As operações no mercado de divisas brasileiro retomam suas atividades às 13h desta quarta-feira, após permanecerem suspensas nos dois primeiros dias da semana em razão do feriado de Carnaval. Ao longo da sessão, os participantes do mercado deverão analisar os desenvolvimentos mais recentes da política comercial dos Estados Unidos, em especial após a imposição, na última terça-feira (04), de tarifas de 25% sobre importações do Canadá e do México, bem como de uma taxa adicional de 10% sobre produtos chineses, que totalizam agora 20%. Em resposta, os países afetados anunciaram a adoção de medidas retaliatórias. O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, declarou a aplicação imediata de tarifas de 25% sobre 30 bilhões de dólares canadenses em importações dos EUA, podendo estender a taxação a outros 125 bilhões em até 21 dias, se necessário. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, por sua vez, afirmou que o governo mexicano também responderá com contramedidas, mas não forneceu detalhes adicionais. Já o Ministério de Relações Exteriores da China adotou tom categórico, enfatizando: “Se guerra é o que os Estados Unidos querem, seja uma guerra tarifária, guerra comercial ou qualquer outro tipo de guerra, estamos prontos para lutar até o fim.”
Os mercados mundiais operam de forma generalizada no campo positivo. Nos Estados Unidos, os principais índices com operações em Wall Street acumulam ganhos na manhã desta quarta-feira, 05 de março. Adicionalmente, investidores devem observar também as divulgações de dados econômicos nos Estados Unidos, com destaque para o Relatório de emprego do setor privado de fevereiro, da ADP, e o Índice Gerente de Compras (PMI) de serviços de fevereiro, do ISM. O dado da ADP surpreendeu negativamente, após apontar para a criação de apenas 77 mil novas vagas no mês de fevereiro, antes expectativa mediana de 141 mil novas vagas. Já a mediana das projeções para o Índice Gerente de Compras (PMI) de serviços é que ele se mantenha estável em fevereiro, com uma leitura de 52,8 pontos (um número acima de 50 pontos indica expansão), após uma leitura mais fraca que o esperado em janeiro. Essa estabilidade deve ser resultado de um recuo do nível de confiança empresarial, que retornou aos patamares anteriores ao impulso provocado pelos resultados eleitorais de novembro. Dessa forma, antecipa-se que os indicadores para atividade e mercado de trabalho nesta semana indiquem um maior espaço para cortes de juros pelo Federal Reserve, o que tende a prejudicar o rendimento dos títulos denominados em dólar e, assim, enfraquecer a moeda americana mundialmente. Para acompanhar com mais detalhes as temáticas que movimentam o mercado nesta quarta-feira, acesse a Abertura de Câmbio.
Na região da Ásia e pacífico, os mercados operam com incentivos positivos nesta manhã, assim como entre as bolsas europeias.
Os mercados futuros de grãos vêm sendo fortemente influenciados pelas tarifas comerciais nas últimas sessões, o que inclui também a soja. Após ter prorrogado o início da validade das tarifas contra o México e o Canadá em 30 dias, as cobranças começaram a valer desde ontem, 04 de março. Além disso, o país ainda impôs novas tarifas sobre as importações com origem da China.
O Canadá impôs tarifas contra as importações dos Estados Unidos, como resposta às medidas estadunidenses. O México informou que anunciará suas respostas no domingo. A China, por sua vez, anunciou a interrupção das importações de madeira por razões fitossanitárias e indicou a imposição de novas tarifas sobre as importações de produtos estadunidenses variados, incluindo a soja.
O mercado do milho opera de modo semelhante ao que se observa para a soja, recuperando-se de algumas baixas obtidas em sessões anteriores. Os grãos, que atingiram seus níveis mais baixos desde o início de janeiro, acabaram acumulando alguns ganhos na manhã desta quarta-feira, 05 de março, mas a escalada de tensões em torno das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos podem ter limitado os ganhos nesta sessão.
Para o trigo, as influências das tarifas comerciais não são da mesma magnitude que para os mercados da soja e do milho, tendo em vista que nem Canadá, nem México exportam seu trigo para os Estados Unidos. O México, por sua vez, importa trigo estadunidense, mas ainda não se sabe como ficará este mercado pois o país latino ainda não anunciou medidas retaliatórias às tarifas estadunidenses.
No caso da China, houve o anúncio de tarifas recíprocas para a importação de uma gama de produtos, incluindo o trigo. No entanto, o país já vira restringindo as importações do cereal do país americano, então os impactos não devem ser tão grandes.






