Nos Estados Unidos, os principais índices futuros acumulam ganhos na manhã desta terça-feira, 25 de fevereiro, depois de passarem por um momento de maiores preocupações com relação a uma possível guerra comercial envolvendo o país. Entre os mercados asiáticos, a maioria encerrou o dia no campo negativo, puxado por quedas em Wall Street durante a noite. Na Europa, por sua vez, as bolsas operam sem direção única nesta sessão.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) inicia a terça-feira com ganhos. O destaque da manhã foi a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que acelerou significativamente ao passar de uma alta de 0,11% em janeiro para 1,23% em fevereiro, na maior alta para o índice desde abril de 2022 (1,73%), porém abaixo da estimativa mediana de 1,34%. Essa aceleração foi resultado do fim do “bônus de Itaipu”, o que levou a energia elétrica a aumentar em 16,33% ante o mês passado, reajustes no transporte público e mensalidades escolares, bem como aumentos nos combustíveis e alimentos. O núcleo do indicador, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia, passou de 0,67% em janeiro para 0,65% em fevereiro, enquanto os preços de serviços passaram de 0,81% para 0,65% no mesmo período. Essa aceleração do IPCA-15 deve piorar as expectativas para a inflação ao longo de 2025 e reforçar a perspectiva de altas firmes para a taxa básica de juros (Selic), o que, por sua vez, melhora a perspectiva de rentabilidade dos títulos brasileiros e pode ajudar na atração de capitais externos, fortalecendo o real. Adicionalmente, investidores monitoram a participação em evento do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, após a trajetória das contas públicas brasileiras voltar ao foco. Ontem, o mercado reagiu negativamente às reportagens de imprensa que afirmavam que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, deve anunciar nos próximos dias a liberação do acesso ao FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para quem foi demitido após ter optado por fazer o saque aniversário, algo vetado pelas regras atuais. Essas preocupações se ampliaram após Lula anunciar a gratuidade de alguns produtos pelo programa Farmácia Popular e o início do pagamento de R$ 1 mil aos alunos participantes do programa Pé-de-Meia aprovados no ensino médio, gerando temores de que o governo elevará seu nível de gastos para tentar acelerar a economia. A elevação da percepção de riscos fiscais tende a prejudicar o desempenho da moeda brasileira, enfraquecendo o real. Para acompanhar os temas que devem movimentar os mercados neste dia, acesse a Abertura de Câmbio.
Os preços futuros da soja tiveram ganhos curtos, após terem sofrido com o movimento baixista no mercado do milho, que acabou puxando consigo outros grãos, como ocorreu com a soja.
No Brasil, a colheita avança em ritmo satisfatório, no entanto, algumas instituições têm feito cortes em suas estimativas de safra. Os cortes, ainda assim, não interferem na classificação da safra como recorde no país.
No mercado do milho, os contratos futuros operam próximos da estabilidade na manhã desta terça-feira, 25 de fevereiro, após terem caídos de suas máximas dos últimos 18 meses, alcançadas na última semana.
A melhora nas condições climáticas na América do Sul, bem como as perspectivas de um aumento do plantio pelos agricultores dos Estados Unidos acabaram por desencadear um movimento de vendas especulativas por parte dos investidores, gerando as baixas nos preços futuros, observadas na segunda-feira, 24 de fevereiro.
Os preços futuros do trigo, assim como os da soja, acumulam alguns ganhos curtos, em Chicago, após o alívio no movimento baixista que era observado para o milho nas últimas sessões.
Na Rússia, o maior exportador global de trigo, os preços seguem em alta, aproveitando o fortalecimento do rublo e as remessas em ritmo menor para o cereal russo.






