Entre as bolsas com atividades em Wall Street, todos operam com ganhos na manhã desta quarta-feira, 15 de janeiro. O principal direcionador para a sessão deve vir com a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de dezembro dos Estados Unidos. As estimativas medianas apontam para uma aceleração mensal de 0,3% no nível de preços, em linha com o observado nos últimos dois meses. Em contrapartida, projeta-se que o núcleo do índice, que exclui os componentes voláteis de alimentação e energia, desacelere de 0,3% para 0,2% no mesmo intervalo. Se confirmados, esses resultados podem reforçar a perspectiva de uma inflação mais persistente, acima da meta de 2% estabelecida pelo Federal Reserve (Fed), com estimativas de que o índice geral acumule alta de cerca de 2,7% em 2024 e de 3,3% em seu núcleo. Diante desse contexto, os dados do CPI tendem a sustentar a postura cautelosa do Fed em sua condução de política monetária, sobretudo em meio a indicadores recentes que têm sinalizado maior aquecimento da economia dos EUA. Convém ressaltar, contudo, que a divulgação do Índice de Preços ao Produtor (PPI), no dia anterior, ficou abaixo das projeções do mercado, interrompendo a sequência de dados econômicos recentes mais fortes no país e alimentando a expectativa de uma possível desaceleração mais acentuada para os próximos indicadores de atividade econômica. Em razão disso, os investidores seguem acompanhando atentamente as divulgações futuras, com o objetivo de avaliar a resiliência da economia no país. Caso o nível de preços mantenha sinais de firmeza, pode haver fortalecimento dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA e, consequentemente, do dólar. Em sentido inverso, se os dados sinalizarem arrefecimento da inflação, pode ser observado novo recuo da moeda norte-americana, a exemplo do que se observou ontem após o PPI mais brando.
Na Ásia, os mercados encerraram seu pregão noturno de forma mista. Os investidores digerem a injeção de uma quantidade quase histórica de dinheiro no sistema financeiro chinês, pelo Banco Popular da China, e como isso deve repercutir nos mercados nas próximas semanas. Entre os mercados europeus, a tendência é altista, enquanto os agentes permanecem atentos aos dados sobre a inflação dos Estados Unidos.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) iniciou o dia em queda, mas logo se recuperou e opera em alta. O principal destaque para o país é a divulgação da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), que apontou queda de 0,9% no volume de serviços em novembro, na comparação com outubro. Em relação ao mesmo período de 2023, porém, o indicador avançou 2,9%. No acumulado de janeiro a novembro, o setor registrou expansão de 3,2% e, até a divulgação de hoje, encontrava-se em seu maior nível desde o início da série histórica, em 2011. Além disso, o dado de outubro passou por revisão, de uma alta de 1,1% para um avanço de 1,4%. Vale destacar que os demais indicadores de atividade econômica para novembro também mostram desaceleração, com as vendas no varejo recuando 0,4% e a produção industrial registrando queda de 0,6%. Especialmente caso a diminuição no nível de atividade no país permaneça nos próximos indicadores, pode haver uma mudança nas apostas para a trajetória de juros no país, o que tende a desvalorizar o real frente a outras moedas. Para ter acesso a mais detalhes acerca da dinâmica que movimenta os mercados nesta manhã, acesse a Abertura de Câmbio.
Preços futuros da soja apresentam alguns ganhos, mantendo-se estáveis, mas ainda próximos das máximas de vários meses. Os investidores seguem observando as condições climáticas na América do Sul, especialmente as chuvas no Brasil e a seca na Argentina.
Em algumas regiões produtoras de soja no Brasil, o início da colheita tem atrasado mais do que a média dos últimos anos, devido às chuvas que caem, por exemplo, nos estados do Centro-Oeste, região responsável pela produção do maior volume de soja do país. Ainda assim, as expectativas são de uma produção recorde da oleaginosa para o país.
Com o milho, tem-se observado um movimento semelhante, com os investidores ainda atentos aos dados sobre a inflação dos Estados Unidos, para acompanhar as expectativas acerca da trajetória das taxas de juros de juros no país.
Os traders ainda repercutem a atualização das estimativas feita pelo USDA na última sexta-feira, 10 de janeiro, que indicou uma redução na produção estadunidense do grão, assim como para os estoques finais deste ciclo, além do que os analistas haviam imaginado.
Os futuros do trigo, ao contrário, recuam nesta manhã, em um cenário que associa uma competitividade elevada e demanda de exportação enfraquecida no mercado internacional.









