Grãos | Chamada de Abertura
Soja, farelo e óleo: alta. Milho e trigo: queda.
Mercado externo em alta
Nesta terça-feira (21), o dia é de ganhos para as bolsas mundiais, com as ações recuperando parte das fortes perdas registradas ontem nos EUA (Nasdaq: -2,19%, Dow Jones: -1,78%, S&P 500: -1,70%), na Europa (DAX 30: -2,31%, CAC 40: -1,74%, Stoxx Europe 600: -1,67%, FTSE 100: -0,86%) e na maioria das bolsas mundiais, inclusive no Brasil.
Apesar das valorizações generalizadas, pode-se afirmar que a recuperação de hoje é frágil, já que alguns dos fatores que pressionaram os mercados ontem ainda estão muito presentes. Em relação a incorporadora imobiliária China Evergrande Group, ocorreram tentativas de acalmar os credores e o mercado, com o presidente da empresa afirmando que eles conseguirão arcar com suas dívidas. Entre analistas, o mais defendido é que o sistema financeiro chinês não precisará ser socorrido nem mesmo em caso de quebra total do Evergrande Group, o que também suaviza algumas preocupações. Mesmo assim, a dívida de mais de US$ 300 bilhões ainda está lá, com diversos pagamentos de juros marcados para quinta. Nesse dia 23, realmente será possível inferir o comportamento da incorporadora imobiliária em relação a seus débitos.
Um outro fator baixista do dia de ontem, entretanto, se tornou altista no dia de hoje: as reuniões de diversos Bancos Centrais ao redor do mundo para discutir a política monetária de seus respectivos países. Se na segunda as incertezas faziam os investidores ficarem avessos ao risco, na terça a expectativa de que as taxas de juros se manterão baixíssimas e que os programas de estímulos seguirão robustos impulsionam os mercados. Essa mudança nos sentimentos ocorreu porque alguns bancos centrais menos importantes, como o da Suécia e o da Indonésia, mantiveram políticas expansionistas. Também ajudou o fato de que a disseminação da variante Delta e alguns outros fatores desaceleraram a recuperação de diversas economias, trazendo a expectativa de adiamento do momento de diminuição da ajuda estatal. O Bank of Japan, do Japão, divulga sua decisão hoje, às 23h. O Federal Reserve, dos EUA, começa sua reunião hoje a anuncia o resultado amanhã. Por fim, o Bank of England, do Reino Unido, divulga sua decisão na próxima quinta-feira. Lembrando que na semana passada o Banco Central Europeu começou a diminuir seu programa de estímulos, ou seja, não é impossível que outras instituições optem por esse caminho.
Outro fator que ajuda a impulsionar os mercados são as recuperações de importantes commodities relacionadas à produção industrial. O minério de ferro negociado em Singapura se recuperou parcialmente, após perder mais de 11% de seu valor na quinta. Ele ainda se encontra perto do patamar mais baixo desde maio de 2020. No mercado de petróleo, a recuperação é impulsionada pelo anúncio da Shell de que uma de suas principais plataformas no Golfo do México, atingida pelo furacão Ida, só voltará a atuar normalmente no primeiro trimestre de 2022.
Soja em alta
Nesta terça-feira (21), os mercados futuros de soja operam em campo positivo. Na Bolsa de Chicago (CBOT, da sigla em inglês), os contratos de novembro/21 são negociados a 1.266,25 USD cents/bushel. O movimento de alta ganhou força após a divulgação dos dados de inspeção das exportações, que indicaram o início da retomada das operações antes que o pico da temporada comece no mês de outubro. Destaca-se que as operações ainda não foram totalmente normalizadas, um trabalho que deve se estender ainda.
Os dados de inspeção das exportações dos EUA, publicados ontem (20), pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês), indicaram um acréscimo (+42,3%) na semana encerrada no dia 16 de setembro frente à anterior. De acordo com a divulgação, foram exportadas 275,17 mil toneladas de soja. Contudo, vale destacar que o volume exportado ainda se encontra bastante abaixo daquele registrado no mesmo período do ano passado, de 1,39 milhão de toneladas de soja.
Milho em queda
Os futuros do milho operam em queda, nesta terça-feira (21), pressionados pelo avanço da colheita nos EUA e a valorização do dólar estadunidense. Ontem (20), o USDA divulgou a estimativa de que 8% da safra já foi colhida. Na CBOT, os contratos futuros para dezembro/21 são negociados a US¢ 520,50/bu.
Segundo a divulgação do USDA, os embarques físicos de milho totalizaram 403,1 mil toneladas, na semana encerrada no dia 16 de setembro. No comparativo semanal, observou-se um aumento significativo, de 152,8%. Contudo, faz-se importante lembrar que esse aumento, assim como o da soja, é reflexo da retomada gradativa das exportações após a paralização repentina das operações causada pela passagem do furacão Ida sobre a região portuária do Golfo, no sul dos EUA.
Trigo em queda
Os futuros do trigo operam em queda, nesta terça-feira (21), com a valorização do dólar estadunidense diminuindo a atratividade do cereal dos EUA no mercado internacional. Na CBOT, os contratos para dezembro/21 são negociados a US¢ 698,75/bu. Nessa segunda-feira (20), o USDA divulgou os dados de inspeção das exportações dos EUA. Segundo o Departamento, os embarques físicos de trigo ficaram pouco abaixo do registrado na semana anterior, totalizando 563,39 mil toneladas. No comparativo anual, isso representa um aumento de 12,0%. O volume acumulado do ano comercial corrente é de 7.713.880 toneladas de trigo.
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. *em relação ao fechamento do dia anterior
evolução dos contratos futuros na cbot