Nos Estados Unidos, os índices futuros com operações em Wall Street acumulam fortes perdas na manhã desta segunda-feira, 27 de janeiro. Contribui para a aversão global a riscos e para o enfraquecimento do real a maior possibilidade de aumento das tarifas de importação pelos EUA contra as demais nações do mundo. No fim de semana, os Estados Unidos e a Colômbia quase iniciaram uma “guerra comercial” após o país sul-americano recusar, inicialmente, receber aeronaves militares do norte-americano que deportavam em massa imigrantes colombianos. O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou impor tarifas e sanções à Colômbia para puni-la por se recusar a aceitar os voos com deportados, o que levou os dois países a chegarem a um acordo, com Bogotá aceitando os migrantes e Washington não impondo as penalidades.
Entre os mercados asiáticos, não há direção única na operação das bolsas. Parte da aversão observada nos mercados era reflexo do lançamento de um assistente de inteligência artificial (IA) durante o fim de semana pela startup chinesa DeepSeek, que afirmou que sua tecnologia apresenta melhor custo-benefício e utiliza chips menos avançados. Parte da interpretação recente de uma “exuberância” econômica dos EUA estava na leitura de que o avanço da IA exigiria um longo ciclo de investimentos em tecnologia, em particular em chips mais sofisticados e potentes e uso mais intensivo de servidores para armazenamento de grandes bases de informação, o que levou, ao mesmo tempo, a uma rápida elevação dos investimentos das empresas nessas áreas e a um forte otimismo de investidores quanto à perspectiva de rentabilidade futura das empresas de tecnologia listadas nas bolsas americanas, supostamente à frente nessas tecnologias. O anúncio chinês, entretanto, desafia essas premissas e traz incertezas sobre a dominância tecnológica dos EUA, o que, por sua vez, provoca um comportamento avesso ao risco de investidores, que buscam moedas consideradas “portos-seguros” para momentos de incerteza, como o franco suíço e o iene japonês, prejudicando o desempenho do real. Na Europa, os principais mercados recuam nesta manhã, em reflexo do momento de incerteza internacional.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) também opera no campo negativo nesta manhã. No país, o boletim Focus apresentou forte alta para a previsão mediana para inflação no Brasil em 2025, passando de 5,08% para 5,50%. Esse movimento de altas persistentes para as expectativas inflacionárias, por sua vez, reforça uma leitura de que o Banco Central do Brasil deve aumentar intensamente a taxa básica de juros (Selic) ao longo do ano, o que pode ajudar na atração de investimentos estrangeiros e amenizar o enfraquecimento do real. Para acompanhar as temáticas que movimentarão os mercados ao longo do dia, acesse a Abertura de Câmbio.
No mercado da soja, os preços futuros iniciaram a manhã desta segunda-feira, 27 de janeiro, com algumas perdas, mas logo se recuperaram e agora obtêm alguns ganhos, enquanto os traders se preocupam com a demanda por produtos agrícolas nos Estados Unidos.
O cenário atual inclui uma dose de incerteza às negociações, à medida que o mercado acompanha as novas políticas comerciais anunciadas pelo novo governo estadunidense, bem como os rumores em torno de outras novas.
No mercado do milho, os preços também recuam. Os investidores estão atentos aos movimentos do novo governo Trump, e as ameaças de que pudesse impor rígidas tarifas para vários parceiros comerciais dos Estados Unidos. No entanto, o que se viu foi “apenas” a publicação de um memorando informando que todos os acordos comerciais seriam revisados. Portanto, por ora os impactos não foram tão grandes quanto se esperava, mas o tema ainda pode render debates mais acalorados pelos próximos meses, a depender da postura adotada pelo novo governo.
Especialistas tem dito que os impactos da imposição de tarifas pesadas aos parceiros comerciais dos EUA podem trazer prejuízos econômicos ao país, considerando que a nova política tem um potencial para desencadear medidas retaliatórias de países afetados pelas taxas, o que, consequentemente, pode restringir as exportações de produtos agrícolas dos EUA.
O trigo, assim como outros grãos, opera no campo negativo nesta manhã. Os investidores ainda repercutem o movimento do governo argentino de baixar suas “retenciones”, ou seja, os impostos de exportação do país. No caso do trigo, os impostos que eram calculados anteriormente em 12% passaram a valer na alíquota de 9,5%.
Espera-se que a medida reflita em um aumento nos embarques do trigo argentino, que já se posicionava como um dos mais competitivos internacionalmente, e adquiriu uma grande vantagem por meio da nova determinação governamental.









