Entre os mercados asiáticos, as bolsas também apresentam perdas nesta sessão, seguindo a tendência observada em Wall Street, assim como na Europa, em que os mercados operam de forma generalizada em queda.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa inicia o dia em queda, contribuindo para o acúmulo de perdas nesta semana. Nesta quinta-feira (19), o Senado aprovou em dois turnos a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 54/2024 do corte de gastos. A proposta, que agora segue para promulgação pelo Congresso Nacional, incluiu alterações nos critérios de elegibilidade ao abono salarial e de correção do valor pago acima da inflação, que permitirá uma economia estimada de R$ 18,1 milhões em seis anos aos cofres públicos. Por outro lado, a PEC também sofreu desidratações, como a flexibilização na regra proposta pelo governo para limitar o pagamento de verbas indenizatórias – os chamados “penduricalhos” – além do teto do funcionalismo público, que é de cerca de R$ 44 mil mensais. Com a modificação proposta pela Câmara e ratificada no Senado, o tema dos supersalários deverá ser regulamentado por lei ordinária específica, o que pode resultar em um aumento de gastos com esses benefícios, e por ora os valores extratexto não serão afetados. Hoje, deve ser votado o último projeto de lei que finaliza o pacote fiscal, a discussão centra-se em mudanças nas regras de reajuste do salário-mínimo e na ampliação da fiscalização para o recebimento do Benefício de Prestação Continuada (BPC). Para acompanhar mais detalhes sobre o tema, acesse a Abertura de Câmbio.
Os preços futuros da soja operam mais próximos da estabilidade, mas, ainda assim, acumulam perdas de mais de 2% no acumulado semanal, com o movimento da última quinta-feira, 19 de dezembro, tendo pesado ainda mais sobre os futuros na semana. O momento de fortalecimento do dólar, aliado às circunstâncias baixistas que rodeiam o óleo de soja nos últimos dias.
O milho opera em alta nesta manhã, mas adquirindo um caráter mais estável nesta semana. Ainda assim, as cotações do grão em Chicago se mantêm próximas das máximas de cinco meses e meio, após a redução da previsão para os estoques finais dos Estados Unidos, feita pelo Departamento de Agricultura do país (USDA).
Nesta sessão, os preços futuros do trigo operam com ganhos, recuperando-se das perdas acumuladas ao longo dos últimos 6 dias, no entanto, o patamar atual de um dólar fortalecido continua pressionando os preços futuros.
A queda semanal acumulada já supera os 3%, devidos aos fatores citados e, ainda, uma ampla oferta do cereal no mercado internacional.







