Mercado externo misto
Nesta quinta-feira (26), os mercados já em funcionamento da Europa atuam em queda, com os principais indicadores apresentando perdas próximas dos 0,35%. Nos EUA, os índices futuros apontam para abertura mista, com as bolsas não apresentando uma direção definida.
No dia de hoje, portanto, os investidores ainda não tem clareza do sentido a ser tomado pelos ativos, tendência que predominou ao longo de toda a semana. Eles aguardam o simpósio de Jackson Hole, evento marcado para esse fim de semana e que, por contar com membros do Federal Reserve, promete trazer novidades acerca da política monetária norte-americana.
Na agenda de hoje dos EUA, destaque para a primeira revisão dos dados do PIB e do Índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE, na siga em inglês) relativos ao segundo trimestre. Na divulgação inicial, o governo norte-americano havia anunciado que no final de junho o PIB do país era 6,5% maior na comparação anual. Na revisão de hoje, anunciada às 9h30 (horário de Brasília), a estimativa foi de crescimento de 6,6%. Em relação ao PCE, mantiveram-se os números inicias, com o núcleo do indicador mostrando inflação anual de 6,1%. Lembrando que esse valor é extremamente elevado para os padrões americanos e é usado como argumento por aqueles que defendem a diminuição já em 2021 dos estímulos monetárias dados pelo Fed. Será muito discutido no simpósio de Jackson Holes.
Também importante para essa discussão de política monetária é o número de pedidos iniciais semanais de seguro-desemprego solicitados pela população americana. Divulgado também às 9h30 dessa quinta, os 353 mil novos pedidos se mantiveram muito próximos dos 348 mil anunciados na semana passada. Sendo os menores números desde o início da pandemia, essas duas últimas divulgações apontam para a melhora do mercado de trabalho dos EUA, também servindo de combustível para os defensores de um aperto monetário. Pelo outro lado, antes da crise da Covid os pedidos iniciais de seguro-desemprego ficavam na casa dos 220 mil, o que serve como argumento para os que querem a manutenção dos estímulos.
Voltando a atenção para a Europa, o fator que pressiona as cotações são divulgações de piora em indicadores de confiança econômica. Na Alemanha, após ontem ser anunciado que o clima para negócios havia se deteriorado, hoje foi a vez do índice de confiança do consumidor cair. Ele marcou -0,4 ponto em agosto e caiu para -1,2 pontos em setembro. O estudo é feito pela empresa Gfk. Acrescentando para o pessimismo, o índice composto de confiança em negócios da França caiu de 113 para 110 pontos. Os responsáveis por essas pioras são a disseminação da variante Delta e as incertezas em relação a política colocada em prática pelo Banco Central Europeu (BCE). Hoje, essa instituição irá divulgar a ata de sua última reunião.
Na Ásia, o destaque do dia foi o aumento da taxa de juros colocada em prática pelo Banco Central da Coréia do Sul, medida impulsionada pela aceleração inflacionária no mercado imobiliário e pelo aumento do endividamento das famílias. Os juros básicos foram de 0,5% para 0,75%. É o primeiro aperto monetário feito por uma grande economia asiática desde o início da pandemia. Essa diminuição dos estímulos na Coréia associado a volta dos temores de intervenção nos mercados chineses fez todos os principais índices do continente fecharem em queda (Shanghai Composto: -1,09%, Hang Seng, -1,08%, Kospi: -0,58%, Nikkei 225: +0,06%).